Sapo “Wolverine” quebra os próprios ossos para produzir garras

Por , em 18.11.2012

Se você algum dia visitar a República dos Camarões, no oeste da África, tome cuidado com o Trichobatrachus robustus: este sapo possui garras retráteis, algo que pesquisadores consideram um (doloroso) mecanismo de defesa.

“Alguns outros sapos possuem uma espinha dorsal com projeções, mas nesse caso os ossos crescem através da pele ao invés de perfurá-la quando necessário para defesa”, explica David Blackburn, do Museu de Zoologia Comparativa da Universidade de Harvard.

As garras do T. robustus são encontradas em suas patas traseiras, dentro de uma massa de tecido conjuntivo. Um pedaço de colágeno une a ponta da garra a um pedaço de osso na pata do sapo, enquanto a outra extremidade da garra é conectada a um músculo. Blackburn e seus colegas acreditam que, quando o animal se vê sob ameaça, ele contrai esse músculo, empurrando a garra para fora da pele. Esse mecanismo é bastante peculiar entre vertebrados (e, ao contrário do que normalmente ocorre, as garras não têm uma camada de queratina).

Como só analisaram animais mortos, os pesquisadores não sabem dizer como (ou mesmo se) as garras se retraem quando não são mais necessárias. Eles acreditam que isso ocorre gradualmente, já que não há um músculo para retraí-las. “Como são anfíbios, não seria estranho se parte do ferimento se recuperasse e o tecido fosse regenerado”, diz Blackburn.

Outro detalhe curioso dessa espécie: quando cuidam de uma prole, os machos desenvolvem fios de pele e artérias com cerca de 11 cm de comprimento – acredita-se que esses fios permitam que o animal capte mais oxigênio enquanto protege a prole.

“É uma história incrível”, diz Ian Stephen, curador de herpetologia (estudo de répteis e anfíbios) da Sociedade Zoológica de Londres (Inglaterra). “Alguns sapos desenvolvem espinhos em seus dedos durante a época de procriação, mas isso é totalmente diferente”.

Para não se ferir com as garras do sapo, caçadores normalmente matam o animal usando lanças ou facões.[NewScientist, Biology Letters]

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