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Renas do Ártico conseguem enxergar luzes ultra-violeta

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Por em 29.05.2011 as 15:30

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De acordo com pesquisa realizada por uma equipe internacional, as renas típicas do Ártico podem ver além do espectro da luz “visível”, na região ultra-violeta. Testes mostram que as renas realmente respondem aos estímulos UV, ao contrário dos humanos.

A habilidade incomum lhes permite encontrar alimento e fugir de predadores na atmosfera rica em raios UV do Ártico. Além disso, as renas conseguem manter uma boa visibilidade mesmo em condições de pouca luz.

A luz ultravioleta é invisível para os seres humanos. Seu comprimento de onda é mais curto – e possui mais energia – que a luz “visível”, variando de 10 a 400 nanômetros de comprimento de onda.

Os investigadores verificaram que a luz UV de um comprimento de onda é capaz de passar através do cristalino e da córnea do olho das renas.

Para provar que os animais podiam realmente “enxergar” a luz, um teste foi aplicado para avaliar a resposta elétrica à luz ultravioleta da retina de renas anestesiadas.

“Nós usamos o exame chamado de eletrorretinograma, em que observamos a resposta elétrica à luz pela retina, colocando um pequeno pedaço de folha de ouro no interior da pálpebra”, explica Glen Jeffery, co-autor do estudo e professor da Universidade College London.

Os testes mostraram que as células fotorreceptoras, ou “cones”, situadas na retina, respondem à luz UV.

E isso traz implicações práticas para os animais. O líquen, de que as renas se alimentam, se torna mais preto porque absorve a luz UV. Os lobos, predadores tradicionais das renas, também parecem mais escuros contra a neve, já que sua pele absorve a luz ultravioleta.

A urina presente na neve também fica ainda mais perceptível com a visão UV, o que beneficia os animais alertando-os para o cheiro de predadores ou de outra renas.

As renas não parecem sofrer de qualquer dano em decorrência de sua visão UV, dizem os pesquisadores, nem da “cegueira da neve”, problema que os seres humanos podem experimentar no ambiente rico em UV do Ártico.

O professor Lars Chittka, da Universidade Queen Mary de Londres, Inglaterra, estuda as habilidades de visão UV das abelhas e ressalta que o estudo comprova que aquilo que nós chamamos de espectro “visível” da luz não se aplica à maioria do reino animal.

“Essa é mais uma prova de que a sensibilidade UV entre os animais é regra, e não exceção. Os seres humanos e outros mamíferos são realmente uma minoria por não terem sensibilidade UV”, explica.

A mesma equipe de investigação que efetuou a pesquisa com as renas vai em breve repetir os mesmos experimentos em focas para ver se elas também compartilham do mesmo poder de visão UV. Jeffery acredita que há uma boa chance de que muitos animais árticos também tenham a capacidade. “Não há nenhuma evidência de que as raposas do Ártico ou os ursos polares sofram de cegueira da neve, então eu aposto que a maioria dos animais do Árctico também possam enxergar UV”.[BBC]

Bruno Calzavara é estudante do 4o ano de Jornalismo na Universidade Federal do Parana, mas não vai se formar neste ano. Está fazendo intercâmbio na Universidade de Pisa, na Itália. Volta em agosto. Já trabalhou em vários campos jornalísticos e agora lida com o mundo fascinante dos textos científicos de HypeScience. É dono de um blog de viagem.

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