Nos EUA, fazendeiros notam desvantagens em cultivar transgênicos

Por , em 10.10.2010

Nos Estados Unidos, empresas produtoras de sementes geneticamente modificadas estão sendo investigadas por práticas anticompetitivas. Isso pode mudar a opinião dos agricultores, que apesar de reclamarem que elas estão ficando muito caras e que podem contaminar as culturas convencionais, continuam as usando.

As sementes geneticamente modificadas são principalmente usadas pelos agricultores porque plantações transgênicas, como milho, contêm genes que lhes permitem “fabricar” seu próprio inseticida. Isso significa que os agricultores não têm de gastar tempo e dinheiro matando insetos. A maioria dos agricultores também acredita que o rendimento de sementes de culturas transgênicas seja maior.

Infelizmente, as empresas de biotecnologia, como a Monsanto, estão criando um monopólio no negócio de sementes. Hoje, é até difícil encontrar sementes tradicionais no mercado, porque a maioria dos “melhoramentos das culturas” produzidos por cruzamento convencional de plantas só são vendidos junto à biotecnologia.

Porém, um estudo de 2009 concluiu que o aumento de rendimento das culturas vem principalmente da criação de plantas convencionais. Segundo os pesquisadores, a biotecnologia é muito sensacionalista, e a reprodução convencional supera a engenharia genética. Até mesmo as empresas de biotecnologia afirmam que a maior parte do aumento da produtividade das culturas é devido ao melhoramento genético tradicional. Sementes convencionais produzem tanto quanto as transgênicas.

E os fazendeiros têm notado isso. Com o aumento dos custos e da resistência aos herbicidas, as sementes transgênicas têm se tornado menos favoráveis. Por exemplo, ano passado, o preço das sementes de soja geneticamente modificadas cresceu 24%, e o preço das sementes de milho 32%. Isso indica uma prática anticompetitiva da Monsanto, que está sendo investigada. Segundo os agricultores, não há competição para a empresa, que sobe os preços sem parar.

As plantações de transgênicos também estão ficando mais resistentes a herbicidas, o que tem se tornado um problema principalmente nos campos de algodão do sul dos Estados Unidos, onde culturas estão afetando milhares de hectares. E a situação pode se espalhar para outras regiões.

Ou seja, os agricultores têm percebido que as culturas transgênicas reduziram o valor das suas culturas tradicionais, graças à contaminação genética. Se há sementes convencionais vizinhas a plantações modificadas, o pólen voa. Fazendeiros já tiveram que vender plantações convencionais por preços muito mais baixos devido à contaminação genética.

Apesar de sementes transgênicas ainda serem usadas mais do que as convencionais, essa situação está mudando lentamente. Segundo as últimas estatísticas, a quantidade de propriedades que utilizaram sementes transgênicas aumentou apenas 1% no ano passado, o menor aumento desde 2001. E em algumas regiões, o número de culturas transgênicas tem diminuído. [DailyTech]

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5 comentários

  • Cesar:

    Eu me pergunto se podemos relacionar a experiẽncia humana com a de outros agricultores naturais, como a formiga, que corta pedaços de folhas, leva-as para seus ninhos e lá mantém um ambiente apropriado para cultivar o fungo de que se alimenta. A formiga não tem capacidade de fazer o tipo de teste controlado que fazemos, mas com certeza houve uma seleção de cultivares, de plantas que servem para fazer crescer o fungo correto e de outros fatores, como a forma do formigueiro, a melhor posição para cultivar o fungo, etc. O que fazemos é tão diferente assim do que a formiga fez e continua fazendo? Provavelmente não, guardadas as devidas diferenças (planejamento, testes usando método que não causa o fim de um formigueiro caso dê errado, etc), embora usemos uma escala muito maior.

  • Pantera:

    Embora tenhamos feito com que o Milho Teosinte, que na pré-história era um cereal de apenas três ou quatro centímetros, se tornasse maior, mais macio, mais saboroso, mais produtivo e uma das principais fontes de matéria-prima para a fabricação de inúmeros produtos como óleos, cremes vegetais, bebidas e combustíveis.
    E a tática de plantar os melhores exemplares, e descartar as variedades menos interessantes; tenha possibilitado que se obtivesse uma quantidade maior de alimentos.
    E feito com que tudo o que degustamos ficasse mais saboroso, mais bonito ou mais produtivo.
    A conduta em questão não foi uma decisão sábia, pois condenou ao desaparecimento inúmeros genes presentes nas variedades “feias” ou “improdutivas”, mas que poderiam ser utilíssimas para conferir resistência às pragas, permitir o cultivo em ambientes difíceis, tolerar os solos menos férteis, assim como, diversificar os exemplares.

  • Elizabeth:

    Só agora que os norte-americanos acordaram para isso???
    Já foi alertado em filmes que essas sementes tornariam agricultores reféns da Monsanto e o governo deles sabia muito bem disso.
    Aqui, o ex-governador do Paraná, Requião, há anos vem brigando contra os transgênicos, chegando a proibir o plantio. Infelizmente o governo federal acabou interferindo e liberando.
    Além de afetar o solo e contaminar plantações não transgênicas, essas sementes tem potencial cancerígeno.

  • Douglas:

    Mexeram onde não deviam e deu merda!
    O ser humano “brinca de ser Deus”, não prevê impactos a longo prazo e quando o problema aparece busca frenéticamente uma solução ou simplemente cruza os braços esperando que a mãe nutureza conserte por conta própria.

  • José Salfer:

    A polêmica sobre os produtos transgênicos realmente está longe de acabar. Os melhoramentos genéticos tinham um belo intuito de acabar com a fome dos países subdesenvolvidos, no processo chamado “Revolução Verde”, porém estas super-sementes exigem altas tecnologias de produção como herbicidas específicos e muitos fertilizantes, e isto não foi possível nos países da África. Quem realmente saiu ganhando foram as grande corporações que detêm o monopólio da maioria das patentes de herbicidas e sementes como a Monsanto, e também os grandes fazendeiros. Outro agravante é que o objetivo destas plantações é mais voltado para a alimentação animal e produção de álcool do que para alimentação humana. Mas isto é uma característica humana mesmo, é melhor abastecer os carros com álcool de milho e observar o desespero dos famintos.

    Fonte: Documentário sobre o milho, encontrado no docspt.com, cujo link para download é este:
    http://www.megaupload.com/?d=4I2VA354

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