Estudo genético inédito indica que lulas-gigantes podem ser estupidamente inteligentes

Por , em 22.01.2020

Um novo estudo de colaboração internacional detalhou pela primeira vez o genoma da lula-gigante (Architeuthis dux), tornando possível responder a várias questões evolucionárias sobre esses animais misteriosos.

Pouco estudados

Segundo uma das autoras do estudo, Caroline Albertin, da Universidade de Chicago (EUA), o genoma é o primeiro passo para desvendar a biologia desses estranhos animais.

Descritos pela primeira vez em 1857, esses cefalópodes gigantes podem chegar até 18 metros de comprimento, embora a maioria dos indivíduos tenha cerca de 9 a 10 metros. Eles nunca foram capturados e mantidos vivos, de forma que os cientistas sabem muito pouco sobre eles.

Agora, graças à nova pesquisa, temos alguma chance de entender mais sobre sua vida e sua fisiologia, talvez descobrindo como essas lulas alcançaram seu tamanho monstruoso e como se adaptaram à vida nas profundidades do oceano.

Inteligência

Uma das descobertas do novo estudo é que a lula-gigante tem cerca de 2,7 bilhões de pares de bases de DNA em seu genoma. A título de comparação, os humanos têm cerca de 3 bilhões de pares.

A maior surpresa, no entanto, foi a descoberta de 100 genes que pertencem à família das protocaderinas, geralmente não encontrados em tal abundância em invertebrados.

De acordo com os cientistas, isso é um sinal de que as lulas-gigantes têm cérebros complexos e altamente evoluídos.

“As protocaderinas são consideradas importantes para conectar corretamente um cérebro complicado. Foram consideradas uma inovação em vertebrados, então ficamos realmente surpresos quando encontramos mais de 100 delas no genoma do polvo (em 2015). Parecia uma ‘chave’ para a maneira como se cria um cérebro complicado. Agora encontramos uma expansão semelhante de protocaderinas na lula-gigante”, conta Albertin ao portal Inverse.

E o tamanho gigante?

Infelizmente, o estudo ainda não conseguiu responder como ou por que esses animais ficaram tão grandes.

Uma das hipóteses dos pesquisadores era de que a lula-gigante conseguiu alcançar tal comprimento através de duplicação do genoma completo, uma adaptação evolucionária conhecida por aumentar o tamanho de alguns vertebrados.

No entanto, o genoma da lula-gigante continha somente cópias únicas de genes desenvolvimentistas importantes.

Por enquanto, os pesquisadores esperam que seus achados abram caminho para análises futuras sobre essa espécie avançada e emblemática.

A equipe de pesquisa incluiu cientistas de universidades de todo o mundo, incluindo Dinamarca, Espanha, Portugal, EUA, Eslováquia, Nova Zelândia, Reino Unido, Alemanha, Peru, Malásia, México, Itália, Áustria, Canadá, Austrália e China.

Um artigo sobre o estudo foi publicado na revista científica GigaScience. [Inverse]

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3 comentários

  • Willian Lima:

    Uma pena não ver o Brasil na lista de países que participaram, o país precisa investir mais em ciência e pra isso só escolhemdo políticos que estejam alinhados a esse objetivo. No entanto elegemos terraplanistas.

    • Cesar Grossmann:

      Estamos no velho caminho de sempre, um país que compra tecnologia em vez de desenvolver tecnologia, um país que paga para os outros países fazerem pesquisa e desenvolvimento, e depois reclama que tudo é tão caro. É só ver a beleza de acordo que os militares fizeram ao comprar usinas nucleares prontas da Alemanha (que na época já eram obsoletas), em vez de investir nos físicos nucleares brasileiros, que tinham condições de desenvolver tal tecnologia.

      A única vez que fizeram certo, apressaram a conclusão do projeto para fins políticos e assaram a elite da engenharia aeroespacial em Alcântara.

  • silviojbmaia:

    No entrelaçamento geral universal temos também inserções de seres vivos
    entre planetas.

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