Físicos podem ter descoberto uma partícula nova

Por , em 2.06.2011

Desde abril, os físicos estão discutindo a possibilidade de terem encontrado uma nova partícula. Ela foi descoberta no meio dos destroços de colisões próton-antipróton, em um acelerador de partículas.

A suposição foi feita com base na análise de oito anos de dados coletados pelo experimento do laboratório especializado em física de partículas Fermilab, nos EUA, que analisava colisões que produziam um bóson W, partícula com força nuclear fraca, juntamente com dois jatos de quarks.

Uma colisão suspeita mostrou um aumento inesperado no número desses eventos, agrupados em torno de 145 GeV, o que sugere que eles estão sendo produzidos por uma partícula não identificada de mesma massa.

Segundo os físicos, na mesma hora ficou claro que a partícula em jogo não é prevista pelo modelo padrão da física, a principal teoria sobre como as partículas e as forças interagem. Para aumentar o mistério, também claramente não era um bóson de Higgs, a partícula mais procurada pelos físicos, que supostamente dá massa a outras partículas.

Ainda assim, os físicos não comemoraram, pois os resultados não eram totalmente convincentes para justificar uma verdadeira descoberta. Com “três sigma”, havia uma chance em mil de que essa fosse apenas uma casualidade estatística; as evidências eram boas o suficiente, mas ainda longe do padrão-ouro de cinco sigma para ser uma verdadeira descoberta.

Agora, a equipe analisou quase o dobro da quantidade de dados nas quais o primeiro resultado foi baseado, e ele não foi embora. O sinal só ficou mais forte. Ele é declaradamente um 4,8 sigma, tentadoramente perto da certeza do cinco sigma.

Agora que há apenas uma chance em um milhão do resultado ser falso, só há duas opções: ou é o resultado de um efeito que ninguém tinha pensado ainda, ou é uma partícula real.

A equipe do laboratório está trabalhando duro para tentar descobrir qual das opções é verdadeira. Uma verificação independente será feita também por outros físicos, que tem dados próprios para corroborar ou lançar dúvidas sobre a existência da partícula. Resultados são esperados nas próximas semanas.

E se a partícula for mesmo real, o que ela é? Essa é a pergunta que vale um milhão.

Os teóricos já estão fazendo suas apostas. Alguns dizem que é uma partícula conhecida como “Z-prime” (em inglês), um transportador hipotético de uma nova força semelhante à força eletrofraca. Entretanto, teria que ser uma versão inusitada de uma Z-prime para não ter sido descoberta antes no maior acelerador de partículas do mundo, o Grande Colisor de Hádrons.

Outros dizem que pode ser um sinal da supersimetria, uma teoria popular que resolve alguns problemas intrigantes na física e postula que cada partícula tem um “parceiro”. A colisão do Fermilab poderia ser pares de “squarks” ou “selétrons”, parceiros supersimétricos de quarks e elétrons.

Outros ainda acreditam que é uma “tecnipion”, partícula que aparece em uma teoria conhecida como tecnicolor, que postula uma nova força que é semelhante à força nuclear forte, mas opera com energias muito maiores.

Qual dessas – será que uma dessas – é a teoria verdadeira, só o tempo vai dizer.[NewScientist]

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26 comentários

  • claudio:

    É sempre bom tomar conhecimento do desconhecido.Valeu Cesar…

  • jorge da s e:

    “essa particula e dificil,porque elá e (de DEUS).”

  • Giselle Hannah:

    Vejo muita gente criticando a Natasha, mas sempre que visito o site é sempre ela que aparece com notícias relacionadas a essa. Pode ser que ela não tenha muito conhecimento sobre o assunto, porém é bastante curiosa quanto a isso.
    E pelo que entendi, esse site só publica matérias traduzidas do Inglês.Logo, vocês nao veriam aqui a explicação para as matérias, o objetivo é só dar uma base, para livre interpretação. César, ele é realmente muito inteligente e só explica e torna mais simples coisas que não sabemos ao certo e que ele tem prévio conhecimento.
    Parabéns a ele, que deve ter estudado muito sobre o assunto para ter tanto conhecimento.

  • Vitor:

    Pois é..! Esse texto é apenas um trecho da ” New Cientist”. Creio,que o Cesar conseguiria deixar algumas perguntas no ar,para nós leitores. Pra ser sincero esse negócio de ser escritora nas horas vagas,21 anos, é um tapa na minha cara.
    Hyperscience…se lemos suas publicações, créditos e deneméritos são infalíveis de chegar á vocês. Considerem isso.Tenho 40anos e 20 de física na vida. O Cesar sabe argumentar com base nos textos e não foge aos fundamentos da matéria( texto).

  • Einstein:

    Cesar

    Está esperando o quê para descobrir a cura do câncer ou algo do tipo? Você não é o gênio aqui?

    • Ninguém importante…:

      Troll fail !

  • Bruno Rafaell:

    Eu sei o que nada sei.!

  • marco antonio:

    Sou novo aqui, gosto muito de fisica , pelo que o cesar comento (que na minha opiniao eh mais um resumo do que a propia opiniao) esta muito mais pratico para quem nao domina o assunto ler e ainda faz o leitor se interessar muito mais pelo assunto .
    Cesar vc eh mto inteligente , voce tem algum site ou blog sobre o assunto? ou algum email onde as pessoas possam te encontrar para esclarecer duvidas se tive por favor me passe .(isso se puder ou quiser)

  • Iuri Vasconcellos:

    Artigo muito bom. Valeu…

  • TrueLogic:

    Engraçado, nós somos feitos de partículas e estamos tentando descobrir outros tipos de partículas.

