Já sentiu uma presença estranha? Esta é a explicação

Por , em 10.11.2014

Fantasmas só existem na nossa mente. Em que local especifico? Os cientistas agora sabem.

Pacientes que sofrem de condições neurológicas ou psiquiátricas muitas vezes relatam sentir uma “presença” estranha. O mesmo ocorre com pessoas em situações extremas. De onde vem essa sensação?

Para descobrir, pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Lausana, na Suíça, recriaram essa “ilusão fantasma” em laboratório.
Histórias de “aparições” ou de “sentir que havia uma segunda pessoa junto” têm sido relatadas inúmeras vezes por alpinistas, exploradores e sobreviventes em geral, bem como pessoas que ficaram viúvas. Também são comuns entre pacientes que sofrem de distúrbios neurológicos ou psiquiátricos, como esquizofrenia.

A equipe de pesquisa da EPFL foi capaz de recriar uma ilusão semelhante no laboratório e fornecer uma explicação simples para ela.

A sensação, segundo os cientistas, resulta de uma alteração de sinais cerebrais sensório-motores, que estão envolvidos na geração de autoconhecimento através da integração de informações de nossos movimentos e posição do nosso corpo no espaço.

É pouco provável que estes resultados impeçam qualquer um de acreditar em fantasmas. No entanto, para os pesquisadores, é mais uma evidência de que eles só existem em nossas mentes.

O experimento

A equipe interferiu com a interpretação sensório-motor dos participantes de tal forma que seus cérebros não identificaram sinais de ações feitas por eles como pertencentes ao seu próprio corpo. Em vez disso, os interpretaram como os de outra pessoa.

Os pesquisadores primeiro analisaram os cérebros de 12 pacientes com distúrbios neurológicos – principalmente epilepsia – que já haviam experimentado esse tipo de “aparição”.

A análise de ressonância magnética revelou interferência em três regiões corticais: o córtex insular, o córtex parietal-frontal e o córtex temporo-parietal. Estas três áreas estão envolvidas na autoconsciência, no movimento e no sentido de posição no espaço (propriocepção). Juntos, contribuem para o processamento de sinais multissensoriais, importantes para a percepção do próprio corpo.

Em seguida, realizaram um experimento de “dissonância”, no qual os participantes faziam movimentos com sua própria mão na frente do seu corpo, mas com os olhos vendados. Atrás deles, um dispositivo robótico reproduzia seus movimentos, tocando-os nas costas em tempo real. O resultado foi uma espécie de discrepância espacial.

fantasmas

No entanto, por causa do movimento sincronizado do robô, o cérebro do participante foi capaz de se adaptar e corrigir a discrepância.

Em seguida, os neurocientistas introduziram um atraso temporal entre o movimento do participante e o toque do robô. Nestas condições assíncronas, distorcendo a percepção temporal e espacial, os pesquisadores foram capazes de recriar a ilusão fantasma.

Os participantes não tinham conhecimento do propósito do experimento. Após cerca de três minutos de atraso, os pesquisadores pediram a eles para dizer o que sentiram. Instintivamente, vários indivíduos relataram o “sentimento de uma presença”. Para alguns, a sensação foi tão forte que eles pediram para parar o experimento.

“Nossa experiência induziu a sensação de uma presença fantasma em laboratório pela primeira vez. Isso mostra que ela pode surgir em condições normais, simplesmente através de sinais sensório-motores conflitantes”, concluiu Olaf Blanke, um dos cientistas do estudo.

Objetivo

Além de explicar um fenômeno que é comum a muitas culturas, o objetivo desta pesquisa é entender melhor alguns dos sintomas de pacientes que sofrem de esquizofrenia. Esses pacientes muitas vezes sofrem de alucinações ou delírios associados com a presença de uma entidade alienígena cuja voz eles podem ouvir ou cujas ações eles podem sentir. Muitos cientistas atribuem essas percepções a um mau funcionamento dos circuitos cerebrais que integram informações sensoriais em relação aos movimentos do nosso corpo.

“Nosso cérebro possui várias representações do nosso corpo no espaço”, disse Giulio Rognini, pesquisador do estudo. “Em condições normais, ele é capaz de montar uma autopercepção unificada dessas representações. O mau funcionamento do sistema devido a doenças – ou, neste caso, um robô – às vezes pode criar uma segunda representação do próprio corpo, que não é mais percebido como ‘eu’, mas como uma ‘presença’”. [MedicalXpress]

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2 comentários

  • Eduardo Novachinsky:

    A “inocência” se manifesta até na ciência !

    • Cesar Grossmann:

      Principalmente nas “críticas” à ciência…

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