A misteriosa espécie humana que viveu em uma pequena ilha asiática 700.000 anos atrás

Mandíbula ancestral
Mandíbula ancestral

Você já deve ter ouvido falar do misterioso Homo floresiensis, também conhecido como “hobbit”. Esse hominídeo de apenas um metro de altura descoberto na Ilha de Flores é o centro de um debate longo sobre quem de fato viveu nesta ilha asiática milhares de anos atrás.

O único crânio que tinha sido encontrado até agora tem o tamanho do de um chimpanzé. Pelo local onde foi originalmente descoberto – um abrigo rochoso chamado Liang Bua -, estimava-se que o hominídeo viveu na Ilha de Flores entre 190.000 e 50.000 anos atrás.

Logo, a partir de este único exemplar, surgiram algumas hipóteses sobre a origem da espécie.

Uma delas é de que o apelidado “hobbit” tenha evoluído de uma pequena espécie de hominídeo como H. habilis ou o mais primitivo Australopithecus, até agora conhecido apenas a partir de fósseis na África.

Outra é que um grupo de hominídeos fisicamente maiores – H. erectus – chegou à Ilha de Flores cerca de 1 milhão de anos atrás e acabou encolhendo devido à falta de predadores e recursos escassos, um processo chamado de nanismo insular.

Uma terceira opção, defendida por um pequeno grupo de pesquisadores, é que o hobbit é apenas um membro menor da nossa própria espécie, com o crânio pequeno encontrado sendo o resultado de uma doença.

Novas evidências

Agora, novos restos da possível espécie foram descobertos – seis dentes, um fragmento de maxilar e um pequeno pedaço de crânio.

A questão ainda não está resolvida, mas Yousuke Kaifu, do Museu Nacional da Natureza e da Ciência de Tóquio, no Japão, e seus colegas acreditam que as novas evidências apoiam a teoria do H. erectus que encolheu por viver na ilha.

Os fósseis – muito mais velhos, de 700.000 anos de idade – foram coletados em Mata Menge, na Bacia de So’a, na Ilha das Flores, que era uma savana como a africana na época.

Os dois locais onde ossos "hobbit" foram encontrados
Os dois locais onde ossos “hobbit” foram encontrados

As semelhanças com o “hobbit” anteriormente descoberto são impressionantes. Em particular, o maxilar, que a equipe diz que pertencia a um adulto, pois o dente do siso já havia nascido, é tão pequeno quanto seu equivalente hobbit.

Parentes?

Se os fósseis são, de fato, os membros mais velhos da pequena linhagem hobbit, então Flores parece ter sido seu lar por centenas de milhares de anos. Isso significa que o hobbit tem uma história evolutiva muito mais profunda do que pensávamos.

Ferramentas encontradas ao lado dos novos ossos são muito semelhantes às que foram recuperadas em Liang Bua. Isto sugere que esses hominídeos se comportaram de forma semelhante por centenas de milhares de anos – embora haja algumas diferenças, como aponta Adam Brumm, da Universidade de Griffith, em Queensland, na Austrália.

Em particular, os hobbits de Liang Bua usavam ferramentas para cortar carcaças de animais, mas não havia sinais de carnificina de animais na Bacia de So’a, o que pode significar que os hobbits de lá viviam principalmente de alimentos de origem vegetal.

Teoria do nanismo insular

A equipe de Kaifu afirma que o novo osso maxilar tem a forma caracteristicamente fina e vertical do H. erectus, em oposição à forma mais espessa, ligeiramente curvada, típica do H. habilis.

Mas nem todo mundo está convencido ainda. Dado que o hominídeo de So’a já estava na ilha 700.000 anos atrás, e que o H. erectus não chegou a ilhas vizinhas até cerca de 1,2 milhões de anos atrás, a espécie teria tido apenas cerca de 100.000 anos para encolher talvez 70 centímetros, e seu cérebro adulto perder cerca de metade do seu volume. Não existe ainda nenhuma evidência fóssil deste processo dramático em ação.

Mas redução dramática no corpo e tamanho do cérebro poderia, em princípio, ter acontecido em tão pouco tempo, segundo Stephen Montgomery, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que tem estudado nanismo evolutivo em outros primatas.

Outro argumento contra a hipótese do nanismo em H. erectus é que outras partes do esqueleto hobbit se parecem notavelmente com o H. habilis.

Aida Gomez-Robles, da Universidade George Washington (EUA), fez uma nova sugestão que poderia explicar o achado: talvez os poucos indivíduos H. erectus que chegaram a Flores tinham esqueletos excepcionalmente primitivos. “Não podemos descartar a possibilidade de que os ancestrais diretos do H. floresiensis não eram os representantes mais típicos de suas espécies”, disse.

Busca por mais provas

Alguns pesquisadores, como Robert Martin do Museu Field, em Chicago, EUA, pensam que precisamos de descobrir um segundo crânio antes que possamos aceitar a ideia que o hobbit é sequer uma espécie distinta. “O novo fragmento de crânio é muito pequeno para ser informativo”, argumentou.

Com tantas ideias ainda a ser exploradas e testadas, a caça agora é por mais hobbits na Bacia de So’a.

Caso a descoberta de mais esqueletos de fato aconteça, poderemos entender melhor a origem destes ossos. Talvez nos deparemos com uma migração de humanos para fora da África ainda desconhecida, que tenha ocorrido tão cedo quanto 2 milhões de anos atrás. [NewScientist]

Por: Natasha RomanzotiEm: 12.06.2016 | Em História, Principal  | Tags: , ,  
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