As mulheres podem conciliar filhos e carreira? Depende

Publicado em 5.07.2011

Uma repórter de um jornal inglês, Lisa Belikin, conduziu um novo estudo para tentar responder a uma velha questão: por que a mulher moderna se sente pressionada a escolher entre filhos ou carreira profissional, sem considerar conciliar ambas as atividades? O estudo partiu de uma pesquisa com 3.000 mulheres graduadas em universidades, entre 33 e 45 anos; metade delas não tinha filhos, o que foi tomado como um dado alarmante.

A pesquisa, voltada às mulheres britânicas, tentava entender o motivo pelo qual algumas escolhiam não ter filhos. A justificativa, de maneira geral, era a necessidade feminina de ter absoluto controle da própria vida, o que não é possível quando há filhos, segundo as pesquisadas. Elas afirmam que não se trata de egoísmo em não querer doar parte de seu tempo, mas sim da falta de vontade em ser mãe. Como elas não se sentem “maternais”, não consideram que a falta de filhos deixa um vazio em suas vidas.

Os números refletem a modernidade: a pesquisa apurou que 91% das mulheres ajudavam na renda do casal, antes de eventuais filhos, e 19% ganhavam ainda melhor que o parceiro (namorado, noivo ou marido). Diante desse panorama, algumas temiam ser demitidas com a chegada de uma criança, pois não é barato para uma empresa manter uma mulher grávida em seu quadro de funcionários. Entre as pesquisadas que nunca engravidaram, 74% se consideravam “ambiciosas”, e esse número caiu para 65% entre aquelas que já tiveram bebês.

As políticas públicas sobre mães profissionais têm dado o que falar em vários países. Na Itália, uma empresa demitiu mulheres com a alegação de que elas precisavam ficar em casa cuidando das crianças, o que gerou protestos e discussões em torno do tema. A pesquisa cita um caso da Alemanha, onde 14% das mulheres com um filho têm um emprego fora de casa, e apenas 6% o fazem tendo dois filhos.

Na Europa, atribui-se essa “tendência social” de empurrar as mães de família para fora do mercado de trabalho a estereótipos históricos. Em épocas de guerra e ditaduras durante a primeira metade do século XX, como era o caso da Alemanha, cultivou-se a imagem da mulher como a mãe que protege o lar e a família, e isso foi carregado como bagagem cultural até os dias de hoje, como mostram os números. [Jezebel]

Autor: Stephanie D’Ornelas

É estudante de jornalismo, adora um café e um bom livro. Curte ciência, arte, culturas e escrever, mesmo que sejam poesias para guardar na gaveta.

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9 Comentários

  1. E qual o problema da mulher (e homem) ficar em casa??!!!

    QUal o problema se o casal decidiu que algum deles (e na maioria das vezes é a mulher) ficar em casa e cuidar o maior patrimônio da união (casa e filhos)???!!!

    Qual o problema com estes “cientistas”???

    Quer dizer que a moda é a mulher trabalhar fora? Ficar em casa e trabalhar no lar não é “Legal”???

    Por que não fazem uma lista das desvantagens e vantagens de trabalhar no lar e na industria e escritórios para as mulhres??

    kkkkk…

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  2. Quanta besteira, sou advogada tenho um filho lindo e maravilhoso muito bem cuidado, sou casada somos muito felizes, não tenho empregada doméstica pois detesto gente de foram na minha casa que não seja visita e meu filho está com 4 anos e não o considero que atrapalhe em nada minha vida o problema no meu ponto de vista é que estamos muito preguiçosos e mal acostumados com empregadas e com facilidades, dá muito bem pra nós mesmos cuidadarmos de tudo, somos um pouco criativo onde encostamos plantamos dá coisa, nossos alimentos são muito baratos, por exemplos eu não compro almondegas kibe ou hamburgues pre prontos compro carne moida e hortelã e faço tudo fresquinho ou seja com 15 reais faço 30 almondegaas, tipo 20 hamburgueres ou mais 30 kibes pequenos deixemos a preguiça de lado!!!!

