Você mataria uma pessoa para salvar cinco?

Publicado em 16.02.2012

Um trem está indo em direção e há cinco pessoas que não poderiam escapar e só você está perto o suficiente para fazer qualquer coisa. Você pode redirecionar o trem para uma faixa diferente, com apenas uma pessoa ao longo do percurso.

Recententemente, uma equipe de pesquisadores da Universidade do Estado de Michigan, EUA, colocou os participantes em um ambiente 3D e ofereceu a possibilidade de matar uma pessoa para salvar cinco (em um cenário digital bem realístico). Os resultados do dilema moral? O esperado: 90% dos participantes redirecionaram o trem, afirmando que se sentiram seguras em mudar a direção e matar uma pessoa, sabendo que outras vidas seriam salvas, mesmo que sejam contra matar.

O psicólogo evolucionista David Carlos Navarrete acredita que há uma questão ainda mais profunda que pode ser explorada com essa situação, um dilema moral que os filósofos têm contemplado durante décadas. Esta é a primeira vez que o dilema foi colocado como um experimento comportamental em um ambiente virtual.

Os participantes da pesquisa foram apresentados a uma versão 3D simulando um dilema clássico, apesar de ser um dispositivo montado na cabeça. Sensores foram anexados ao seu alcance para monitorar a excitação emocional.

No mundo virtual, cada participante foi colocado em um ponto da ferroria, onde havia uma bifurcação dos trilhos. Mais à frente e à direita, foram colocadas cinco pessoas próximas a um barranco, que impedia sua fuga. No outro lado, havia uma única pessoa na mesma situação que as demais.

À medida que o vagão se aproximava no horizonte, os participantes da pesquisa poderiam fazer alguma coisa ou não fazer nada – deixando o vagão cheio de carvão permanecer no percurso e matar as cinco pessoas – ou puxar um interruptor (neste caso, um controle) e redirecionar o vagão para a faixa ocupada por apenas uma pessoa.

Dos 147 participantes, 133 (90,5%) apertaram o controle para desviar o vagão, resultando na morte de uma pessoa virtual. 14 participantes permitiram que o vagão matasse as cinco pessoas (11 participantes não apertaram o controle, enquanto três o apertaram, mas depois mudaram de ideia e o deixaram na posição inicial). O estudo também descobriu que os participantes que não apertaram o controle estavam mais emocionalmente alterados. As razões para isso são desconhecidas, embora possa ser porque algumas pessoas congelam durante momentos de grande ansiedade, da mesma forma que um soldado não dispara sua arma na batalha, aponta Navarrete.

“Acho que os seres humanos têm aversão a prejudicar os outros”, diz Navarrete. “Com o pensamento racional, às vezes, podemos substituir – pensando nas pessoas que deixará de matar, por exemplo -, mas, para algumas pessoas, a ansiedade é tão grande a ponto de não fazerem a escolha mais utilitária, e a escolha pelo maior número pode parecer boa”. [Science20]

Autor: Dalane Santos

Dalane Santos tem 21 anos, é recém-formada em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e escreve para o Hypescience desde fevereiro de 2012.

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124 Comentários

    • Você ama tanto assim sua filha, que mataria um grupo maior, por saber que ela está lá no meio ?

      Nossa !!!

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  1. Realmente interessante o tema “Matar uma pessoa para salvar cinco”… Em situacoes dificies e imprevisiveis, geralmente o homem nao sabe o que fazer e acaba tendo uma reaccao de momento. Pessoalmente, numa situacao igual,gostaria de agir seguindo o exemplo de Deus quando entregou a seu filho unigenito ( Jesus Cristo ) para que morresse na cruz para salvacao do mundo, isto e, salvacao de todas as outras pessoas do mundo inteiro… Bz

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    • Se fosse eu, provavelmente eu não estaria dirigindo nada.

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    • Boa boa, melhor resposta de todas!

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    • Esse trem tinha que passar por Brasila.

