“Síndrome do prato limpo”: o que é e como te prejudica

Por , em 22.12.2018

Uma nova pesquisa da Universidade Hofstra (EUA) sugere que comer tudo que há no prato é uma atitude amplamente compartilhada em relação à comida, conhecida como “síndrome do prato limpo”.

“O conceito do ‘prato limpo’ tem muitas raízes”, observa Connie Diekman, diretora de nutrição da Universidade de Washington em St. Louis (EUA). “As crianças famintas do mundo, a falta de comida durante a Primeira ou Segunda Guerra Mundial e, é claro, o fato de que muitas pessoas não percebem que já estão satisfeitas e comem até que a comida acabe”.

Enquanto o que leva um indivíduo a “limpar seu prato” pode ser muito individual, a preocupação com tal costume é global. “Comer em excesso é um componente do nosso crescente problema de excesso de peso”, argumenta Diekman.

O problema

A pesquisa indica que o fenômeno entra em ação apenas quando uma pequena quantidade de comida é deixada no prato; um prato ainda cheio de doces parece ser muito mais fácil de resistir.

Em uma série de quatro experimentos, os cientistas descobriram repetidamente que um único item deixado no prato exercia uma tentação muito mais forte de finalizá-lo do que vários itens, fosse chocolate, amêndoas, biscoitos ou pizza.

Curiosamente, a equipe também descobriu que as pessoas muitas vezes optam por acreditar no inacreditável: que esse último doce ou porcaria é realmente bom para eles. Não importa que todo o açúcar e gordura sugiram o contrário; parte do fenômeno é alimentado pela mentira branca de que só mais esse item não vai realmente causar nenhum estrago maior do que toda refeição já causou. Só que pode.

“Essas mordidas extras podem levar ao ganho de peso ou dificultar as tentativas de perda de peso”, diz Lona Sandon, diretora do programa do departamento de nutrição clínica do Centro Médico da Universidade do Texas em Dallas (EUA). “As pessoas no negócio de nutrição e dietética estão bem conscientes da mentalidade do ‘prato limpo’. Isso é algo que eu costumava falar quando trabalhava com pessoas que queriam perder peso – fazer com que elas aceitem que não precisam comer tudo no prato”.

Como evitar?

Quanto ao que incentiva essa atitude, Sandon acredita que o ímpeto primordial por trás da “síndrome do prato limpo” é mais sobre a indulgência do que qualquer imperativo biológico mais amplo de sobrevivência.

“Tais alimentos são altamente saborosos e podem estimular o desejo de comer, especialmente quando se trata de itens com alto teor de gordura, açúcar ou sal”, explica.

Isso significa que uma “estratégia para combater isso pode ser a ingestão de alimentos com menos gordura, adição de açúcar e sal. Você raramente ouve as pessoas dizerem que precisam comer aquela porção extra de brócolis, embora estejam cheias. Mas elas farão isso com o bolo de chocolate”.

Diekman ainda aconselha a “desacelerar a alimentação”. Leva um tempo para nos sentirmos satisfeitos, e quem come muito rápido vai comer mais do que necessita. Outra estratégia é já colocar porções menores no prato.

Tudo isso, no entanto, requer autocontrole. “A consciência e a atenção plena podem ser a melhor estratégia. Dedicar um momento para perceber seus pensamentos e o que você está dizendo a si mesmo quando fica tentado a dar a última mordida, apesar de se sentir satisfeito”, recomenda Sandon.

Um artigo sobre a pesquisa será publicado na edição de fevereiro da revista científica Appetite. [Health24]

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