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  3. Gostava de saber porque é que as pessoas não gostaram do meu último comentário…

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  4. Se vc tem um filho tem que criar, ou deixar que a baba, vizinha, escolinha façam isso por vc! Depois não reclame se eu filho não tiver a educação que vc gostaria que tivesse. Eu trabalhava, e ainda tinha intenção de me formar na facul…pergunta agora, depois do meu filho. Só fico em casa pois, acredito que a primeira infancia é uma fase muito importante e necessita da supervisão da mãe/pai. Não da para deixar os outros fazerem isto por vc. Depois disso, a propria criança tende a ter necessidade de se socializar e coincide com a época de por no colégio. Creio que se vc não quer ter de largar tudo, planeje-se! Lembro-me que quando trabalha, ás vezes sobrava pra mim…tinha que dobrar por conta de uma colega que vivia faltando por causa do filho pequeno…e isso é bem chato! Creio que as mulheres já provaram que conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo, só não está provado ainda a eficácia e eficiência neste processo. Um lado, profissional/pessoal/familiar, estará sempre em desvantagem! Então mulheres, organizem-se! Ou cuidamos da carreira ou cuidamos da família…escolham o momento certo para abrir mão de algum desses pois, as vezes, temos de fazer concessões!

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    • “Ou cuidamos da carreira ou cuidamos da família…escolham o momento certo para abrir mão de algum desses pois, as vezes, temos de fazer concessões!”

      No seu discurso falta salientar um “detalhe” importantíssimo: o do papel do PAI! Temos de acabar de uma vez por todas com o discurso machista de que as mulheres têm de escolher entre a carreira e a maternidade. Os filhos fazem-se a dois, e por dois devem ser divididas as responsabilidades inerentes à parentalidade.

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    • É isso aí Suzana! Por que não existe essa pressão para o pai decidir entre a família ou os filhos? Conheço muitas famílias em que os filhos são muito bem educados e têm os pais presentes e com carreiras profissionais bem sucedidas. Trata-se de um equilíbrio entre a divisão de responsabilidades.

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    • Acho que vc não leu direito…Falei sobre a necessidade de supervisão “mãe/pai”

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    • Isso não é discurso machista, a mulher que amamentou o filho até os 02 anos,como eu, não poderia trocar de lugar com o marido…como ele executaria essa função? Não sou machista nem feminista, acho que algumas coisas não tem como mudar…No dia que a ciencia prover o homem da capacidade de gerar bebes aí sim, poderemos falar em igualdade nesta área! Pela falta de planejamento familiar é que muitos recem-nascidos vão parar em creche com 1 mês de vida e por aí vai…Se decidirmos pela maternidade, devemos nos doar mesmo,pois é isto que ela represente. Cuidar da família pode ser feito pela mãe ou pelo pai mas, no início até a primeira infância, sobra tudo pra gente mesmo!

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    • Eu entendo o seu ponto de vista, mas não me parece que optar apenas por um dos lados seja a solução mais equilibrada.

      A solução passa por uma maior conscencialização social, das empresas e das pessoas. Temos de exigir.

      Por exemplo, em cada x quilómetros deveria ser obrigatória a existência de infantários exclusivos para os filhos das pessoas que trabalham nessa área. Infantários esses subsidiados pelas empresas dessa região. Horários menos rígidos, que permitam aos pais ir até ao infantário dos filhos durante o dia, para poder amamentar, por exemplo.

      Quantas empresas não oferecem aos seus empregados regalias como celular, carro ou seguro de saúde? Porque não incluir no lote de regalias o acesso a um infantário gratuito durante o horário de expediente?

      Enquanto as mulheres aceitarem retirar-se da vida ativa por conta das dificuldades em conciliar filhos e carreira, nada mudará.

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