Esse é o terrível futuro da Amazônia sob Bolsonaro, segundo ele mesmo

Por , em 10.10.2018

No mesmo dia em que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas fez um apelo marcante por uma ação urgente, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) se tornou o mais votado na primeira rodada das eleições presidenciais no Brasil, definindo um segundo turno contra Fernando Haddad (PT).

Essa é possivelmente uma triste ironia: Bolsonaro já deu diversas declarações que indicam que não é um bom amigo do meio-ambiente.

Frequentemente comparado a Donald Trump, presidente dos EUA, tais paralelos podem ser vistos no histórico de visões racistas, misóginas e homofóbicas, na doutrina econômica protecionista – Bolsonaro adotou nesta eleição, por exemplo, uma promessa de acabar com o comércio de banana com o Equador para proteger os produtores brasileiros – e, ao que tudo indica, na negação da mudança climática.

O sucesso eleitoral dessa figura divisora deixa o Brasil em um ponto de virada crucial. Dentre as diferentes consequências políticas de um governo sob o comando de Bolsonaro, quais seriam as para o meio ambiente?

Acordo de Paris

Apesar da campanha de Bolsonaro ser baseada tanto na personalidade quanto na política, é possível encontrar algumas promessas relevantes, que não representam boas notícias.

Por exemplo, Bolsonaro disse anteriormente que, se eleito, poderia retirar o Brasil do Acordo de Paris que combate a mudança climática, argumentando que o aquecimento global nada mais é do que “fábula de efeito estufa”.

Em última análise, seu poder de reverter a decisão é limitado. Isso porque o Acordo de Paris foi aprovado por meio do congresso brasileiro, atualmente dividido entre 30 partidos. Logo, Bolsonaro teria a tarefa de convencer a todos.

Embora possa ser incapaz de retirar o país do acordo, sua eleição ainda seria uma ameaça direta ao regime de proteção ambiental no Brasil.

Bom para os ruralistas, péssimo para a Amazônia

A ascensão de Bolsonaro é um sintoma de uma mudança política mais ampla que viu um alinhamento entre as visões ambientais da extrema direita e as de poderosas facções políticas no Brasil.

Embora nunca diretamente ligadas, as políticas ambientais de Bolsonaro seriam bem recebidas pelos chamados “ruralistas” – uma poderosa aliança do agronegócio e grandes proprietários de terras dentro do Senado e da Câmara dos Deputados.

A facção ruralista já apoiou o presidente Michel Temer e é famosa por sua agenda ambiental regressiva, que busca desmatar ainda mais a Amazônia para dar lugar a fazendas de gado, plantações de soja e indústrias de mineração.

Bolsonaro também se pronunciou contra as proteções legislativas concedidas a reservas ambientais e comunidades indígenas. Ele argumentou anteriormente que o chama de “indústria de demarcação de terras indígenas” deve ser restringida e revertida, permitindo que fazendas e indústrias invadam terras hoje resguardadas.

Zero proteção ambiental

Bolsonaro ainda acenou para o fechamento da agência ambiental do Brasil, o IBAMA, que monitora o desmatamento e a degradação ambiental, e seu Instituto Chico Mendes, que emite multas para as partes negligentes.

Isso eliminaria qualquer forma de supervisão de ações que levassem ao desmatamento.

Ao remover esses órgãos de proteção da equação, a mensagem que Bolsonaro passa é clara: vastas áreas da paisagem biologicamente diversa e ecologicamente importante do Brasil serão abertas para o desenvolvimento e a extração.

Com a indústria brasileira de soja aproveitando a atual guerra comercial entre os EUA e a China, é altamente provável que as promessas dessa potencial expansão sejam bem recebidas.

Uma grave piora no quadro mundial é esperada sob Bolsonaro

Na corrida para esta eleição, foram divulgados números que mostraram que a taxa de desmatamento na Amazônia brasileira continua aumentando.

Em agosto de 2018, foram desmatados 545 km² de floresta – três vezes mais que a área desmatada em agosto de 2017.

A maior floresta tropical do mundo é importantíssima para o combate às mudanças climáticas, portanto, reduzir o desmatamento é uma questão global urgente. O Brasil, no entanto, está indo na direção oposta.

Enquanto o governo Temer revertia discretamente proteções ambientais, um possível governo Bolsonaro provavelmente adotará uma estratégia antiambiental descarada. Nas vésperas da segunda rodada, este é um ponto importante a ser considerado na hora de votar. [Phys]

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31 comentários

  • Charles Escorcio:

    Textinho mais comunista esse, aff.

    Por essas e outras e que muitos estão cancelando a inscrição neste site.

  • João Bosco Costa:

    A se confirmarem as pesquisas, o país estará nas mãos de um incompetente e irresponsável. Por essas e outras questões de alcance multinacional nos tornaremos um pária na comunidade das Nações. Triste.

  • Aya Brea:

    É sério mesmo que agora vão permitir viés ideológico e político nos posts do site? Você ainda não percebeu que esses posts sobre o Bolsonaro são os que recebem nota mais baixa no site? Além de ter que aguentar Folha de S.Paulo e outros jornais e sites, ainda vamos ter que nos estressar em site de ciência também? É o fim da picada mesmo.

    • Cesar Grossmann:

      É triste mesmo que alguns leitores acham que falar sobre o futuro da Amazônia é ter um “viés ideológico”. Mas nossos leitores informados sabem da importância de discutir isso.

