Intervenção artístico-urbana em shopping brasileiro critica o consumismo

Por , em 11.12.2013

Se você conhece ou é alguém nunca comprou algo do qual não precisava, parabéns. Você é um item verdadeiramente raro no mundo de hoje.

“Consumismo”. Essa palavra tão batida pode ter mais de uma definição, mas geralmente se refere a uma compulsão que leva o indivíduo a comprar itens de forma ilimitada e sem necessidade.

O mais engraçado é que, conforme o comportamento se torna mais comum na sociedade, as pessoas parecem também o encarar como mais “normal”. Não é difícil observar consumidores esbravejando que “compraram tal coisa com seu próprio dinheiro”, que “trabalharam para isso”, e que “merecem ter o que quiserem”.

133829

Espertos mesmo são os que vendem porcarias que os outros não precisam, mas “querem ter porque podem pagar com seu próprio dinheiro”. As lojas de fato usam todo o tipo de truques que podem para nos fazer gastar mais, porém, analisando a fundo, nem precisariam.

Psicologicamente falando, o consumista se deixa influenciar excessivamente pela mídia, o que é comum em um sistema dominado pelas preocupações de ordem material – ah, o temido/amado capitalismo.

A ilusória concepção de que o consumo alienado conduz ao bem-estar e é sinônimo de civilização é o que leva milhares de pessoas a tentar preencher com coisas materiais um vazio que não poderia nunca ser preenchido com coisas materiais.

133612

Tendo em vista esse quadro triste e assustador (mais triste do que assustador, justamente por sua “normalidade”), a cena inusitada e monocromática vista no Shopping Midway Mall, em Natal, no Rio Grande do Norte, na última segunda-feira (9), adquire uma importância enorme.

A performance “Cegos”, parte da programação do Seminário Internacional Corpos Diferenciados na Arte Contemporânea, é uma intervenção artístico-urbana criada por Marcos Bulhões e Marcelo Denny, professores de teatro na Escola de Comunicação e Artes da USP, que pretendia causar uma reflexão nos clientes que passeavam por aquele espaço de compras: eles estavam lá por vontade própria, ou eram escravizados pelo mercado?

133834

Apesar de destoar do colorido da decoração natalina, a ação estava em perfeita sintonia com o contexto de aquisições de fim do ano: uma representação crítica e contundente do padrão de comportamento da sociedade e a cegueira que o consumo provoca nas pessoas.

40 pessoas, homens e mulheres, devidamente vendadas e munidas com suas sacolas de compras passearam durante mais de duas horas entre pedestres, carros e clientes do centro comercial, sempre perseguidos por um batalhão de fotógrafos e curiosos. Alguns não estavam entendendo nada; outros acharam que se tratava de uma pegadinha, ou de um protesto. Muitos, no entanto, entenderam que a performance “devia ter alguma coisa a ver com o consumismo”. Estas pessoas deram o primeiro passo para entrar uma belíssima relação com a felicidade verdadeira, abandonando as amarras infinitas da inalcançável realização material. Afinal, sempre vai ter mais alguma coisa para comprar, mas aquele segundo em que seu filho aprende a andar não volta nunca mais. [TribunadoNorte, InfoEscola]

133827

Vote: 1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars

3 comentários

  • Débora Sousa:

    consumismo desvairado mesmo eu nunca vi, mas ñ vivemos de comprar somente coisas q precisamos, pois ptecisamos somente de comer, beber e dormir, ñ precisamos por exemolo de livros para viver, ou qualquer outro objeto cultural

  • Bruno Rocha:

    Esse pessoal socialista fala mau do capitalismo e logo em seguida vai comer no McDonald’s mais próximo. É sempre assim.

    https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/q71/58219_213856002096703_1491629828_n.jpg

    O consumismo porco é que sustenta a economia e esses parasitas politicamente corretos. Acho que eles deveriam ir pra Cuba, já que lá tudo é perfeito e não existe esse capitalismo nojento. Nem água.

    • João Pedro:

      É Bruno, achar que as críticas contra o consumismo são exclusivas de grupos comunistas é no mínimo leviano, só denota ignorância sobre o tema. Defender o consumismo como forma de manter a economia aquecida é falacioso, lembre que a maior parte dos produtos de grande valor que consumimos por aqui são importados, portanto isto aquece mais a economia dos países de origem do produto do que a nossa. Se quer mesmo ajudar a sociedade, busque consumir de forma inteligente, dando prioridade para os produtos locais.

      As consequências do consumo desenfreado vão muito além da economia, o impacto sobre os recursos, energia e geração de resíduos são um desafio para a gestão dos entes públicos.

      Portanto, quando falas que o consumismo sustenta os “parasitas politicamente corretos” que “deveriam ir pra Cuba”, além de truculento, intransigente e preconceituoso, você está eternizando na internet a tua estupidez. Vai estudar rapaz.

Deixe seu comentário!