Em vídeo perturbador, impressionista se passa por 20 celebridades diferentes usando deepfake

Por , em 14.10.2019

O ator americano Jim Meskimen lançou um vídeo perturbador no qual ele imita 20 celebridades diferentes.

Perito na arte da imitação, enquanto é o próprio impressionista que faz a voz de todas elas no vídeo, graças a utilização de um software de deepfake, seu rosto também se transforma quase perfeitamente no dos imitados.

O que ilustra muito bem os tempos sombrios em que estamos vivendo: tudo indica que ficará cada vez mais difícil separar realidade de mentira no mundo atual.

Deepfake: um conceito perturbador

Deepfakes são vídeos falsos nos quais uma pessoa parece estar fazendo ou dizendo algo que nunca fez/falou.

Novos softwares têm tornado tais manipulações mais acessíveis, e praticamente impossíveis de serem distinguidas da verdade.

O vídeo de Meskimen é apenas um exemplo “inocente”. Na filmagem, ele recita o texto “Pity the Poor Impressionist” (em tradução literal, “Tenha Pena do Pobre Impressionista”) emprestando o rosto de 20 celebridades diferentes: John Malkovich, Colin Firth, Robert De Niro, Tommy Lee Jones, Nick Offerman, George Clooney, Christopher Walken, Anthony Hopkins, Dr. Phil, Nicholas Cage, Arnold Schwarzenegger, Morgan Freeman, Bryan Cranston, Christoph Waltz, Joe Pesci, Jack Nicholson, George W. Bush, Ian McKellen, Ron Howard e Robin Williams.

O problema é que essa tecnologia de inteligência artificial já foi usada para criar de tudo, passando por conteúdos pornográficos falsos exibindo famosos até discursos fictícios de políticos influentes – talvez você já tenha visto a filmagem (deepfake) de Barack Obama chamando Donald Trump de “um idiota completo” ou mesmo um meme feito com a atrapalhação do presidente brasileiro Jair Bolsonaro em um discurso em Dallas, nos EUA, no qual confundiu seu próprio slogan e disse “Brasil e EUA acima de tudo, Brasil acima de todos”. Bruno Sartori aproveitou a ocasião para fazer uma montagem de Bolsonaro vestido como Chapolin:

Debate ético

O meme acima, como outros feitos com o método deepfake, é claramente falso e não tem o objetivo de se passar por verdadeiro; apenas o de satirizar uma situação.

Esse não é sempre o caso, no entanto. As manipulações estão se tornando tão sofisticadas que já começaram a ser investigadas pelo Congresso americano, após o aparecimento de filmagens falsas envolvendo a presidente da Câmara dos EUA Nancy Pelosi.

Tais exemplos levantam a preocupação de que os deepfakes agravem ainda mais as campanhas de notícias falsas (as famigeradas “fake news”) durante a corrida presidencial americana de 2020, pela dificuldade do público em separar o trigo do joio. Se já não podíamos confiar em textos enviados pelo Whatsapp, agora não podemos nem mesmo ter certeza de que vídeos que parecem 100% autênticos realmente sejam.

Empresas de mídia social, como o Twitter e o Facebook, que já vinham sendo cobradas para gerenciar melhor o conteúdo abusivo e a desinformação em suas plataformas, passaram a ser também pressionadas pelas autoridades para encontrar maneiras de detectar e remover deepfakes mais rapidamente de suas páginas.

Infelizmente, alguma coisa sempre acaba escapando. A sociedade do futuro (e estamos falando de amanhã) precisará se preparar melhor para lidar com a quantidade imensa de desinformação e o obscurantismo proporcionado pelo novo mundo digital. [Cnet, UOL]

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