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  2. Com TODA a certeza não, a situação não foi bem explicada, então farei a minha:
    Digamos que eu esteja dirigindo um carro em uma estrada, 5 pessoas atravessando, uma que não tem nada a ver parada no acostamento.
    Se eu for para cima das 5, matarei todas, posso também desviar e matar uma.

    Agora o fato é, o que essa uma tem a ver com tal situação, é como o trem, ele seria desviado para atingir a uma pessoa, uma pessoa que estava certa, não iria passar um trem/carro ali, então ela que fique onde quiser.

    As outras 5 estão erradas, não deveriam estar onde estão. Eu selecionaria elas para morrerem, são mais pessoas, mas fizeram por merecer.

    Ou seja, não importa o número, mataria aqueles que tinham condições de se salvarem, pois é melhor matar 5 pessoas erradas do que uma certa.

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    • Não foi bem assim, “Mais à frente e à direita, foram colocadas cinco pessoas próximas a um barranco, que impedia sua fuga. No outro lado, havia uma única pessoa na mesma situação que as demais.”. Essas 5 não estavam erradas, ou se estavam a outra do outro lado também estaria. No seu exemplo do carro eu também faria o mesmo, o grupo que estava no lugar errado, e também se as 5 pessoas do trilho soubessem do perigo e a do outro lado soubesse que o trilho não iria ser usado na minha opnião o trem não deveria ser desviado.
      Esse dilema do trem não foi feito para fazer vc jugar as pessoas, mas todas são iguais e a situação envolve só a escolha de mudar o destino da morte de 5 pessoas e matar uma que não seria morta.

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    • gostei. Esta é sem dúvida a Resposta mais correcta de todas…

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  3. Os cinco azarados que se dane jamais mudaria a direção isso me tornaria um assassino e se isso fosse certo seria normal sai matando uma pessoa retira seus ogões e salva cinco ou seis.

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  4. Eu não acho que nós temos o direito de decidir o destino de uma pessoa para salvar outras!!

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    • Concordo plenamete não cabe nois decidir futuro de ninguem mesmo sendo por bem maior ou merecendo!!!

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    • Infelizmente isso acontece nos hospitais!

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    • Claro que temos em situações excepcionais.
      Se eu poder salvar um grupo sacrificando uma pessoa, fazia-o.

      Imagine um avião de passageiros em que você é o comandante (logo, a autoridade máxima) e que começa a perder altitude facto que mataria toda a gente. Mas se uma só fosse sacrificada o avião estabilizaria. Você preferia não fazer nada a ter de escolher uma para morrer e salvando assim todas as outras????

      Espero que nunca chegue a um cargo que lhe exija decisões imoportantes.

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    • Você não tem que sacrificar ninguém!! Se alguem por vontade própria quizer morrer para salvar os outros, tudo bem! Mas você não tem o direito de escolher a morte de um passageiro!! Por acaso você é o senhor do destino?

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    • Evidentemente que se houver alguém que se sacrifique pelos restants, não seria eu a impedir e escolher outra pessoa.
      Aquilo que escrevi era no caso de ninguém se ter voluntariado.
      Pode crer que se eu fosse o comandante desse avião preferiria ser condenado por ter provocado a morte de alguém para salvar 200 do que morrer e levar comigo 200 pessoas.

      Mas também vos posso dizer que se fosse necessário ser eu, eu sacrificar-me-ia por essas pessoas.

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    • Sabe fernando as suas idéias coincidem com a máxima de maquiavel ” Os fins justificam os meios” e è esse tipo de ideal que gera e predomina guerras no mundo inteiro! Bom… Eu prefiro seguir os pensamentos de aristóteles ” A prudência e o melhor caminho.” Mas cada um com seus ideais! ” Respeito é a virtude que mantém a sua razão sem menosprezar as dos outros.” Um bom dia para todos!!

