Há um grande perigo se escondendo na maioria das praias: descubra como enxergá-lo

Por , em 3.08.2016

Correntes de retorno são encontradas na maior parte do litoral de qualquer país costeiro e representam um dos maiores perigos para banhistas que não sabem identificá-las.

A jornalista britânica Decca Aitkenhead perdeu o marido, Tony, quando passava férias com a família na Jamaica, em 2014. Seu marido foi levado por uma dessas correntes ao salvar o filho pequeno do casal, que se afogava. Decca conseguiu tirar a criança da água, mas assim que chegou na areia percebeu que o marido já estava muito longe, levado pela corrente. “Levou menos de dez minutos para um homem forte de 49 anos morrer”, escreveu ela em um relato triste para o jornal The Guardian.

A corrente de retorno é rápida, forte, estreita e corre em direção ao mar. Sua velocidade chega a 2m/s e geralmente aparece em águas rasas de cerca de um metro de profundidade – o local favorito de nadadores.

Para ser formada, a corrente precisa de algumas condições: pouca profundidade e bancos de areia. Ao encontrar esses bancos, as ondas quebram, aumentando em altura. Assim que as ondas começam a quebrar e diminuir de altura, o momentum da onda é reduzido, em oposição a outra força chamada gradiente de pressão. Essa força oposta faz com que a superfície do mar aumente em alguns centímetros no local onde as ondas quebram.

Já que o nível de superfície do mar neste local é um pouco maior que nos locais onde as ondas não estão quebrando (onde há mais profundidade pela ausência de bancos de areia), forma-se uma corrente em que a água do mar “desce” do ponto mais alto para o ponto mais baixo. Esse movimento é chamado de correntes alimentadoras, que se encontram nos espaços entre bancos de areia para fluir de volta para o mar, viajando em direção às águas profundas.

correntes de retorno

Por que são perigosas?

Essas correntes são perigosas porque levam qualquer coisa que estiver na água com elas para águas profundas, e não é fácil percebê-las. A maioria dos banhistas não entende como elas funcionam e como evitá-las.

Um banhista que está curtindo o mar em águas rasas pode ser gentilmente levado para o lado pelas correntes alimentadoras sem nem perceber. Quando caem na corrente de retorno, são carregados rapidamente para o fundo do mar e “perdem o pé”. Nesse momento a maioria das pessoas entra em pânico e perde o controle da respiração, engolindo água.

Quem tenta nadar de volta em direção à praia vai notar que a cada poucos centímetros de progresso, é empurrado muito mais que isso em direção contrária. Nessa situação, o melhor a fazer é nadar para o lado, para sair da corrente de retorno, e só então tentar voltar para a praia. Esse raciocínio é muito difícil em um momento de pânico em que cada inspiração representa um custo enorme para o banhista.

Como identificá-las

Essas correntes podem ser identificadas de várias formas: com boias equipadas com GPS ou até com a liberação de corantes para água, para que seja possível observar para onde a água está indo.

Já o banhista comum, quando frequentar uma praia sem a marcação com bandeiras feita pelos salva-vidas, pode procurar um ponto alto em que é possível observar as ondas de cima – um morro ou pedra mais alta. Basta observar os pontos onde não há ondas e a água do mar parece estar mais escura. Isso indica que ali há uma maior profundidade, e que há correntes de retorno naquele local.

Vale a pena lembrar que os banhistas devem ficar perto das ondas, e não das águas que aparentemente estão tranquilas, mesmo que isso vá contra a nossa intuição.

Acima de tudo, é importante respeitar as orientações dos salva-vidas. Eles são treinados e passam o dia todo por ali, por isso conhecem a região melhor do que ninguém. [IFLSicence]

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