  • Mauro Lúcio Lana:

    Fico extremante triste e decepcionado em ver um veículo de informação tão sério e interessante como o HyperScience misturar politica com ciência. Não sou eleitor de Bolsonaro mas, me incomodo com atitudes como desse artigo. Uma das minhas preocupações é que seus eleitores iniciem uma ação de boicote a esse site ou á sua imagem, prejudicando a continuidade dos serviços, como vem acontecendo com algumas revistas que se arriscaram por esse caminho.

    • Cesar Grossmann:

      Mauro Lúcio, nossa missão é informar, e a ciência é a nossa pauta. Ecologia é super-importante.

  • Guilherme Junqueira de Almeida:

    Se Bolsonaro é ruim para as questões ambientais, pior ainda se nós adotássemos um governo socialista, e você sabe disso como cientista.

    • Cesar Grossmann:

      Guilherme, “o perigo do governo socialista” é uma fantasia, o perigo no futuro da Amazônia, não.

  • Fabricio Caldeira:

    Matéria tendenciosa. Ridícula como a mídia está tentando destruir a imagem de Bolsonaro. Há anos estão acabando com Amazônia e ninguem fez nada. Agora por uma possibilidade difamam o candidato.

  • Pablo Kevin Brito:

    Política? Sério? Vou procurar um site imparcial.

    • Cesar Grossmann:

      Um site que não fale sobre a Amazônia?

  • Renan Altair Nardi:

    Estranho e lamentável que o Hypescience se envolva em política e sugira escancaradamente não votar em Bolsonaro em lugar de divulgar notícias científicas. Quem escreveu o artigo deveria, sim, respeitar a opinião dos eleitores e não profetizar o que acontecerá se o candidato for eleito. Profecias são fake news até porque eu mesmo poderia profetizar o contrário. Mas transparece o medo de quem profetizou, a meu ver injustificado.

    • Cesar Grossmann:

      Renan, temos o maior respeito pela opinião dos leitores. Sempre nos esforçamos ao máximo para que ela seja sempre uma opinião bem informada. Por isso passamos informação isenta de qualquer viés político. São só os fatos. Sabemos que você não quer se enganar ou ser enganado.

  • Bruno Claudia Costa:

    de novo fazendo jogo politico? Que vergonha

    • Cesar Grossmann:

      Bruno, nós nos preocupamos com o futuro da Amazônia. De verdade.

  • tasende:

    Vocês deveriam se abster de comentários ou tendências político partidarias!
    Não cabe a Hypescience qualquer tentativa de doutrinação política por parte de seus colaboradores e jornalistas.
    A pauta sempre foi ciência. Mantenhan-se neutros.

    • Cesar Grossmann:

      Tasende, relatar os fatos não é fazer doutrinação política, você não acha?

  • Marilia De Oliveira Assuncao:

    Reportagem lastimável!

    E em quem a Hypescience acha que os eleitores brasileiros deveriam votar mesmo?

    Reportagem ofensiva e desteipeitosa!

    • Cesar Grossmann:

      Eu também concordo, Marília. É ofensiva e desrespeitosa a maneira que o candidato trata o maior patrimônio que temos.

  • Emerson Costa:

    Um site como esse não era para ser isento de parcialidade política ???

    • Cesar Grossmann:

      Somos isentos, Emerson, mostramos só fatos.

  • Frederico Augustos:

    Ativismo político num canal que deveria informar…

    “unsubscribe now”

    by by!

  • Ricardo Wichan:

    Segundo post sobre Bolsonaro, ambos, vindos da mesma pessoa, com grande viés ideológico, atirando acusações, diversos hiperlinks para tentar confirmar tudo que fala, e utilizando até mesmo de postagens de terceiros em redes sociais falando sobre o político, estes que vem a ser duvidosos sobre veracidade, tendo visão parcial da situação, terminando com um “Estou em cima do muro, mas cuidado com quem vai votar!”, qual a chance disto ter uma razão política e ideológica?! Este também é um ponto importante a ser considerado, amigo.

    • Cesar Grossmann:

      Ricardo, é bom se informar sobre as políticas públicas e os planos de governo dos candidatos. Talvez só dois artigos seja muito pouco…

  • VALDEMIR:

    Donald Trump e Bolsonaro, os exterminadores do presente ( e do futuro também)!

  • Volnei Tavares:

    Achei q este site era sobre ciencia e tecnologia mas é mais um site de comunista disfarçado de democrata.
    Vou deixar de seguir.

  • Marlon Jean Walecheski:

    Precisamos sair desses acordos, para podermos crescer e ter meios para, ai sim, proteger nosso meio ambiente!

    • Cesar Grossmann:

      Já ouviu falar no mercado de créditos de carbono? Uma empresa em um país rico paga para o povo em um país miserável preservar uma região, plantando árvores e coisa e tal. Isso existe, e dá dinheiro para preservar o meio ambiente.

  • Jefferson Viana:

    Eu acho que essa página vai perder alguns leitores,quer preferem acreditar em um mito do que nas evidências.

  • Marco Antonio:

    Além de todo problema que tem com outros seres humanos ele tbm quer acabar com a biodiversidade e se iludir (e aos outros) ao argumentar que aquecimento global não existe e coisas do gênero.
    =\

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