Por quanto tempo você sobreviveria com autocanibalismo?

Muitos de nós já ouviram histórias de pessoas que sobreviveram a desastres e tiveram de recorrer a atitudes extremas, como canibalismo, para não morrer de fome enquanto aguardavam resgate. O internauta Rob Faraone imaginou uma situação um pouco diferente: se uma pessoa tivesse de comer partes de seu corpo, por quanto tempo sobreviveria?

A convite do site The Naked Scientists, o estudante de medicina Louise Anthony deu uma resposta a Faraone – e, como você lerá a seguir, as coisas são mais complicadas do que parecem.

“Primeiramente”, escreve Anthony, “assumimos que a cirurgia e as possíveis infecções não matariam a pessoa, e vamos ignorar a enorme quantidade de energia necessária para se recuperar desse tipo de ferimento”. Também seria preciso supor que a pessoa poderia preservar os órgãos para consumo e que teria uma maneira bastante criativa de se alimentar, já que eventualmente comeria os próprios braços.

Quanta “carne” estaria disponível para o consumo? De acordo com cálculos feitos pela NASA tomando como base um adulto com 82,5 kg, braços e pernas correspondem a 40% da massa corporal – cerca de 32 kg, no caso.

Como pouco se sabe sobre o valor nutricional da carne humana, é preciso pegar outro parâmetro para calcular a quantidade de energia disponível nesses 32 kg. “Nesse caso, nós usamos bife de porco cru, que (…) oferece 213 kilocalorias a cada 100 gramas. Isso significa que nossos 32 kg de partes poderiam oferecer impressionantes 68 mil kcal”.

Usando estimativas feitas pela Organização Mundial da Saúde e considerando que uma pessoa sem braços e pernas teria um gasto energético menor – cerca de 1.750 kcal/dia –, Anthony estimou que a pessoa poderia sobreviver por 39 dias. Como a remoção dos dois braços exigiria a ajuda de alguém, o mais provável é que a pessoa servisse de alimento para o outro, e não para si mesma, mas aí já é outra história.[io9, The Naked Scientists]

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9 respostas para “Por quanto tempo você sobreviveria com autocanibalismo?”

  1. Comer outra pessoa até que poderia ser uma opção em situações extremas, mas praticar autocanibalismo seria impossível como o amigo abaixo comentou, nosso cérebro não deixaria.

  2. Ok, a pessoa, como única opção de sobrevivência, irá comer pedaços de si própria. Pra mim isso não daria certo… Vamos por partes:

    – Tirando AQUELA hora em que a adrenalina está a mil, arrancar a carne do próprio corpo se tornaria uma tarefa inimaginavelmente dolorosa; o cérebro impediria tal ato (ele é programado para coisas assim);
    – Caso ela quebre esse obstáculo e consiga arrancar uma mordida, a ferida irá sangrar, e muito! Vai morrer de hemorragia;
    – Conforme os dias forem passando, o local das mordidas mais antigas entrará em processo de infecção e necrose. Ignorando a própria infecção como causa da morte: que tipo de estômago vai aguentar um monte de carne podre e purulenta?! Intoxicação alimentar na certa.

    “Assumimos que a cirurgia e as possíveis infecções não matariam a pessoa, e vamos ignorar a enorme quantidade de energia necessária para se recuperar desse tipo de ferimento”, disse o pesquisador…
    Seria a mesma coisa que fazer uma pesquisa sobre viver em Marte, assumindo que “a pessoa não precisaria de oxigênio no espaço, nem de comida, nem de uma temperatura razoável para sobrevivência, ou de proteção contra a radiação do espaço”…

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