Se você é péssimo(a) em relacionamentos, a culpa não é sua

Por , em 15.12.2017

Todo mundo sabe que a clássica frase “o problema não é você, sou eu” é apenas um clichê usado por quem não sabe muito bem como terminar relacionamentos. Porém, ela pode ter um fundo de verdade: o problema realmente pode não ser você, mas sim a evolução. Um novo estudo aponta que cerca de 50% das pessoas têm dificuldade para encontrar ou manter um relacionamento romântico, e os pesquisadores acreditam que isso tem a ver com a velocidade das mudanças no nosso ambiente.

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Eles perguntaram a cerca de 1.900 estudantes universitários sobre seu desempenho pessoal em namoros. Os alunos foram perguntados quão fortemente eles concordavam ou discordavam com declarações como “Eu acho difíceis os relacionamentos românticos” e “Eu acho fácil manter um relacionamento romântico”.

O estudo descobriu que cerca de 1 em cada 2 entrevistados admitiram que era difícil começar ou manter um relacionamento. Além disso, 1 em cada 5 disse terem dificuldades em iniciar e manter relacionamentos.

Essa dificuldade, segundo os autores, está relacionada à evolução da nossa espécie. “Na maioria dos casos, essas dificuldades não são devidas a algo errado, mas devido a pessoas que vivem em um ambiente muito diferente do ambiente que elas evoluíram para funcionar”, diz o autor principal, Menelaos Apostolou, professor de ciências sociais na Universidade de Nicósia, no Chipre.

Mudanças muito rápidas

Do ponto de vista evolutivo, parece contra-intuitivo que um comportamento tão importante quanto o acasalamento seja tão desafiador para tantos indivíduos. Mas os motivos podem ser enraizados em um fenômeno das ciências sociais conhecido como o “problema incompatível”, explicou Apostolou ao portal Live Science.

Ele diz que, embora os humanos sejam geralmente habilidosos para adaptar-se a novas condições, pode levar muitas gerações para alterar drasticamente nosso comportamento. Então, quando os humanos se adaptam adequadamente a um conjunto de novas condições, o ambiente ao nosso redor talvez já tenha mudado ainda mais, de maneira que não estamos completamente preparados.

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“Os avanços sociais e tecnológicos dos últimos 200 anos podem ser uma maior quantidade de mudanças do que estamos equipados para lidar”, diz Apostolou. “Há razões para acreditar que a maioria das adaptações que carregamos conosco hoje evoluiu em um ambiente onde a escolha dos parceiros era mais regulamentada – ou seja, os casamentos eram arranjados”. Os casamentos arranjados, que ainda acontecem em muitas sociedades, eram ainda mais comuns no mundo todo antes do século 18. “O ambiente mudou drasticamente e recentemente, então não tivemos tempo para nos adaptar às condições modernas”, acrescenta.

Pessoas mais tímidas, por exemplo, passaram a ter problemas com relacionamentos mais recentemente. “Ser muito introvertido e tímido não era um problema no passado, porque você não teria que encontrar uma esposa”, afirma Apostolou. “Seus pais fariam isso por você”.

Hoje, é claro, a maioria das pessoas sai com outras pessoas com base em preferências pessoais e busca seus próprios companheiros para si. “Neste contexto, a timidez social pode ser debilitante para o sucesso romântico, e não é um comportamento facilmente alterado”, aponta Apostolou.

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Com a tecnologia alterando rapidamente os rituais modernos de relacionamentos, Apostolou diz que a única maneira de combater o problema é entendê-lo melhor. “A minha opinião é que precisamos alocar os esforços de pesquisa na identificação dos mecanismos responsáveis ​​pelo mau desempenho em relacionamentos e desenvolver formas que os façam funcionar de forma mais adequada para o contexto moderno”, acredita.

Por enquanto, o pesquisador aconselha que as pessoas com dificuldades nos relacionamentos tirem conforto dos resultados do estudo. “Vocês não são os únicos”, encoraja. [Live Science]

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