Todos alucinamos, mas de maneiras diferentes

Por , em 19.10.2015

Pesquisadores no Reino Unido têm estudado por anos como alucinações afetam nossas mentes. O tema parece um tanto subjetivo e complexo, mas depois de muita investigação, eles descobriram a resposta para uma das mais enigmáticas perguntas de todos os tempos: nós podemos acreditar em nossos olhos?

A resposta, resumidamente, é provavelmente não.

Talvez a conclusão mais significativa do relatório diz respeito a forma como o conhecimento pode influenciar os nossos pensamentos mais do que nossos sentidos em tempo real. Estes fatores podem literalmente nos fazer perder contato com a realidade, e parece que aqueles que mais sofrem de alucinações têm uma tendência de ignorar esse conhecimento prévio e as previsões que vêm com ele.

Até certo ponto, esse comportamento é bom e saudável – ele permite que você identifique um vulto negro se mexendo como sendo o gato da família antes que você, por exemplo, surte e saia correndo.

Mas, às vezes, nossos cérebros não fazem estas previsões com precisão, de modo que, de repente, as coisas podem parecer algo mais sinistro e ameaçador do que realmente são.

O autor sênior da pesquisa, Paul Fletcher, da Universidade de Cambridge, explica que ter um cérebro preditivo é muito útil porque nos torna eficientes e hábeis em criar um quadro coerente de um mundo ambíguo e complexo. Mas isso também significa que não estamos muito longe de perceber coisas que não estão realmente ali, o que é a definição de uma alucinação propriamente dita.

Como o estudo foi conduzido

A pesquisa reuniu 16 voluntários saudáveis e 18 pessoas que estavam exibindo os primeiros sinais de psicose. Elas foram expostas a uma série de imagens em preto e branco, com significados ambíguos, e tiveram que decidir se cada uma continha uma pessoa ou não.

Depois, elas foram convidadas a fazer a mesma tarefa novamente, depois de terem visto uma série de imagens completas, com cor, algumas das quais combinadas com as pretas e brancas. Veja um par de exemplo:

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Os resultados mostraram que as pessoas que já tinham sinais de psicose se saíram melhor em detectar imagens com as pessoas. Em outras palavras, seus cérebros mostraram-se mais adeptos a usar as informações das imagens completas para preencher os espaços em branco nas imagens incompletas.

Um dos pesquisadores, Naresh Subramaniam, diz que o estudo sugere que as pessoas que alucinam mais frequentemente têm mentes que estão trabalhando horas extras para dar sentido ao mundo. Isso dá margem a uma interpretação de que elas realmente seriam pessoas privilegiadas. Esses sintomas e experiências, portanto, não refletem um cérebro “quebrado”, mas sim um cérebro que está se esforçando – de uma forma muito natural – para dar sentido aos dados que recebe de forma ambígua.[sciencealert]

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