Sociedades antigas usavam sacrifício humano para manter privilégios da elite: estudo

Por , em 16.04.2016

De acordo com um novo estudo, em sociedades antigas onde as hierarquias sociais estavam tomando forma, sacrifícios humanos rituais alvejam pessoas pobres, ajudando os poderosos a controlar as classes mais baixas e mantê-las em seu lugar.

“Ao usar o sacrifício humano para punir violações, desmoralizar a classe baixa e instilar o medo das elites, os poderosos eram capazes de manter e construir controle social”, disse o principal autor do estudo, Joseph Watts, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, em um comunicado.

O estudo foi publicado na revista Nature.

Prática muito antiga

Assassinatos ritualizados em nome da religião acontecem há pelo menos 5.000 anos, o que sabemos a partir de restos de sacrifícios humanos enterrados próximos a túmulos de imperadores egípcios.

“O sacrifício humano existiu nas primeiras sociedades humanas em todo o mundo (como a América do Sul, Europa, Oriente Médio e Austronésia), muito antes das culturas nessas regiões entrarem em contato umas com as outras”, disse Watts ao portal Live Science. “Isto sugere que o sacrifício humano surgiu de forma independente diversas vezes ao longo da história humana”.

A classe dominante em desenvolvimento, ansiosa para consolidar seu controle sobre os menos afortunados, é um dos motivos que provavelmente levou ao aumento dos sacrifícios humanos, conforme teoriza Watts.

Descendentes dos deuses

Os pesquisadores investigaram 93 culturas tradicionais identificadas como “austronésias” – uma família de línguas que se originou em Taiwan e se estendeu através de partes do sudeste da Ásia, Filipinas, Madagascar, Malásia e Ilhas do Pacífico.

Watts afirma que, em culturas austronésias antigas, houve uma grande quantidade de sobreposição entre a autoridade religiosa e a política, com algumas culturas reconhecendo a elite dominante como “descendente” dos deuses. “Como tal, os sistemas religiosos muitas vezes favoreciam as elites sociais e reforçavam a sua posição”, explica.

O papel da hierarquia

De que temos conhecimento, destas culturas, 40 praticavam de alguma forma o sacrifício humano, incluindo afogamento, estrangulamento, espancamento, queima de corpos, corte de corpos, esmagamento e até ser jogado de um telhado antes de ser decapitado.

Enquanto as formas de morrer variavam, as vítimas tinham algo em comum: eram tipicamente de baixo status social. Além disso, os sacrifícios eram geralmente realizados por pessoas de uma classe elevada, como um chefe ou sumo sacerdote.

Os pesquisadores também descobriram que o sacrifício humano era mais amplamente praticado em sociedades altamente estratificadas, com grandes abismos entre as classes mais baixas e os privilegiados.

Enquanto existem registros de sacrifício humano em 67% desses tipos de sociedades hierarquizadas, nas em que todos os membros tinham um status semelhante, os sacrifícios humanos eram menos comuns, aparecendo em apenas 25% das culturas igualitárias.

“Isso destaca os perigos potenciais da sobreposição religiosa e política, e como a religião pode ser usada pelas elites sociais como uma ferramenta para manter o controle social”, disse Watts. “Sacrifício humano ritual mostra o quão longe isso pode ir”. [LiveScience]

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1 comentário

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    Religiões, TODAS elas, são arautos do ATRASO:SEMPRE, que uma, QUALQUER UMA, adquire muito poder, MATA gente em nome de crenças ESTÚPIDAS.

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