    Como disse Carl Sagan: “Nós somos a forma do cosmos conheçer a sí mesmo”

  • Vitor:

    Não gostei de ser “cor de rosa”!! Podia ser verde,azul…mas rosa!!!!???Hoje em dia nãose pode falar mais nada….deixa quieto..hehe

  • Vitor:

    Deve ser altamente frustrante e indecifravelmente broxante,na minha opinião,ser um físico de partículas encontrar um “trem” desses pela frente e não saber o que dizer. Principalmente quando toda comunidade científica aponta o dedo e pergunta: afinal de contas,o que é aquilo?rsrsrs!!!!:D

  • Letícia:

    Concordo com o André. Continue comentando sempre, Cesar, gosto muito das suas observações. Obrigada

  • Letícia:

    Cesar, obrigada pelos comentários! Concordo muito com o André!

  • EuláliaReis:

    Nossa! Se não sabem para que serve, nem por que estão aqui ..são bem parecidas com alguns políticos que nós brasileiros elegemos … agora é esperar que explodam e sumam do mapa do mesmo jeito que apareceram ahkkkk Fala sério!..

  • eduardo:

    Aposto q Tony Stark sabe q partícula é essa….. kkkkkkk…

    Uma dúvida (uma só?) q tenho é qnt aos resíduos provocados pelas colisões de partículas… de q maneira esses resíduos são eliminados? ou eles ficam retidos no grande colisor?
    Será q essa “nova” partícula não seria uma medição errada ocasionada pela junção destes “restos”?

    Sou leigo e é claro q a minha dúvida é baseada no q eu penso sobre partículas atômicas… se alguém puder esclarecer eu fico muito agradecido….

  • Bovidino:

    Se você não entendeu nada, fique sabendo que esses físicos estão na mesma situação.

  • Gala:

    ou a linguagem é muito difícil ou sou muito pouco informado sobre esse assunto… não entendi nda

    • Cesar:

      Gala, basicamente eles estão estudando registros de colisões de próton e anti-próton. Não de todas as colisões, mas apenas algumas específicas, que geram um bóson W e dois jatos de quarks. Tanto os bósons quanto quarks são partículas fundamentais, ou seja, acredita-se que não sejam compostas de nada, ou seja, não tem partes que podem ser separadas (seriam os verdadeiros indivisíveis).

      Analisando estas colisões, eles esperam ver um determinado comportamento, mas em uma certa porcentagem das colisões, o comportamento é diferente do esperado.

      Analisando a diferença encontrada, eles estão indecisos entre declarar a mesma como sendo evidência de uma nova partícula, ou resultado de algum erro ou defeito. O que decide entre uma e outra é o tal do sigma, que é um valor associado ao desvio padrão (uma medida estatística). Se a diferença chegar a 5 sigma, então ela é considerada evidência de uma descoberta de uma nova partícula. Se ficar inferior a 5 sigma, então ela pode ser evidência de algum erro de registro ou defeito no equipamento. Por enquanto a diferença está muito próxima de 5 sigma, mas ainda não chegou lá.

      Enquanto não se chega ao veredicto, se realmente é uma nova partícula ou um erro ou defeito, os físicos já estão tentando identificar a partícula, se ela se confirmar. Algumas teorias alternativas para explicar a constituição da matéria prevêem a existência de partículas com certo comportamento (basicamente, a energia que ela deve conter), e a partícula que parece ser indicada pelos registros de colisões se encaixa na previsão de algumas destas teorias. Cada físico tem a sua teoria predileta, e alguns já estão puxando a brasa para sua sardinha, apontando que a suposta partícula poderia ser a partícula prevista pela teoria predileta deles.

      Por enquanto, o que temos que fazer é esperar os físicos chegarem a um consenso. A matéria não é um convite a que nós resolvamos um problema da física moderna, é só um boletim apontando que uma pesquisa encontrou anormalidades em dados de um colisor de partículas, e que estas anormalidades podem ser devidas a uma partícula até então nunca detectada.

      Pelo menos foi o que eu entendi da reportagem.

    • André:

      Não existe um comentário do Cesar que não valha a pena ler!

    • Samuel:

      O perigo foi ter construído a maior maquina da humanidade pra toda nova descoberta ser tratada como um erro de leitura de dados, se não me engano é a décima vez que a “nova partícula” é tratada como um erro nos sensores. O equipamento é realmente confiável ?

    • Renato:

      a física é assim cara como disse Hawking nenhuma teoria é uma verdade ela é apenas verdade até que apareça outra que a refute

      quanto a particula na minha opinião é graviton =P

    • Marte:

      Cesar: você é cabra bom! Vida longa e próspera!

    • Ercy Miranda:

      Caramba, você devia escrever pro site, Cezar. Parabéns!

      Essa Natasha péssima. Aposto que nem ela entendeu o que traduziu.

    • Dorival José Borges:

      Sugiro refletir em relação ao fato da jovem ter apenas 21 anos.
      Também sou um apreciador dos comentários de Cesar, mas ao que tudo indica ele já tem bem mais quilometragem percorrida, e percebamos que nunca lemos um comentário dele, com citações em demérito dos jovens jornalistas. Prefiro incentivar estes jovens que em minha opinião, comparando-se aos meus 21 anos, já estão bem adiante do que eu estava, na época. Estes jovens jornalistas ainda vão evoluir muito, nutramos esta grata certeza e incentivê-mo-los.

    • Bruno Rafaell:

      Esse Cesar é iradoo.

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