Pela primeira vez, misterioso zumbido constante da Terra é gravado

Por , em 16.12.2017

Nosso planeta faz um barulho constante, mas fraco demais para o escutarmos ou sentirmos.

Já falamos aqui no Hype desse zumbido de baixa frequência.

Descoberto em 1990, os cientistas o identificaram como vibrações de movimentos sísmicos contínuos, muito sutis para serem detectadas sem equipamento especial.

Agora, pesquisadores conseguiram medir e gravar tal zumbido persistente pela primeira vez, no fundo do mar.

Ideias

A maioria dos movimentos no chão sob nossos pés não são suficientemente dramáticos para os sentirmos.

Os terremotos, é claro, são a grande exceção, mas a Terra sofre muito mais tremores do que você poderia suspeitar – cerca de 500.000 por ano, de acordo com o US Geological Survey. Destes, 100.000 são fortes o suficiente para serem sentidos, e cerca de 100 são poderosos o suficiente para causar danos.

E, mesmo nos períodos de silêncio entre terremotos, há ainda alguma trepidação acontecendo.

Desde a década de 1990, os pesquisadores sabem que a Terra vibra constantemente com uma atividade microsismática, chamada de “oscilação livre”. Durante anos, a fonte desse zumbido perpétuo intrigou pesquisadores, com alguns sugerindo que o fluxo de ondas oceânicas que chegam até o fundo do mar era o responsável, enquanto outros atribuíam a vibração às colisões entre as ondas oceânicas.

O novo estudo

Finalmente, em 2015, os cientistas determinaram que ambos os tipos de movimento do oceano desempenhavam um papel na manutenção dessa vibração planetária.

Porém, enquanto sismólogos registraram e mediram o zumbido em terra, eles ainda não haviam conseguido capturar o som nas profundezas do mar – até agora.

Recentemente, uma equipe registrou o som usando sismômetros esféricos especiais no fundo do Oceano Índico.

Entre setembro de 2012 e novembro de 2013, os pesquisadores implantaram 57 sismômetros em torno da Ilha La Réunion, a leste de Madagascar, em uma área de aproximadamente 2 mil quilômetros quadrados.

Sucesso

Usando filtros, redução de ruído e cálculos, os cientistas isolaram o zumbido dos níveis normais de ruído do oceano gerados pelo movimento das ondas oceânicas e correntes do fundo do mar, e encontraram “picos” claros que apareceram consistentemente ao longo do período de estudo de 11 meses.

Esses picos estavam na mesma escala de amplitude que as medidas do zumbido feitas em terra, na Argélia.

A equipe observou que os picos ocorreram em várias frequências entre 2,9 e 4,5 mililitros – cerca de 10.000 vezes menor do que o limiar auditivo humano, que é de 20 hertz.

Capturar esse “murmúrio oceânico” proporcionará aos cientistas mais dados do que os registros feitos em terra, contribuindo para a compreensão do interior do nosso planeta.

Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista Geophysical Research Letters. [LiveScience]

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