Filhote de mamute preservado indica nova relação entre homens pré-históricos, leões e mamutes

Por , em 15.04.2012

A descoberta de um filhote de mamute (Mammuthus primigenius) perfeitamente preservado sugere que caçadores humanos pré-históricos roubavam as presas dos leões, como ainda faz a tribo Dorobo, no Quênia, por exemplo, que rouba os animais abatidos pelos leões.

Bernard Buigues, da organização Mammuthus – uma iniciativa científica que visa pesquisar os fósseis encontrados no ártico siberiano – adquiriu o espécime de caçadores de marfim e de ossos antigos, na própria Sibéria.

Os cientistas apelidaram o animal de Yuka e, pelos ferimentos encontrados, acreditam que leões e humanos estão envolvidos na morte do animal. “Existem evidências dramáticas de uma batalha até a morte entre Yuka e alguns predadores poderosos, que provavelmente sejam leões”, explica o especialista em mamutes Daniel Fisher, da Universidade de Michigan. “E mais interessante é o fato de que humanos entraram na briga”.

Se as investigações que se seguirem comprovarem a análise, essa será a primeira carcaça encontrada nessa parte do mundo que mostra sinais de interação entre mamutes, leões e humanos pré-históricos.

Cada marca na pele do animal é formada por pequenas serrações, que parecem ter sido provocadas por humanos. “Nós perguntamos diversas vezes para as pessoas que acharam esse mamute se eles haviam feito isso. Mas sempre nos responderam que não, o que sugere que estamos olhando para um novo tipo de interação”, conta Fisher.

Uma das dúvidas levantadas é se a interferência humana aconteceu perto da época da morte do animal ou se foi algo que ocorreu muito depois.

Até então os mamutes viviam no hemisfério norte, mas foram forçados a se mudar para a Sibéria e para o norte da Europa, quando a era do gelo do Pleistoceno estava acabando, há cerca de 15 mil anos.

A análise dos dentes de Yuka já revelou que ele tinha aproximadamente três anos de idade quando morreu. As maneiras mais usuais de estudar animais extintos é justamente através da análise de ossos e dentes, pois levam muito tempo para se decompor. Tecidos, como músculos, pele e órgãos internos se decompõem mais rapidamente e raramente são encontrados em carcaças antigas, o que significa que informações vitais são perdidas.

Mas, em Yuka, por estar em uma verdadeira tumba de gelo, de aproximadamente 10 mil anos, muitos desses tecidos estão intactos, como também seus pelos. Segundo o professor de fisiologia evolucionária Kevin Campbell, da Universidade de Manitoba, no Canadá, Yuka constitui um grande achado.

De acordo com o pesquisador canadense, outro aspecto interessante é a coloração dos pelos do animal, que são amarelos e um pouco avermelhados. Isso permitirá com que os pesquisadores possam estudar e relacionar os fenótipos (características morfológicas que podemos ver) desses animais com o genótipo (sequência de DNA).

Os leões em questão (Panthera leo spelea), segundo os cientistas, são uma subespécie já extinta do leão africano, conhecido comumente como leões-das-cavernas da Eurásia. “Nós sabíamos que os leões caçavam mamutes? Bem, nós achávamos que sim. Mas não tínhamos uma evidência gráfica como temos agora”, explica Fisher. Na África de hoje, elefantes jovens também são atacados por leões, o que proporciona um meio de comparação com os ferimentos de Yuka.[BBC]

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12 comentários

  • priscila53:

    Só sei de uma coisa – isso me lembrou o diário de Richard E. Byrd que sobrevôou o Pólo Norte e Sul em 1947 e disse que ao invés de gelo viu muito mais coisas por lá, como florestas e mamutes.

  • Gilberto M.:

    Eu assisti a um episódio da série Planeta Humano em que apenas três homens caminham confiantes em direção a um bando enorme de leões que estavam se alimentando. Aqueles animais, cada um pesando mais de 200 kg, abandonam a caça e se escondem de três homens. Eu já fui ao Simba Safári aqui em São Paulo e vi de perto os leões de dentro do carro. Confesso que não teria coragem de fazer o que aqueles caras fizeram, roubando um pernil da caça dos leões.

    • Glauco Ramalho:

      Depende de onde isso aconteceu. Essa deve ser a tal tribo que revida toda vez que um leão ataca alguém. Com o tempo eles aprenderam a evitá-los.

  • Lulu:

    Eis a pergunta que não cala:

    Se o filhote foi abatido por leões/humanos ( o que seja) por qual razão a presa foi abandonada sem cumprir o fim a que se destinou??

    Uma correção:”Cassar”, não! É CAÇAR !

    • Glauco Ramalho:

      Ótima pergunta, nem eu faria melhor!

    • Valdeir:

      É que bem na hora do lanche,
      veio a avalanche
      E enterrou o bichinho,
      E o leão olhou para o humano
      O humano olhou para o leão
      E cada um viu seu jantar.

  • Marte:

    Acho que esses caras deveriam conhecer a Wikipedia. Nela há uma ilustração do tempo das cavernas – ótima por sinal – que já mostrava essa interação (para encontra-la comece procurando pelo verbete panthera).

    E outra coisa, o leão das cavernas faz o leão atual parecer um gatinho (então essa interação deveria ter alguma distância segura).

  • Glauco Ramalho:

    Ai ai ai… mamutes perfeitamente preservados não são novidade nenhuma. Eles existem às centenas ou milhares. Quero ver explicar como eles morreram congelados. Não existe outra forma de terem se mantido intactos.

  • Emerson Costa:

    Será que com esse exemplar, será possível realizar o sonho de muitos cientistas, que é clonar essa espécie ?

  • Zani Mt.:

    então querem dizer que, ou alguém mexeu nos fósseis, ou há uns 12 mil anos atrás a fé de jó não só moveu montanhas, mas continentes inteiros?

  • rvbeppler:

    “cassavam”?

    • Dantas:

      “Mamutes corruptos”, isso que dá!

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