Núcleo interno da Terra gira na direção oposta ao resto do planeta, dizem cientistas

Por , em 22.09.2013

O Japão só é a “terra do sol nascente” porque o planeta gira no sentido oeste, e foi convencionado que por lá o dia começa antes. Ao pensar nisso, é fácil imaginar o mundo em rotação nessa direção como um todo. Mas cientistas britânicos defendem que o núcleo da Terra, feito de ferro sólido, gira no sentido oposto. E mais rápido do que o restante do planeta.

A Terra é composta de cinco camadas: crosta, manto superior, manto, núcleo externo e núcleo interno. Já ficou famosa a história de que a crosta, com apenas 60 km de profundidade, está para o planeta como uma camada de poeira está para uma bola de futebol, ou coisa parecida. De fato, o núcleo interno é bem mais espesso. São 3,5 mil km de diâmetro – mais ou menos o tamanho da lua -, que se comportam de modo ainda incerto para os geofísicos.

Segundo a nova teoria de pesquisadores da Universidade de Leeds, na Inglaterra, esta gigantesca bola de metal no âmago do planeta giraria no sentido leste. E esta orientação justamente cria uma força geomagnética que faz o núcleo externo – composto de metal líquido, especialmente ferro e níquel – se mover no sentido contrário, levando consigo o restante da Terra.

Um estudo feito na Universidade Columbia, nos EUA, há cerca de dez anos, havia preconizado a ideia de que o núcleo interno completa uma rotação cerca de dois terços de um segundo mais rápido do que o resto do planeta. Ao longo do último século, essa pequena diferença representou um quarto de volta. Mas essa pesquisa assumia que todos – núcleo interno e o restante – giravam na mesma direção.

Os autores da pesquisa de Leeds não refutam que o núcleo interno seja de fato mais rápido. E o campo magnético criado pelo movimento leste-oeste do núcleo interno seria a força que move o núcleo externo no sentido oposto.

As consequências deste choque chegam até a superfície: de acordo com os cientistas, este campo geomagnético originado entre os núcleos se verifica além da superfície, e é o que nos protege da radiação solar, por exemplo. Esta nova abordagem sugere uma solução para um mistério que se arrasta desde 1692, quando o astrônomo Edmond Halley – que batizou o famoso cometa – indicou pela primeira vez que a Terra teria um campo magnético.

O estudo foi feito em um modelo da Terra no supercomputador Monte Rosa, um aparato tecnológico localizado em Lugano, na Suíça. O método geofísico, segundo os cientistas, é capaz de simular o comportamento do núcleo da Terra com uma precisão cerca de 100 vezes superior a outros modelos. [Daily Mail / University of Leeds]

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4 comentários

  • Andre Luis:

    Isto não me surpreende, não há dúvidas que o ser humano conhece muito pouco sobre o interior do nosso planeta, o pouco que sabemos com mais exatidão, provem desta fina camada que é a crosta, com o resto do inteior do planeta sendo ainda muitas vezes especulativo. Talvez esta nova teoria esta correta mesmo ou o núcleo do planeta funcione de forma totalmente diferente, basta mais tempo e estudos para comprovar.

  • Vinícius Cataldi:

    Science bitch ! Contestar um estudo só pq “não parece possível” é como não aceitar o porque da Lua não cair do céu.
    A distancia dos seus pés até o extremo centro do planeta é de 6371 km , e a crosta só varia de 30~60km. Ou seja, a crosta tem uma espessura de 0,8% ~0,9% em relação à espessura total do núcleo interno até a superfície.
    A crosta terrestre é grossa …. Mas em relação à grossura total do manto/núcleo, é quase nada, fora que é incrívelmente bem menos densa.
    A Terra tem uma força magnética monstruosa (que é mais forte em seu interior… E você não imagina o quanto) … Não duvido muito que seja capaz de rodar a “fina camada de poeira” que é nossa crosta, ao sentido contrário.
    Já ví maquinas que usam uma força magnética ridiculamente baixa, pra girar peças de metal pesadas em seu eixo em velocidades incríveis, mesmo sendo um processo demorado.
    A crosta Terrestre é uma capa de poeira, completamente leve, pouco densa, e pequena comparada ao resto de seu interior…. Não é difícil pro seu interior que é muito mais pesado, influenciar com seu magnetismo a crosta terrestre.

  • Tibulace:

    Vou fazer uma comentário, do tipo que ABOMINO, quando os vejo:ACHO que essa explicação está ERRADA!Embora tenha começado, dizendo o famigerado ACHO, é uma opinião,( de quem, EVIDENTEMENTE não é especialista no assunto )mas BASEADA nas boas e velhas leis físicas, que NÃO COSTUMAM surpreender TANTO assim:Se os movimentos REALMENTE fossem em SENTIDOS CONTRÁRIOS, como ACHAM esses cientistas, os ATRITOS entre essas camadas da Terra, GIRANDO em sentidos contrários,reduziriam, de maneira muito SENSÍVEL a VELOCIDADE DE ROTAÇÃO da crosta terrestre,em suma, a DURAÇÃO de um DIA SIDERAL, nossos instrumentos há muito, já teriam acusado o AUMENTO na duração desse dia.A menos que esses pesquisadores, digam que esses movimentos,GIGANTESCOS, em sentidos contrários, ocorrem SEM ATRITOS, o que é INCONCEBÍVEL, para mim.A coisa, do ponto de vista físico, é tão INSUSTENTÁVEL, que pergunto:Não houve ERRO de tradução?Eles disseram REALMENTE isso?

    • Clara Telis:

      Pra que tanto estardalhaço?

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