Bater nos filhos não educa, confirma a ciência

Publicado em 12.04.2012

A ciência parece bater o martelo sobre essa antiga discussão: castigos físicos não educam.

Pesquisas diversas mostram uma ligação direta entre as formas de punição e problemas na vida adulta, como depressão, ansiedade e vícios.

Para chegar a essa conclusão, os métodos mais utilizados por esses estudos foram os prospectivos, em que crianças com níveis de agressão são analisadas e, posteriormente, observadas, com base na progressão do comportamento.

Um dos estudos que se destaca é o dos canadenses Ron Ensom e Joan Durrant, da Universidade de Manitoba e do Hospital Infantil de Eastern Ontario, respectivamente. Os cientistas analisaram 36 mil pessoas durante 20 anos. Conclusão: nenhuma punição física tem efeito positivo – a maior parte tem, na verdade, efeitos negativos.

No que diz respeito às palmadas, os melhores estudos foram feitos nos Estados Unidos e indicam o que todos já sabem: que as crianças menores – de dois a cinco anos – são as que mais sofrem tais castigos. “Nos EUA, quase todas as crianças da pré-escola levaram palmada”, conta Ensom. “Provavelmente porque são ativas e inquisitivas, e têm compreensão limitada de perigo ou das necessidades dos outros”.

A opção correta seria, então, utilizar da disciplina positiva, que é o uso da autoridade, mas sem violência. Segundo George Holden, da Universidade Metodista do Sul, em Dallas, Texas, nos EUA, bater na criança só a ensina a usar a agressão. “Alguns pais batem em crianças mais velhas, talvez 10%, e alguns continuam a usar o castigo corporal em adolescentes”, explica Holden.

Quem apanha mais?

O brasileiro apanha muito na infância ou na adolescência, mas os americanos apanham mais, segundo pesquisa de 2010, realizada com 4.025 pessoas com mais de 16 anos em 11 capitais do país.

Ela revelou que 70,5% sofreram alguma forma de castigo físico quando jovens. Nos EUA, a porcentagem passa dos 90% – e fica em torno dos 10% na Suécia, segundo o cientista social Renato Alves, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP).

O tema é polêmico e diz respeito não só à área dos direitos individuais mas também da intromissão do Estado na vida privada. Existem pais que defendem o direito de disciplinarem seus filhos da maneira que bem entenderem. Mas defensores dos direitos humanos não sustentam de completo essa atitude. E, claro, há o fato de o Brasil ser signatário da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança.

Dos brasileiros que afirmaram ter apanhado, 42% dizem ter apanhado pouco e 11,4% levavam tapa quase todos os dias. O mais comum era levar palmada (40,1%), apanhar de chinelo (54,4%) ou de cinto (47,3%). Só uma minoria corria riscos maiores ao apanhar de pau ou objetos semelhantes (12,2%). Os percentuais passam de 100% porque os pais variavam a forma de castigar seus pupilos. [Folha, Foto]

Autor: Luan Galani

é jornalista. Entusiasta da Teoria-M, é um rato de biblioteca apaixonado pelo que a ciência pode nos proporcionar. Nas horas vagas, é um amante inveterado de música erudita, que pede perdão aos russos por ainda considerar Mozart a grande lenda.

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66 Comentários

  1. Amo demais meu filho, mas tenho consciência de que umas palmadinhas são necessárias para o bem dele. Eu sou louca por ele e quero que ele seja um adulto descente e não um monstrinho de gente, como muitos adultos que conheço que não foram educados pelos seus pais.

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    • Mas agredir uma criança indefesa não implica em educar a mesma. E uma criança que não foi agredida não quer dizer que não foi educada. Ou será que só tem uma forma de educar uma criança, agredindo física e psicologicamente ela?

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  2. É interessante, a pesquisa mostra que a violência na infância está ligada com problemas de drogas e alcoolismo na vida adulta, e mesmo assim tem gente que acha que vale a pena agredir os filhos.

    Quem precisa apelar para a agressão e a violência para ensinar o seu filho está falhando em uma coisa muito importante: o exemplo. É o exemplo que ensina, e muito. As crianças nascem com o desejo de aprender dos pais, o desejo de copiar seu comportamento. Basta saber aproveitar esta fase, ensinar de fato a criança (e isto implica em fazer uma coisa que pouca gente parece saber, que é gastar seu tempo e ter convivência com seu filho, mas convivência COM QUALIDADE, ficar todo mundo quieto na frente da TV assistindo a novela não conta), que ela não vai se desviar deste caminho quando chegar à idade adulta.