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  5. Ao meu ver, muitos fatores entram na equacao.
    1: a ligacao emocional com alguns dos individuos, 2:A possivel superioridade intelectual da pessoa que esta sosinha no trilho,que possa valer a vida de 5 pessoas comuns que nao possuem ambicoes ou talentos.
    3: se nenhum desses fatores for relevante ou desconhecido, a melhor opcao seria, sacrificar 1 para salvar 5.

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  6. É um dejavú?;
    Falha da matrix?;
    Ou simplesmente só uma vontadezinha de colocar uma enquete de uma assunto já batido?

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  7. Depende de quem eu teria que matar e de quem eu salvaria, por exemplo: eu não mataria uma pessoa inocente para salvar 5 crimonosos… isso dependeria da índole e do caráter de cada pessoa.

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    • quero ver a vc descobrir indole e o carater das pessoas a tempo de desviar o trem auhuahua

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  8. Se a morte de um dos dois grupos é inevitável, penso ser racional e lógico optar pelo menor número de mortes. Creio q essa é a única avaliação q se pode fazer em uma situação onde se tem minutos ou apenas segundos para decidir.

    A menos q se saiba antes da situação ocorrer q essas cinco pessoas são políticos corruptos }:-D

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  9. Depende muito, se as 5 pessoas estivessem no meu trajeto de propósito, entendessem o risco, eu nunca desviaria para acertar a pessoa que, talvez, saberia que não passaria trem algum por ali.

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  10. Eu avalio a produtividade de uma pessoa, se essa uma pessoa fosse mais “importante” (mais produtiva, melhor caráter e etc…) eu não teria problemas em escolher apenas ela.
    Outra coia que deveria ser levada em consideração também é a facilidade, o Trem já esta a caminho das cinco pessoas, se eu deixar isso acontecer, não vai ser um assassinato, apenas um acidente, o contrario seria se eu fizesse algo e a outra pessoa morresse ai seria um assassinato com todas as letras!
    Mas daí uma maior quantidade de pessoas ficaria triste caso seus parentes morressem, de qualquer jeito é dificil

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    • vai fazer uma avaliação de curriculum antes de decidir quem morre? lol

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  11. Decidir por matar apenas uma pessoa, ao invés de cinco, me pareceu o mais racional a se fazer. Mas, se essas cinco pessoas fossem assassinos, traficantes, pedófilos, políticos corruptos e eu os tiver salvo e matado um cientista ou um professor. Aí sim, minha consciência ia para o ‘buraco’.

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    • Lamentável, acho q sua visão é bastante distorcida de um “senso de justiça”… eu discordo totalmente que matar seja uma “ótima oportunidade” para lidar com os defeitos das outras pessoas na nossa sociedade. Você acabou de descrever as justificativas do nazismo. Essa ideia de “se é uma pessoa ruim então pode matar” é tola e preconceituosa, ninguém pode a principio avaliar se alguém é melhor ou pior para o mundo, mesmo considerando “condenados pela lei (assaltantes, por exemplo)” ou “doentes mentais (pedófilos, por exemplo)”.
      Não defendo os crimes ou as doenças mentais, defendo o direito a vida.
      Dá mesma forma como podemos classificar que pena capital é o ideal para alguns crimes, NADA impediria que outras pessoas classificassem pena capital para “crimes” como “nascer com sociopatia” ou “multas de estacionamento”. Daí para queimarem ateus e classificarem livros como “obras do satan” é um pequeno passo risível.

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    • Não é uma visão de mundo distorcida. Cinco péssimos elementos não se comparam a um produtivo.

      E não me venha com hipocrisia. Duvido muito que sacrificaria a vida de um cientista ou professor que faz seu trabalho, por quase meia duzia de pedófilos, traficantes etc.

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  12. Decidir por apenas uma pessoa, ao invés de cinco, me pareceu o mais racional a se fazer. Mas, se essas cinco pessoas fossem assassinos, traficantes, pedófilos, políticos corruptos e eu os tiver salvo e matado um cientista ou um professor. Aí sim, minha consciência ia para o ‘buraco’.

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