Medo do crime? Bom para você!

Conforme as grandes cidades vão ficando mais lotadas, o crime aumenta e o medo das pessoas também. Mas será que isso é bom ou ruim?

De acordo com um estudo realizado por um criminologista da Universidade de Michigan (EUA), Chris Melde, um medo saudável do crime é, na verdade, uma coisa boa.

A pesquisa sugere que adolescentes que têm mais medo do crime são menos propensos a se tornarem vítimas e agressores de atos violentos. Essencialmente, os jovens com medo tendem a evitar pessoas, locais e atividades potencialmente perigosas como festas movidas a drogas.

Em vez de tentar reduzir esse medo, Melde acredita que os aplicadores da lei, como policiais, devem se concentrar em iniciativas de combate ao crime diretas e em fornecer detalhes sobre onde e quando os crimes têm maior probabilidade de ocorrer, para que os cidadãos se tornem mais bem informados sobre as questões que afetam suas atividades e segurança rotineiras.

“Se queremos reduzir a criminalidade e a vitimização, devemos apresentar uma avaliação precisa da criminalidade e delinquência em diferentes áreas para as pessoas”, disse Melde. “As políticas destinadas a reduzir o medo provavelmente não são estratégias eficazes de redução da criminalidade”.

O estudo

Melde analisou mais de 1.600 jovens de todos os Estados Unidos durante o período de um ano. Ele constatou que os entrevistados que relataram ter mais medo eram menos propensos a se envolver em atos violentos, como assaltos, roubos e brigas de gangues.

Curiosamente, os resultados foram iguais tanto para vítimas quanto para agressores. Isso porque os dois tipos muitas vezes vêm do mesmo grupo de pessoas, o que é chamado de “sobreposição vítima-infrator”.

Ou seja, o que a pesquisa mostra é que tanto vítimas quanto agressores têm menos medo do crime. Os que têm medo se envolvem menos nesse tipo de situação, provavelmente porque se mantêm mais longe de aéreas com alto crime, por exemplo.

Vale lembrar que esses resultados referem-se a situações que as pessoas podem evitar, não aos tipos de vitimização que lidam com o poder de uma pessoa sobre outra, como abuso infantil e violência doméstica.

“Nós devemos deixar o medo existir como uma resposta natural ao crime, a menos que ele atinja um nível crônico ou se torne uma fobia”, argumenta Melde. “Daí é melhor intervir”. [Phys]

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