Cientistas podem ter descoberto como o Alzheimer surge

Por , em 21.01.2019

Em um trabalho de pura investigação científica, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC) descobriram uma possível causa desconhecida para o Alzheimer e, consequentemente, um novo caminho para o seu tratamento. Vasos capilares com vazamento no cérebro seriam uma forma de presságio do início precoce da doença, à medida que eles sinalizam comprometimento cognitivo antes de aparecerem as proteínas tóxicas amilóides e tau, sinais recorrentes do Alzheimer.

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As descobertas, que aparecem na edição de 14 de janeiro da revista Nature Medicine, podem ajudar no diagnóstico precoce e sugerir novos caminhos para medicamentos que possam retardar ou impedir o início da doença. Os medicamentos usados atualmente para combater a doença ajudam a melhorar temporariamente a memória, mas não há nenhuma droga que trate a causa do Alzheimer ou diminua sua progressão – os pesquisadores acreditam que o tratamento bem-sucedido do Alzheimer será uma combinação de drogas voltadas para múltiplos alvos.

O estudo de cinco anos da USC, que envolveu 161 adultos, mostrou que pessoas com os piores problemas de memória também apresentavam mais vazamentos nos vasos sanguíneos do cérebro, independentemente da presença de proteínas amilóides e tau anormais. “O fato de estarmos vendo os vasos sanguíneos vazando, independente da tau e independente da amilóide, quando as pessoas têm comprometimento cognitivo em um nível leve, sugere que pode ser um processo totalmente separado ou um processo muito precoce. É surpreendente que este colapso da barreira hematoencefálica esteja ocorrendo de forma independente”, explica Berislav Zlokovic, diretor do Instituto Neurogenético Zilkha da Escola de Medicina Keck da USC, em matéria publicada no site da instituição.

Vazamento

Em cérebros saudáveis, as células que compõem os vasos sanguíneos se encaixam tão firmemente que formam uma barreira que impede que as células perdidas, patógenos, metais e outras substâncias nocivas atinjam o tecido cerebral. Os cientistas chamam isso de barreira hematoencefálica. Porém, ao envelhecer, as costuras entre as células de alguns cérebros se soltam e os vasos sanguíneos se tornam permeáveis, o que causa este vazamento.

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“Se a barreira hematoencefálica não estiver funcionando adequadamente, então existe o potencial de danos. Isso sugere que os vasos não estão fornecendo adequadamente os nutrientes e o fluxo sanguíneo que os neurônios precisam. E você tem a possibilidade de que proteínas tóxicas estejam entrando (no tecido cerebral)”, aponta Arthur Toga, diretor do Instituto de Neuroimagem e Informática Stevens da USC e coautor do estudo.

Os participantes do estudo tiveram sua capacidade de memória e pensamento avaliada através de uma série de tarefas e testes, resultando em medidas de função cognitiva e uma “pontuação de avaliação clínica de demência”. Indivíduos diagnosticados com distúrbios que poderiam ser responsáveis ​​pelo comprometimento cognitivo foram excluídos da pesquisa. Os pesquisadores usaram neuroimagem e análise do líquido cefalorraquidiano para medir a permeabilidade dos capilares que atendem ao hipocampo do cérebro e encontraram uma forte correlação entre o comprometimento e o vazamento.

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“Os resultados foram realmente reveladores. Não importava se as pessoas tinham patologia amiloide ou tau; elas apresentavam comprometimento cognitivo de qualquer forma”, conta o autor principal do estudo, Daniel Nation, professor assistente de psicologia no Colégio de Letras, Artes e Ciências da USC.

Segundo os pesquisadores, estas descobertas representam uma fotografia do momento atual dos estudos sobre o Alzheimer. Em estudos futuros, eles esperam ter uma noção melhor de quanto tempo os problemas cognitivos ocorrem depois que os danos nos vasos sanguíneos aparecem. Zlokovic disse que é improvável que os cientistas abandonem em breve a amilóide e o tau como biomarcadores de Alzheimer, “mas deveríamos estar adicionando alguns biomarcadores vasculares ao nosso kit de ferramentas”, sugere. [Universidade do Sul da Califórnia, Psych Central, Good News Network]

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