Segundo uma nova pesquisa, bactérias podem “cheirar”

Por , em 16.08.2010

Um novo estudo mostrou que as bactérias têm um sentido similar ao olfato. A descoberta significa que a bactéria, uma das formas mais simples de vida na Terra, possui quatro dos sentidos humanos – elas já demonstraram capacidade de reagir à luz, em analogia à vista, capacidade de alterar os genes quando confrontadas com certos materiais, em analogia ao toque e também reagem a substâncias químicas que encontram diretamente, em analogia ao paladar.

Cientistas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, mostraram que uma bactéria comumente encontrada no solo pode farejar e reagir à amônia no ar. Antes, eles acreditavam que o “olfato” era limitado a formas mais complexas de vida.

A pesquisa altera a compreensão e o controle de biofilmes – revestimentos químicos que as bactérias formam quando se juntam, e que podem causar infecções.

Já se sabia que as bactérias podiam sentir certas substâncias quando entravam em contato com elas, mas cheirar é totalmente diferente, justamente porque elas não precisam estar perto para perceber as substâncias.

As bactérias usam os seus “sentidos” normalmente para detectar produtos químicos que indiquem a presença de outras bactérias. Durante a pesquisa, os investigadores colocaram lado a lado duas culturas de bactérias. Elas estavam em cilindros contendo diferentes meios de crescimento: algumas estavam em um caldo rico de alimento que permitiu que elas se multiplicassem rapidamente, enquanto outras estavam em um meio que permitiu o crescimento de biofilmes – que pode ser iniciado se as bactérias estão em contato com a amônia.

Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que uma das culturas de bactérias isoladas começou a formar biofilmes espontaneamente, como a cultura mais próxima. A única explicação é que as bactérias sentiram a presença de amônia diretamente do ar acima da outra cultura.

Se organismos muito simples como bactérias são capazes de sentir cheiros, isso pode significar que essa capacidade evoluiu muito mais cedo do que o esperado. Segundo os pesquisadores, entender esse fenômeno vai ajudar a desenvolver novas formas de prevenção do biofilme relacionada a infecções bacterianas. [BBC]

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