Sinais de rádio rápidos e repetitivos vindo de fora da nossa galáxia são um mistério

Por , em 6.03.2016
Grupo de Galáxias (NASA/JPL-Caltech)

Grupo de galáxias (NASA/JPL-Caltech)

“Disparos rápidos de rádio” são, como o nome indica, séries curtas de ondas de rádio. Recentemente, astrônomos da Universidade Cornell detectaram um sinal desses vindo de fora da Via Láctea.

A descoberta foi feita nos arquivos de sinais captados pelo rádio-telescópio Arecibo, em Porto Rico, uma sequência de “pop-pop-pop” de 10 milisegundos, conforme foi relatado na revista científica Nature, em 2 de março.

Os disparos rápidos de rádio são um dos mistérios que os astrônomos estão quebrando a cabeça para entender. Eles são extremamente raros – só 17 foram registrados até agora, e duraram muito pouco tempo. A princípio, acreditava-se que eram o resultado de eventos exóticos, como a colisão de estrelas de nêutrons.

Novas análises apontaram que a fonte dos disparos não era destruída no processo, o que levou o pesquisador Shami Chatterjee a questionar a hipótese da colisão de estrelas.

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Arecibo – Porto Rico

A primeira detecção de um disparo rápido aconteceu em 2007, também dentro de um arquivo de dados coletados por telescópios terrestres, e foi só no ano passado que um destes foi detectado “em tempo real”.

Devido ao curto tempo que duram, descobrir a origem dos disparos é complicado. Os cientistas, entretanto, já tinham a noção de que eles vinham de locais distantes no universo.

O disparo mais recente teve sua origem determinada como sendo a 1,9 bilhões de parsecs, ou 6 bilhões de anos-luz de distância. Fora isso, nada mais se sabe.

Apesar da origem explosiva destes disparos ser colocada em xeque, pesquisadores como o professor James Cordes, também de Cornell, continuam achando que as estrelas de nêutron têm alguma participação no processo.

O motivo é muito simples: para serem detectados a distâncias tão imensas, esses disparos têm que ser o resultado de um processo extremamente energético, e existem poucas fontes possíveis para fenômenos com tanta energia. As estrela de nêutrons são uma destas possíveis fontes. [The VergeCornellNature, Eurekalert]

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