Imagens da Nasa mostram a situação crítica da falta de água em São Paulo

Por , em 24.10.2014

Esqueçam, por um momento, as enchentes que desalojam diversas famílias e causam inúmeros prejuízos todos os anos em São Paulo. Dessa vez, o problema está no outro lado desse espectro: a falta de água. A crise hídrica que atinge o estado há meses se agrava a cada dia sem chuva – ainda mais quando o necessário seriam chuvas torrenciais – e a população já sente em casa os efeitos disto.

O Sudeste brasileiro está passando por uma das piores secas em décadas e situação é ainda pior no maior estado e na maior cidade do país. O total de precipitação para o ano está de 300 a 400 milímetros abaixo do normal e o Sistema Cantareira atingiu na última segunda-feira, dia 20, 3,6% da sua capacidade de armazenamento.

O Sistema Cantareira é o maior dos sistemas administrados pela Sabesp, destinado a captação e tratamento de água para a Grande São Paulo. É um dos maiores do mundo, abastecendo 8,8 milhões de pessoas. Todo o complexo é composto pelas represas de Paiva Castro, Cachoeira, Atibainha, Jacareí e Jaguari.

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O Operational Land Imager no satélite Landsat 8 da NASA registrou estas duas imagens em cor natural do reservatório Jaguari. A imagem de cima mostra a área em 3 agosto de 2014 (a visão sem nuvens mais recente do Jaguari); e a segunda imagem mostra a mesma área em 16 de agosto de 2013, antes do início da seca atual.

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O nosso gif (acima) mostra ainda melhor a mudança drástica ocorrida em apenas um ano. Mesmo em 2013, o reservatório já parecia estar rodeado por uma marca mais baixa nas bordas. A água também está em um tom verde-azulado mais claro em 2014 porque está mais rasa, com sedimentos do fundo do lago alterando a cor da superfície da água.

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É importante destacar que atualmente a situação está ainda pior, visto que, nos dois meses desde que foi registrada a imagem deste ano pelo Landsat, o nível dos reservatórios continuou a diminuir, com sua capacidade indo de aproximadamente 12% para 3,6%.

A seca começou no último verão, quando as altas temperaturas castigaram o Brasil todo e o estado de São Paulo recebeu entre um terço e metade de sua quantidade normal de chuva durante o que deveria ter sido a sua temporada mais chuvosa. Nos sete meses seguintes, a precipitação foi aproximadamente 40% do normal.

Em toda a região sudeste, a produção de culturas importantes, como café e açúcar, está em declínio e os cidadãos estão enfrentando interrupções periódicas no abastecimento de água, mesmo que as autoridades locais não tenham instituído medidas firmes de conservação.

“O clima da região é sazonal, com verão chuvoso e inverno seco, e a seca se estendeu durante a estação atual e a estação chuvosa passada”, observou Marcos Heil Costa, cientista climático da Universidade Federal de Viçosa. “Para piorar as coisas, o início da estação chuvosa, que geralmente acontece no final de setembro ou início de outubro, ainda não aconteceu”.

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“Na temporada chuvosa, o padrão [de redução de chuvas] foi observado no passado, embora a intensidade deste ano seja sem precedentes”, acrescentou Costa. “Na temporada de seca, coincidência ou não, o padrão é exatamente o que foi previsto pelo IPCC para um clima mais quente. E agora está claro que nossas políticas de gestão dos recursos hídricos são insustentáveis. Nenhuma cidade no sudeste do Brasil parece preparada para lidar com uma seca como esta. É uma mistura de falta de preparação para os baixos níveis de chuva e a falta de educação ambiental da população. A maioria das pessoas continua a usar a água como se estivéssemos em um ano normal”.

O arquiteto Gabriel Kogan, mestre em Estudos Urbanos de Água pela TU Delft, da Holanda, escreveu um artigo listando dez mitos da crise hídrica atual. Clique aqui para saber mais sobre o assunto. [G1, Nasa – Earth Observatory, iG, Diário do Centro do Mundo, Wikipedia]

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8 comentários

  • JOSE CARLOS RITTON:

    Temos de ver dois lados – que por sinal são os mesmos – desta questão.
    Falta consciência popular – mas consciência vem principalmente de informação; como consegui-la? A mais rápida é através das iniciativas governamentais.
    Falta competência ou foco nos interesses públicos por parte dos governantes – no caso tucanos.
    Reafirmo aquí: se a população conseguisse discernir entre o que é do seu estrito interesse e o que é dito e feito pelos governantes, solucionada estaria a equação – fora…

  • Lucas Souza:

    Sou paulista e moro em Sampa mesmo, mas sinceramente, essa crise foi merecida pela população. Como pode o imbecil do governador deixar o estado nessa situação, se negar a racionar água desde o inicio do problema, e ser reeleito em 1º turno?
    Depois paulista fala de nordestino, nos é que somos burros e ignorantes. Me lembro que desde moleque havia racionamento de água em são paulo quase todo ano, esse tucano foi o causador dessa seca extrema em são paulo e não a falta de chuva!

    • Cesar Grossmann:

      O Iberê, do Manual do Mundo, mostrou como dá para lavar um carro usando um copo de água, ou tomar um banho com o mínimo de água. Mas daí eu pergunto, será que todo mundo faz isso? Será que não tem gente tomando banho de meia-hora, lavando o carro com a torneira aberta no máximo o tempo todo, e usando água para varrer pátio e calçada? Sem eximir a autoridade da necessidade de racionar e racionalizar o consumo de água.

    • Lucas Souza:

      Cesar Grossmann, também vi o vídeo, mas independente do consumo abusivo de algumas pessoas, é obrigação do governo zelar pelo saneamento básico. Ele, assim como seus antecessores não se importaram e permitiram que dezenas de rios e mananciais fossem poluídos ou destruídos. Um exemplo simples é a Represa Billings, que possui um volume d’água muito grande, mas o governo permitiu que fosse quase completamente poluída, e não demonstrou nenhum interesse em limpa-lá.

    • Cesar Grossmann:

      Com certeza a administração tem responsabilidade no que aconteceu, mas penso ser necessário ver também a responsabilidade do cidadão.

  • Henrique D’Agostini:

    Acho que a seca não é só em SP, existem diversos estados com nascentes secando, SP vemos mais rápido acontecer porque acumulam mais pessoas e políticas de curto prazo realizadas por todos os municipios que tem usado rios como esgoto e nada fazem para mudar tal condição.
    Esse é um fenomeno planetário e um dos efeitos que o aquecimento global causará, a estiagem nos ciclos em que o ser humano acostumou-se a depender, depender de algo que se destrói é assim…

    • GUSTAVO IBRAIM CERON:

      Parabéns Henrique! Só os nossos “doutos” políticos não percebem isso. Aliás, economizar água é necessário como medida emergencial para que não falte a outras pessoas, mas não resolve o problema. Nós não consumimos a água, apenas a tomamos emprestado, pois depois que a ingerirmos, ela volta para a natureza pela nossa transpiração ou pelo esgoto. Até a água lançada em nossas calçadas volta para a natureza, portanto, a causa da atual falta tem outras causas que governantes idiotas não sabem.

  • Miltania Gomes:

    Já passou da hora a necessidade dos países poluidores indenizarem os demais países pelos estragos ecológicos que tem provocado por todo o mundo.

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