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  3. Não educa!Ensinar o filho é uma coisa e mostrar p ele q a violência é o caminho do aprendizado é despertar no mesmo o desejo de fazer o mesmo com os outros qnd nao for escutado ou atendido,por isso q o mundo ta cheio de violência.

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  4. Minha experiencia( pois sou pai), não desreipeitando ninguem, mas acredito que a maioria não seja pai ou mae aki, é muito facil moralistas falarem, “bater não adianta”, mas quero ver quando O SEU FILHO tiver dando na tua cara, isso mesmo…tenho um amigo( um conhecido na verdade), sua mae viuva, dava pra ele oque ele quisesse, me lembro de uma coleção de bonecos que ele tinha( gi joe, cavalheiros do zodíaco e outros da minha época), por fraqueza no caráter( por que será…), ele na adolescencia se meteu com drogas, furtos, agressoes( na maioria das vezes contra a própria mae), nunca apanhou pois sua mae nem conseguia bater nele, por outro lado eu, não vou dizer que nunca apanhei, mas dá pra contar nos dedos de UMA MÃO SÓ, sou honesto( o popular otário…aquele que acha uma carteira e devolve com tudo dentro pro dono), respeito pai e mae e os amo, e crio meu filho com esse conceito, mas hoje com quatro anos ele é muito esperto e agitado, vezes por outra já dei umas “boas palmadas”, nem sempre me orgulho disso, pois fico arrasado depois( quase choro), penso se fiz certo…mas uma coisa é certa, ele me ama e é muito mais apegado a mim do que a mae dele, essa que bate mais, bem mais doque eu( oque já foi o catalizador de inúmeras brigas…), acredito na palmada( não no espancamento, deixando hematomas e ferimentos fisicos e ou psicológicos), pois se quando os limites forem rompidos, não os conduzirmos de volta, a policia e os bandidos farão isso, e sem delicadeza concerteza, um forte abraço, e peço desculpas se ofendi alguem…bend’s up e rock on!!!!!!

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  5. Em acréscimo, vale ressaltar aqui o ditado popular: “Se pai e mãe não ensinam, o mundo ensina”, só que o mundo não ensina com amor. É preferível que uma criança ou adolescente leve algumas palmadas ou chineladas, a que se torne um adulto rebelde, intolerante, arrogante, provocador e, em vez de chineladas, tome um tiro na cara.

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    • Com certeza as palmadas/chineladas/cintadas serão dadas pelos pais com muito amor.

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  6. Espancamento não educa, pois consiste em crueldade, e é praticado sob a ação da raiva. Porém a toda criança devem impor-se limites, e quando a criança não se submete ela deverá sofrer algum tipo de punição, que pode ser um simples castigo tipo ficar sentado em um canto durante um certo período de tempo, ter suprimidas algumas de suas regalias, como p. ex. não assistir TV, não usar o computador, não passear no final de semana, etc. Em alguns casos o castigo físico é necessário e não prejudica. Claro que catigo físico não é, como disse acima, espancamento, mas algumas palmadas ou chineladas em lugar que não causem lesões. A intenção não é ferir, mas impor a autoridade dos pais, que nunca devem proceder sob o impulso da raiva.
    Em crianças pequenas deve-se evitar mesmo as palmadas, mas como a uma criança pequena não se pode cortar o uso do celular ou do computador, pois nem todas possuem um, outros castigos são necessários, sempre visando a imposição de limites e da autoridade paterna, incluindo aí as palmadas, que nunca fizeram mal nenhum.
    Eu, pessoalmente, conheço pessoas que sofreram corretivos às vezes severos na infância, mas que se tornaram adultos normais e que por sua vez constituíram famílias normais. Esse tipo de estudo referido na matéria na verdade é falacioso, pois analisa um adulto como ele se apresenta hoje, mas que nada pode dizer de como ele seria se tivesse tido uma educação diferente. Enfim, são pseudo-cientistas perdendo tempo com besteiras.

