Primeiros híbridos de macaco e porco nascem na China

Por , em 9.12.2019

Em um estudo inédito, pesquisadores do Laboratório de Células-Tronco e Biologia Reprodutiva (SRLab) criaram as primeiras quimeras de porco e macaco em Pequim, na China.

Dois porcos nasceram vivos contendo células de macacos, mas morreram dentro de uma semana.

O objetivo final da pesquisa é cultivar órgãos humanos em animais para transplante. Devido aos fracassos iniciais dos experimentos, no entanto, essa meta ainda está longe de ser alcançada.

Como funciona

Primeiro, a equipe liderada pelo cientista Tang Hai modificou geneticamente células de macaco para que elas ficassem fluorescentes e pudessem ser identificadas nos porcos.

Depois, coletaram células-tronco embrionárias dos macacos e as injetaram em mais de 4.000 embriões de porcos, cinco dias depois da fertilização.

Apenas dez dos porcos nasceram, sendo que dois eram quimeras. Todos morreram dentro de uma semana.

Uma vez que nenhum indivíduo sobreviveu, os pesquisadores desconfiam que o problema está no processo de fertilização in vitro, que não funciona tão bem em porcos quanto em humanos e outros animais, ao invés de nas quimeras.

As quimeras

Os porcos quiméricos tinham diversos tecidos com células de macaco, como coração, fígado, baço, pulmão e pele.

A proporção de células primatas era muito baixa, no entanto: cerca de uma em 1.000 ou uma em 10.000.

O próximo passo da equipe será tentar criar animais saudáveis com uma proporção maior de células de macaco.

Mais estudos

Outras equipes também estão trabalhando em animais híbridos com o objetivo de criar órgãos para transplante.

Em 2017, o pesquisador Juan Carlos Izpisua Belmonte, do Instituto Salk na Califórnia (EUA), criou uma quimera de porco e humano, só que com uma proporção de apenas uma célula humana a cada 100.000, por razões éticas. Os embriões também foram interrompidos antes do nascimento.

Existem preocupações de que o cérebro de animais se torne parcialmente humano, e é por isso motivo que a equipe chinesa usou macacos ao invés de humanos.

De qualquer forma, dada a eficiência quimérica extremamente baixa e a morte de todos os animais, alguns especialistas veem este tipo de pesquisa como “desencorajadora”.

O biólogo Paul Knoepfler, da Universidade da Califórnia em Davis (EUA), por exemplo, não está convencido de que será possível cultivar órgãos adequados para transplante criando quimeras humanas. “No entanto, faz sentido continuar pesquisando essa abordagem junto com outras, como a engenharia de tecidos”, resumiu. [Futurism, NewScientist]

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