Encontrada intrigante evidência de continentes perdidos

Por , em 14.11.2018

Um novo estudo da Universidade de Kiel (Alemanha) revelou os remanescentes de antigos continentes ocultos sob o gelo da Antártica.

Segundo o geocientista Jörg Ebbing, a Antártida Oriental é composta de múltiplos crátons, unidades geológicas que são os núcleos dos continentes que vieram antes.

“Essa observação leva à separação do supercontinente Gondwana e à ligação da Antártida com os continentes circundantes”, disse ao portal Live Science.

O elo

Os pesquisadores usaram dados do GOCE (Gravity field and steady-state Ocean Circulation Explorer) da Agência Espacial Europeia para mapear geologicamente a região da Antártica.

O GOCE orbitou a Terra de 2009 a 2013, reunindo dados sobre o campo de gravidade do planeta. A força da gravidade difere muito ligeiramente de um ponto do planeta para outro, dependendo das mudanças na topografia e da densidade do interior terrestre.

Ebbing e sua equipe usaram outros dados de satélite para “retirar” o gelo da Antártida e se concentrar no leito de rocha abaixo.

Quando analisaram essa camada subterrânea, encontraram evidências da história antártica como parte do Gondwana, um supercontinente que reunia os modernos continentes do hemisfério sul. Ele se fragmentou há cerca de 180 milhões de anos.

Crátons

Os novos dados revelam mais complexidade nos antigos crátons antárticos do que anteriormente conhecido.

A crosta do leste da Antártida é mais espessa: tem entre 40 e 60 quilômetros de espessura, em comparação com 20 a 35 quilômetros da crosta oeste.

A crosta leste é também uma mistura de crátons antigos, incluindo um chamado Mawson, que tem um fragmento correspondente no sul da Austrália.

Por fim, o continente moderno é ainda anfitrião de regiões de orogenia, onde antigos continentes teriam se aglomerado para construir montanhas.

Vulcões?

Outra descoberta intrigante foi uma área de baixa densidade sob a Terra de Marie Byrd, na Antártica Ocidental.

A existência desta porção de baixa densidade no manto superior – a camada do planeta sob a crosta – pode ser devida a uma antiga pluma mantélica, um fenômeno geológico que consiste na ascensão de rocha quente. Elas podem, por vezes, levar à formação de vulcões.

A pluma do manto antártico dataria de cerca de 66 milhões de anos atrás.

Os achados do estudo foram publicados na revista científica Scientific Reports. [LiveScience]

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