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  7. Com todo o respeito, mas o artigo não mostrou o mais importante: qual o embasamento para tais conclusões sobre palmadas. Geralmente o que vemos, e que foi muito bem comentado por alguns, são “especialistas” utilizando pesquisas científicas para conclusões não-científicas. Associam o fato de haver pessoas prejudicadas por agressões feitas pelos pais a um suposto efeito negativo de qualquer tipo de intervenção física. Desconsideram maneiras de utilizar, costumes e idéias alimentadas e transmitidas pelos pais, hostilidade, etc. Hoje o que vemos são crianças e adolescentes que se julgam “os intocáveis” e, de um dia para o outro, descobrem que um ano a mais os obriga a coisas para as quais simplesmente não estavam preparados. Óbvio que palmadas não devem ser regra, e quase todos já sabem disso. Mas aí resolve-se “demonizar” qualquer coisa diferente do que se propõe como “a educação”. Utilizam-se depoimentos como: nunca bati, nunca apanhei, etc. Isto não é tratar do assunto cientificamente, e já que este é o objetivo, por que utilizar-se da opinião de estudiosos sobre um estudo como se fosse um fato comprovado pelo estudo? Pessoas que comem banana apresentam depressão (como se tudo o mais já pudesse ser excluído): não comam banana! Isto é utilizar pesquisas científicas para conclusões sem embasamento científico. O problema é que muitos aceitam sem questionar, pois basta dizer que há uma pesquisa sobre algo que se deduz que a conclusão terá respaldo.

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    • As pesquisas foram feitas, como escrito no texto, com base em pessoas “com níveis de agressão” e na progressao de comportamento delas. O que significa que tanto aqueles que apanharam pouco, como os que apanharam muito e os que nao apanharam foram analisados, e em resultados concretos e numéricos, a influencia da agressqao, mesmo que leve, nao trouxe bem algum. A sabedoria popular adora dizer que conhece pessoas que apanharam muito mais que qas criancas de hoje e sao homens honestos (o que é um raciocínio horrível, já que efeitos assim só podem ser medidos em escalas maiores, que é esses estudos vem fazendo) ou que “se nao apanhar agora vai apanhar depois da policia ou bla bla bla. Mas olhando friamente a chance de uma pessoa que sofreu castigos corporais se tornar um criminoso é estatisticamente maior, e nao menor, entao esse suposto bem que a palmada faz é apenas falácia, já que nao existem estudos sérios que comprovem esses tao divulgados efeitos positivos que seriam oriundos dela. Nesse link aqui existe uma descricao muito boa sobre os efeitos que veem do castigo físico a criancas: http://www.naturalchild.org/jan_hunt/tenreasons.html

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  8. Na minha infância eu apanhava dia sim, dia também da minha mãe… e nem por isso eu a obedecia… muito pelo contrário: eu a enfrentava dizendo “que nem doeu”… kkkkkk…
    Em contrapartida, meu pai nunca encostou um dedo em mim, mas só bastava que ele me olhasse que eu já entendia que ele estava bem irritado… e eu o obedecia.
    Hj tenho uma filha e posso dizer: cara, é foda cuidar de criança…
    Realmente tem horas que dá vontade de sentar o chinelo… kkkkk… mas eu, assim como meu pai, não sou idiota em achar que batendo a criança vai lhe obedecer e ser mais educada.
    Acredito que há outros meios de educar menos agressivas…
    Uma delas é deixando-as de castigo: sem brincar, sem ver televisão… ou sentada no sofá para que ela pense no que fez.

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  9. Eu educo meu filho, não o assusto.
    Eu amo meu filho, e ele a mim.
    As vezes quer me fazer de cavalinho
    Mas como com reumatismo. heheh

    Meu filho já sonha,
    Disse que vai ser engenheiro mecânico
    Para que eu possa dar um voltinha
    no seu carro inventado
    Mas que coisa lindinha

    Meu pai já morreu, foi tarde
    No velório não fui
    Do estranho que se tornou.
    Também quando tempo já não o via.
    Porque algo sentiria?,
    Nada quis, nem o testamento li.
    Nenhuma lágrima de mim arrangou,
    Ja estavam secas
    De tanto que ele me fez chorar
    Chorar de dor, de ódio.

