Um buraco de lixo espacial acabou de aparecer na Estação Espacial Internacional

Por , em 1.06.2021
(CSA/NASA)

O inevitável ocorreu. Um pedaço de lixo espacial muito pequeno para ser rastreado atingiu e danificou parte da Estação Espacial Internacional (EEI)- ou seja, o braço robótico Canadarm2.

O instrumento ainda está operacional, mas o objeto perfurou a cobertura térmica e danificou o a parte interna. É um lembrete preocupante de que o problema do lixo espacial na órbita baixa da Terra é uma bomba relógio.

Obviamente, agências espaciais ao redor do mundo estão cientes do problema dos detritos espaciais. Mais de 23 mil pedaços estão sendo rastreadas na órbita baixa da Terra para ajudar satélites e a EEI a evitar colisões, mas todas as partículas tem o tamanho de uma bola de tênis ou são maiores.

Qualquer coisa menor do que isso é muito diminuta para ser rastreada, mas viaja a velocidades orbitais e pode causar danos significativos, incluindo perfurar placas de metal.

Um buraco de impacto deixado na antena do Telescópio Espacial Hubble em 1997. (NASA)

Canadarm2 — formalmente conhecido como O Sistema de Manipuladores Remotos da Estação Espacial (SSRMS, na sigla em inglês), projetado pela Agência Espacial Canadense — está instalado na EEI há 20 anos. É um braço robótico de titânio multi-articulado que permite a manobra de objetos fora da EEI, incluindo veículos de carga, e manutenções na estação.

Não está claro exatamente quando o impacto ocorreu. O dano foi notado pela primeira vez em 12 de maio, durante uma inspeção de rotina. A NASA e a CSA trabalharam juntas para realizar fotos detalhadas e avaliar os danos.

“Apesar do impacto, os resultados da análise em andamento indicam que o desempenho do braço permanece inalterado”, escreveu o CSA em um post. “O dano é limitado a uma pequena parte do braço a cobertura térmica. O Canadarm2 continua a conduzir suas operações…”

Embora a ISS pareça ter tido sorte nesse episódio, o problema dos detritos espaciais parece estar aumentando. No ano passado, a ISS teve que realizar manobras de emergência três vezes para evitar colisões com detritos espaciais em sua altitude de cerca de 400 quilômetros.

Desde o lançamento do Sputnik 1 em 1957, detritos espaciais vêm se acumulando. De acordo com um relatório da Agência Espacial Europeia, estima-se que 130 milhões de fragmentos de material criado por humanos, menores do que um milímetro, estão orbitando a Terra neste momento. Essa estimativa não inclui poeira espacial natural.

“Para continuar se beneficiando da ciência, tecnologia e dados que a operação espacial nos traz, é vital que alcancemos uma melhor conformidade com as diretrizes de mitigação de detritos espaciais existentes no projeto e nas operações das naves espaciais”, disse o chefe do Escritório de Detritos Espaciais da ESA, Tim Florer, no ano passado.

“Não pode ser enfatizado o suficiente – isso é essencial para o uso sustentável do espaço.”

As operações de robótica na ISS usando o Canadarm2 continuarão como planejado no futuro próximo, disse a CSA. Mas ambas as agências espaciais continuarão coletando dados para realizar uma análise do evento, tanto para entender como ocorreu, quanto para avaliar o risco futuro. [Science Alert]

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