Experimento: professor de nutrição perde 12 kg comendo só porcarias

Por , em 11.04.2016

O professor de nutrição Mark Haub, da Universidade Estadual do Kansas, nos EUA, fez um experimento em 2010 no qual comeu apenas porcarias – alimentos industrializados com baixo valor nutricional – por dez semanas.

O resultado? Perdeu 12 kg. Seu objetivo era demonstrar que, para emagrecer, o que importava era a quantidade de calorias ingerida, e não necessariamente o tipo de alimento consumido.

A dieta

Em vez de refeições, Mark comeu coisas como aqueles bolinhos açucarados do tipo Ana Maria a cada três horas. Para adicionar variedade em seu fluxo constante de bolinhos industrializados, também consumiu chips do tipo Doritos, cereais açucarados e bolachas recheadas.

Dois terços da ingestão total de alimentos de Mark vinham de “junk food” ou as famosas “porcarias”. Ele também tomou um comprimido multivitamínico e bebeu um shake de proteína diariamente. Além disso, comeu legumes às vezes, como uma lata de feijão verde ou de três a quatro talos de aipo.

Mark monitorou sua composição corporal, pressão arterial, colesterol e glicose. Para conter calorias, evitou carne, cereais integrais e frutas.

Mark limitou-se a consumir menos de 1.800 calorias por dia. Um homem do seu tamanho normalmente consome cerca de 2.600 calorias por dia. Então, ele seguiu um princípio básico da perda de peso: ingerir significativamente menos calorias do que queimava.

No fim do experimento, seu índice de massa corporal foi de 28,8, considerado excesso de peso, a 24,9, o que é normal.

Mas e a saúde?

Poder-se-ia esperar que outros indicadores de saúde do professor tivessem caído. Mas isso não aconteceu.

Seu colesterol “ruim”, ou LDL, caiu 20% e seu colesterol “bom”, ou HDL, aumentou 20%. Mark também reduziu o nível de triglicerídeos, uma forma de gordura, por 39%.

“É aí que vem a parte do coçar a cabeça”, disse. “O que isso significa? Significa que eu estou saudável? Ou será que significa, da maneira como definimos a saúde do ponto de vista da biologia, que alguma coisa está errada?”.

Apesar de seu sucesso temporário, Mark não recomenda que as pessoas façam essa dieta. Perder peso é uma coisa, mas há muito que não se sabe sobre como essa dieta afeta outros campos da vida das pessoas.

“Eu não digo que esta é uma boa coisa a fazer”, explica. “Eu não posso dar uma resposta concreta. Não há informação suficiente para fazer isso”.

Caloria é o que importa

Após o experimento, a gordura corporal de Mark caiu 33,4 a 24,9%. Seu sucesso é provavelmente um resultado da redução calórica.

“É um grande lembrete para a perda de peso: são as calorias que contam”, disse Dawn Jackson Blatner, nutricionista em Chicago, Illinois (EUA). “É saudável? Isso já é outra história”.

Blatner não ficou surpresa em saber que os marcadores de saúde de Mark melhoraram mesmo comendo somente porcarias.

Excesso de peso é o problema central que leva a complicações como pressão arterial elevada, diabetes e colesterol alto. “Quando você perde peso, independentemente de como você faz isso, geralmente você vê estes marcadores melhorarem”, afirmou.

No entanto…

O que acontece é que difícil prever como ficará a saúde a longo termo da pessoa que siga tal dieta com pouco valor nutricional.

“Há coisas que não podemos medir”, disse Blatner, questionando como a falta de frutas e legumes poderia afetar a saúde a longo prazo. “Quanto é que isso afeta o risco de câncer? Não podemos medir como as mudanças de dieta afetam nossa saúde”.

Um bolinho de vez em quando

Ainda assim, o resultado dessa experiência pode animar a sociedade, visto que a realidade é que muitas pessoas consomem – e bastante – o mesmo tipo de alimento que Mark consumiu nessa dieta.

“Estes alimentos são consumidos por muitas pessoas”, disse o professor. “Pode ser uma questão de tamanho da porção e moderação ao invés de remoção total. Eu só acho que é irrealista esperar que as pessoas deixem totalmente de comer esses alimentos e os troquem por produtos hortícolas e frutas. Pode ser saudável, mas não é realista”. [CNN]

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1 comentário

  • EvandroJGC:

    Sempre achei isso. E funciona comigo.
    O negócio é a quantidade. Alimentos saudáveis acho que seriam mais pra manter o organismo… saudável.

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