    De tanto apanhar de meus pais
    Malditos cristãos,
    Comecei a aprender a lutar
    Eis que um dia não suportando mais,
    Revidei,
    Queimei a bíblia e
    Fui expulso

    Com quinze anos,estava na rua
    Mas não dormi nas ruas,
    pois ao invés de estudar bíblias
    eu aprendia matemática e
    e em troca de estadia, ensinava matemática.
    Depois varria pátios, lavava carros,
    Descarreguei peixe na beira de porto,
    Mas em nenhum tipo de Deus me pendurei
    Não fazia sentido, afinal havia fósseis
    Fósseis de dinossauros de milhões de anos
    Onde o homem ainda não existia.
    Que fantasia é essa de adão e eva. bah

    Uma criança que foi um dia espancada,
    Tem de si, seus sentimentos arrancados
    E demora para que estes floresçam
    Mesmo que tenha sorte
    E encontre quem as ame de verdade
    Custa a elas revidar o amor.

    Mas se alguém tenta ensinar cristianismo
    ao meu filho,
    É com prazer que eu ofereço um cafezinho,
    um paozinho feito em casa e daí
    vou logo fazendo perguntinha aqui,
    Perguntinha alí, dando uma expremidinha acolá
    e mostro ao meu filho que a pessoa não passa
    de um mané ignorante e iludido.

    Está ai, não morri, nem precisei de mais espancamentos
    para me tornar o que sou hoje, e eu gosto
    de mim hoje, tenho quem me afaga e a quem afagar.

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  10. Quem acha que é impossível criar um filho sem bater, é só assistir “Supernanny” no SBT. Nesse programa, a educadora Cris Poli já mostrou diversas vezes ser perfeitamente possível colocar uma criança na linha sem precisar encostar um dedo nela. Talvez isso seja um pouco difícil pra quem não é educador, mas por que resolveu ter filhos então? Se não sabe educar é melhor não ter. Agora, se você quer mesmo bater, arrume um saco de pancadas, daqueles dos lutadores de boxe, pra poder descontar todas as suas mágoas e frustrações de uma forma bem mais apropriada.

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    • Credo que horror,
      nunca apanhei, só levei uma palmadinha e foi quando eu tinha 3 anos e apesar disso sou do tipo que praticamente não da trabalho. Tenho 17 anos e experimentei alcool em duas ocasioes e apenas com a conversa da minha mae nunca mais botei uma gota de alcool na boca, com cigarro a mesma coisa e drogas nunca cheguei perto. Não saio por ai, não roubo, não quebro as coisas, nunca repeti de ano e respeito os mais velhos e nunca levei nenhuma surra e minha mãe me respeita e muito, acho que é isso o que faz eu ter mais vontade de respeitar ela.
      Sei lá, tem criança que dá vontade de bater mesmo, mas isso é pra mim que não tenho a paciencia da minha mãe. Acho que é um conjunto de atitudes que vc tem que ter na hora de falar com a sua criança que faz com que dê certo. Enfim, é isso…

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  11. Pode não educar, mas com certeza cria pessoas mais fortes nas rivalidades.
    O mundão tá enchendo de “florzinhas mimadas” protegidas por leis. Se um dia houver uma guerra, haja armamento rosa para atender a demanda.

    Alias, isso é uma tática de guerrilha… enfraquecer o inimigo para poder domina-lo.
    Fico imaginando o que aconteceria com essa geração fiuki numa frente de batalha: será que sairiam correndo ou agarrariam os soldados?.

    Tomara que o Brasil nunca entre em guerra pois não terá reservistas para defender o País. Muitos revindicarão direitos de “do lar”. kkkkkk.

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  12. Estes estudos são mt úteis! Creio que os comportamentos do ser humano são resultado de seus anseios e frustrações. O proplema está em sua formação familiar, na didática violenta ou carinhosa empregada e conjuntamente da personalidade compreenciva ou teimosa do individuo em formação. Baixa escolaridade, renda insuficiênte, ausência do Estado, miséria e drogas, são fatores fermentadores do comportamento social. Créio que a violencia foi necessária nos tempos dos brutos pois eram os “fortes” que dominavam e eramos desta forma ensinados…. Mas estamos vivendo tempos melhores, em que os direitos passam a ser considerados como ponto fundamental nas relações sociais. Da mesma forma devemos evoluir para o Amor que educa e corrige com carinho, embora a violencia esteja muito presente em nós pois a palmada deve vir explicado ao filho como a última alternmativa.

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  13. independente de bate ou não, se o o sujeito já tive a índole má , vai ser mal mesmo e se não tive isso não vai influencia em nada, na vida sempre apanhei da minha vó, pai e mãe, e nem pro isso nunca fez mal a ninguém, não mate nem roubei nada de ninguém.

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