Uma praga assassina não salvaria o planeta de nós

Por , em 2.11.2014

Não é segredo para ninguém que a Terra está ficando superlotada. Já somos mais de 7 bilhões de pessoas ao redor de todo o planeta, e o número só está aumentando. A consequência óbvia é que, eventualmente, entraremos em colapso, pelo simples fato de não ter espaço físico e recursos naturais essenciais à vida para todo mundo.

Mas então o que seria necessário para desarmar essa bomba relógio de população?

Momentos trágicos, teoricamente, pedem medidas drásticas. No entanto, de acordo com um novo estudo, nem uma política de filho único mundial, nem uma praga assassina faria muita diferença – como você já pode ter mentalmente sugerido.

Temos evidências históricas para achar que a natureza se encarrega de fazer uma limpa de tempos em tempos, tais como a “Praga” da idade média, surtos de gripe suína e até o mais recente surto de ebola.

Só que não é assim que a coisa funciona. De acordo com o trabalho de Corey Bradshaw e Barry Brook, da Universidade de Adelaide, na Austrália, será preciso mais que camisinhas e micróbios para proteger o nosso planeta. As taxas de mortalidade crescentes ou falhas de fertilidade só poderiam conter o número de humanos a longo prazo, segundo eles. Então reduzir a população humana não iria funcionar como uma solução rápida para nossos problemas ambientais.

Os dois demógrafos fizeram um modelo para representar o impacto de uma população humana de mudanças extremas nas taxas de natalidade e mortalidade. E com isso eles descobriram que, mesmo se o mundo todo rapidamente estabelecesse a política do filho único, como a China já fez, os números não iriam encolher muito em tudo – ainda estaríamos perto de atuais 7,2 bilhões de pessoas no final deste século. O que é de fato alarmante.

E se uma praga misteriosamente de alastrasse pelo mundo e fizesse a limpa?

Também não daria certo. De acordo com os pesquisadores, mesmo que 2 bilhões de pessoas morressem, os modelos criados sugerem que ainda haveria cerca de 8,5 bilhões de pessoas em 2100.

Essas estimativas, que são das Nações Unidas, assumem que as taxas de natalidade na África, na Europa e na China continuariam altas, seguindo na tendência de dois filhos por mulher.

O problema é o forte impulso de altas taxas de natalidade do passado, o que sustentaria o tamanho da população, mesmo sob os cenários mais extremos de Bradshaw e Brook. O boom das últimas quatro décadas do século 20 significa que haverá uma grande geração de mulheres que vai ser fértil para as próximas décadas.

“A humanidade já excedeu a capacidade de carga do planeta”, diz Bradshaw. E com isso, a dinâmica demográfica da população humana atual certamente impede uma redução significativa para as próximas décadas. A matemática é simples e exponencial: quanto mais bebês agora, mais mulheres férteis daqui alguns anos, como falamos anteriormente.

Então é o fim?

Muita calma nessa hora. Nem todo mundo acha que a população vai continuar a aumentar desta forma. A fertilidade global caiu pela metade em uma geração para menos de 2,5 filhos por mulher, graças às tendências sociais, como educação e urbanização. Alguns pesquisadores dizem que essa queda deve proporcionar uma diminuição no número de humanos dentro de algumas décadas, mesmo tendo em conta o impulso demográfico.

Wolfgang Lutz, do Instituto Internacional para a Análise de Sistemas Aplicados de Laxenburg, na Áustria, argumentou que a população mundial poderia atingir o pico de 9,4 bilhões antes de 2070, e diminuir a 9 bilhões em 2100, sem que haja a necessidade de programas de controle populacional ou a interferência de uma grande epidemia.

Ele defende que as melhorias na educação das mulheres, em especial, tendem a reduzir as taxas de fertilidade, superando obstáculos para o uso de anticoncepcionais e diminuindo o tamanho das famílias. As projeções populacionais da ONU ignoram essa possível variável.

Estamos em um mato sem cachorro, ou existe alguma solução?

De acordo com o que sugerem os demógrafos Bradshaw e Brook, quer se trate de um declínio natural, uma política rigorosa ou uma praga desastrosa, nenhum deles seria realmente capaz de provocar uma redução populacional suficiente para resolver os problemas ambientais, como o agravamento do aquecimento global. A chave, talvez, seria educar a população a viver de forma sustentável, reduzindo o consumo que fazemos de fontes naturais. Seria o único jeito de encontrarmos um espaço saudável para todo mundo.

Dados os padrões de consumo ocidentais atuais e tecnologias que usamos, os pesquisadores sugerem que uma população sustentável seria de 1 a 2 bilhões de pessoas. Passamos dessa quota faz um certo tempo.

Essa é uma meta impossivelmente pequena, mas mostra que o problema é real. “O comportamento humano é mais importante do que o número de humano”, ressalta Lutz. “Não é apenas a contagem de cabeças que importa, mas sim o que está dentro delas”. [newscientist]

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5 comentários

  • Eder Geovanne:

    perdi as esperanças quando li esse trecho. “Não é apenas a contagem de cabeças que importa, mas sim o que está dentro delas” kk

    • Pablio Souza:

      Concordo…
      Uma população mais inteligente e consciente melhora consideravelmente a sociedade.

  • Fred Urtica:

    Acho que um vírus igual ao do livro de Dan Brown Inferno pode ajudar…..

    O negócio tb é pq estamos vivendo mais.

  • Lizzard Medeiros:

    Bom, se querem diminuir drasticamente a taxa de fertilidade, basta dar acesso à internet para mais famílas ao redor do mundo! kkkkkk

  • Cesar Grossmann:

    Educação da mulher, liberdade de escolha da mulher, e melhor distribuição de riqueza costumam baixar a taxa de fertilidade.

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