O bocejo não é “contagioso” para crianças menores de cinco anos

É impossível ver alguém bocejando, e não bocejar. Esse fenômeno misterioso, que os cientistas chamam de “bocejo contagioso”, tem intrigado pesquisadores por muito tempo.

Há décadas os cientistas sabem que o bocejo pode ser “infeccioso”, sendo incapaz de impedir que um adulto boceje se alguém estiver abrindo a boca ao seu lado. Agora, um novo estudo revelou que bebês e crianças pequenas estão imunes à “captura de bocejos” até atingirem a idade de cinco anos.

Uma pesquisa mais recente revelou que até mesmo chimpanzés e cães podem “pegar” bocejos de pessoas ao seu redor, incluindo seres humanos, mas até hoje pouco se sabe sobre o motivo pelo qual as pessoas bocejam e por que isso parece ser tão contagiante.

Os surpreendentes resultados podem ajudar os pesquisadores a entenderem melhor o fenômeno. Bebês e crianças pequenas não são propensos ao aspecto contagiante de bocejar. Em vez disso, eles só bocejam espontaneamente. A descoberta pode lançar uma nova luz sobre a forma como o cérebro humano se desenvolve à medida que os seres humanos crescem, e o que nos faz bocejar.

Em outras pesquisas, ficou provado que as pessoas que têm pontuação alta para a empatia são significativamente mais propensas a mostrar bocejo contagioso. Uma parte do cérebro que continua a se desenvolver ao longo da infância é o córtex frontal, e os lobos frontais desempenham um papel na tomada de decisão social e na capacidade de empatia.

Isso se relaciona com o desenvolvimento gradual do bocejo contagioso durante a infância. No estudo, os pesquisadores analisaram o comportamento de bocejo de 22 crianças e bebês enquanto eles assistiam vídeos de outras crianças, adultos e animais bocejando. Eles também viram suas mães bocejando. Os pesquisadores descobriram que as crianças não bocejam em resposta ao filme.

Em outro estudo, eles também descobriram que as crianças não começam a “pegar” bocejos até atingirem a idade de cinco anos, quando uma pequena percentagem de crianças começa a ser afetada.

Cada grupo de idade até os 11 anos tem uma maior proporção de pessoas que vai reagir a um vídeo de alguém bocejando. A partir dos 11 anos de idade, as crianças atingem o mesmo nível encontrado nos adultos.

A razão exata pela qual as pessoas bocejam ainda é pouco compreendida. Os cientistas acreditam que seja uma reação aos baixos níveis de oxigênio no sangue, que provoca o bocejo para encher os pulmões com ar e assim aumentar o consumo de oxigênio. A evidência científica para isso, porém, é pobre, e até mesmo a respiração de oxigênio extra não faz diferença na frequência com que uma pessoa boceja.

Outras pesquisas têm sugerido que o bocejo pode ajudar a aumentar a vigilância no cérebro, ou a resfriar o cérebro, ou a equalizar a pressão nos ouvidos. Há cada vez mais provas, no entanto, que o bocejo pode ser uma sinalização social que comunica uma mensagem.

Os antropólogos têm sugerido que o bocejo evoluiu como uma forma de significar que é hora de ir para a cama. Há ainda sugestões de que poderia ser um sinal de atração sexual, em vez de desejo de dormir.

No estudo recente, os pesquisadores sugeriram que o bocejo não é uma função primária. Quando adultos, as pessoas têm uma tendência natural para inibir o bocejo, porque ele é visto como indelicado. O bocejo contagioso pode ser apenas uma forma do cérebro ver alguém fazendo isso, e então o bocejo tornar-se aceitável. [Telegraph]

Vote: 1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars
Curta no Facebook:

6 respostas para “O bocejo não é “contagioso” para crianças menores de cinco anos”

  1. Eu tambem bocejei!
    Fazer crianças assistir filmes para estimular bocejo não é eficiente pq o cortex pré-frontal (se não estou enganado) é o responsável pela interpretação e processamento das imagens, como essa parte do cerebro ainda está em desenvolvimento é possivel q ao ver a imagem de alguem bocejando a criança não a associe ao ato de bocejar.

Deixe uma resposta