Prosopagnosia: o distúrbio em que o paciente não reconhece o rosto de ninguém, nem sequer o próprio

Por , em 24.10.2012

“Pessoas que eu conheço há anos me encontram na rua mas, até que elas se apresentem, eu não faço ideia de quem são”. O relato de Victoria Wardley (à esquerda, na foto) pode soar estranho para a maioria das pessoas, mas não para sua irmã, Donna Jones (à direita): as duas sofrem de prosopagnosia, também conhecida como “cegueira para feições”.

Distúrbio relativamente raro (estima-se que atinja uma em cada 50 pessoas, ou 2% da população mundial), a prosopagnosia impede que a pessoa reconheça rostos. “É como se houvesse uma tela branca na cabeça do outro”, explica Victoria, que só foi diagnosticada há alguns anos – seu médico frequentava o lugar onde ela trabalhava e, depois de perceber que Victoria nunca o reconhecia, sugeriu que passasse por alguns exames.

“Nunca imaginei que havia algo de errado comigo, honestamente. Achava apenas que não era muito boa em me lembrar das pessoas”. A descoberta levou sua irmã a perceber que também sofria de prosopagnosia. “Sempre pensei que apenas não estava prestando atenção o bastante nas pessoas, então de certa forma foi um alívio descobrir que havia um problema”, conta Donna.

Problemas com o espelho

As irmãs não conseguem sequer reconhecer os próprios reflexos – o que levou a incidentes curiosos. Certa vez, quando trabalhava em um bar, Victoria estava levando louça para a cozinha quando “uma mulher entrou na sua frente” e ela não conseguia fazê-la sair. “Eu estava ficando tão irritada que comecei a gritar com ela – e demorei alguns minutos para perceber que estava brigando com meu reflexo”.

Donna teve uma experiência parecida. “Eu estava andando por um corredor no trabalho quando uma mulher bloqueou meu caminho. Começamos a fazer aquela estranha ‘dança’, quando você se move para um lado e a outra pessoa se move na mesma direção”. Só depois de muita “dança” é que Donna percebeu que estava tentando atravessar um espelho.

Por causa de sua condição, elas têm medo de se perder uma da outra quando saem juntas. “Nós nos perdemos em um clube noturno e passamos boa parte da noite procurando uma à outra. Tenho certeza de que nos cruzamos um milhão de vezes”, lembra Victoria. Apesar de todos os contratempos, elas enumeram pelo menos uma vantagem: quando cometem algum deslize na frente de alguém, não ficam se sentindo envergonhadas, já que nunca saberão se vão ver a pessoa de novo.

“São raros os casos em que pessoas adquiriram a condição depois de trauma neurológico, mas recentemente vimos que muito mais pessoas têm uma forma de prosopagnosia que se desenvolveu”, explica a pesquisadora Sarah Bate, da Universidade de Bournemouth (Reino Unido). Donna e Victoria passaram quase 30 anos sem saber que o que consideravam um “excesso de distração” era, na verdade, uma doença.[Daily Mail UK]

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1 comentário

  • Fernando Franco:

    Esse problema é bem sério mesmo, creio quelas nem saibam que não são irmãs! Fala sério elas não têm nada haver uma com a outra

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