“Cibercondria” pode salvar sua vida

Por , em 8.12.2011

Hoje em dia, na mente das pessoas o “Dr. Google” praticamente se equipara com médicos renomados de todo o mundo. Sentindo uma dor estranha? Um vermelho ou roxo estranho surgiu em alguma parte do seu corpo? O que você faz, procura um médico? Talvez não antes de digitar “dor estranha” no Google, certo?

E isso seria algo bom ou ruim?

Em 2007, depois de viajar sete horas de carro a trabalho, Cliff Roberts não ficou muito preocupado quando começou a sentir uma dormência nas pernas. Sua mulher, Patti, lhe disse que era provavelmente pelo tempo que eles passaram sentados no carro.

Naquela mesma semana, com a dormência nas pernas de Cliff indo e vindo, Patti se sentou para assistir um episódio de “The Oprah Winfrey Show”, que acabaria por ajudar a salvar a vida de seu marido.

Na manhã seguinte, o casal resolveu fazer uma viagem romântica. Mas, pela primeira vez em seus mais de 20 anos juntos, Cliff não foi capaz de desempenhar sexualmente.

Em seguida, Patti teve um pensamento. O Dr. Mehmet Oz tinha falado sobre os sintomas que precedem um ataque cardíaco no programa da Oprah no dia anterior – um dos quais era disfunção erétil por causa do fluxo de sangue diminuído.

Cliff também havia tido indigestão, e o casal já tinha desconsiderado a pressão que ele sentiu em seu abdômen – mais um sinal de que um ataque cardíaco pode ser iminente.

Com informações de saúde ilimitadas, disponíveis no clique de um mouse de computador ou controle remoto de TV, pacientes como Patti e Cliff têm vindo a contar com estes meios como se fosse a mesma coisa de se visitar um médico.

“As pessoas podem conseguir um monte de informações úteis pela TV”, disse a Dra. Sharon Horesa Bergquist. “O lado ruim é que as personalidades podem ter tanta influência sobre os pacientes, que às vezes eles pedem testes dos quais não precisam”.

O mesmo vale para a internet. O termo “cibercondria” – uma expressão digital para hipocondria, que é o estado psíquico em que a pessoa tem uma crença infundada de padecer de uma doença grave – foi lançado em torno do início dos anos 2000, quando procurar sintomas online se tornou uma coisa banal.

“Dr. Google certamente já me enviou sua quota de referências”, brinca a Dra. Bergquist. “Muitos de meus pacientes fazem uma pesquisa preliminar na internet, e se assustam com alguma coisa que leem. Eles vão ao médico por algo que eles na verdade não têm”.

Era com isso que Patti e Cliff estavam preocupados quando chamaram paramédicos em sua casa. Mas Cliff concordou em ir para o hospital, apesar de seu perfeito eletrocardiograma e pressão arterial um pouco elevada. “Parte de mim estava pensando que eu poderia ter exagerado”, disse Patti.

Por volta da uma da manhã do dia seguinte, o médico da emergência disse a Cliff que ele teve sorte de não ter tido um ataque cardíaco. Sua artéria coronária esquerda estava 90% bloqueada.

Segundo os médicos, pacientes que desempenham um papel ativo em seu tratamento, o que pode incluir procurar e pesquisar sintomas online, têm melhores resultados de saúde. No entanto, é importante lembrar: quanto mais comum for o sintoma, mais provável que ocorra um diagnóstico errado.

Cibercondria ocorre quando as pessoas vão direto para o pior cenário possível. Por exemplo, uma tosse, ao invés de ser um resfriado comum, vira um câncer de pulmão.

Em alternativa, procurar sintomas mais raros renderá menos diagnósticos possíveis, às vezes oferecendo mais ajuda ao médico.

Graças à internet, um dos pacientes de Bergquist descobriu que seu “choque cerebral” foi um efeito colateral do tratamento da ansiedade e depressão. “Eu não estava ciente de que poderia ser um efeito colateral, e como ela trouxe isso à minha atenção, eu pude dizer a outros pacientes”, conta a médica.

Hoje em dia, Cliff e Patti recorrem prontamente à internet e TV, mas eles sabem que os veículos não podem substituir um relacionamento com um médico, mas sim o complementarem.

Procurar informações em sites legítimos também é a aposta mais segura. “Como regra geral, qualquer site que termine em .gov ou .edu oferece informações confiáveis”, disse a médica, alertando que um profissional de saúde desempenha um papel vital em chegar a um diagnóstico preciso.

Ainda assim, se usadas corretamente, a internet e a TV podem fazer de você um paciente mais educado e capacitado – ou até mesmo salvar sua vida.[CNN]

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10 comentários

  • Paulo Rodrigues:

    Esta é a melhor fonte online de consulta médica referencial que conheço: o Manual Merck, escrito por especialistas, disponivel para consulta em:
    http://mmspf.msdonline.com.br/pacientes/manual_merck/secao_00/sumario.html

  • Raton:

    Não sabia que broxar era sinal de ataque cardiaco iminente. Valeu, agora vou correndo para o médico…….

  • Roberto:

    Dois médicos já me contrariam por eu ser Cibercondríaco. Um foi o cardiologista cujos medicamentos que receita para hipertensão não fazem efeito, me recomendou não fazer auto exame da pressão e que o aparelho de pulso é inconfiável. Outro foi o psiquiatra que receitou um medicamento que me causou sintoma hiperserotoninergico com alucinações. Este me criticou por ter lido artigos sobre medicamentos na VEja. Não preciso dizer que ambos perderam o cliente e eu me livrei de dois problemas graves: os dois médicos.

    • Bruno:

      Será?

    • Kerensky:

      Bah, ler artigos da veja? Sabe da reputação dessa revista, não sabe? D:

  • Joao F:

    Eu sou hipocondriaco…..por isso é um vicio e um terror andar pela net…

    A semana passada apareceu me um treçolho/calazio. Fui a net, encontrei logo um tumor parecido k mimetiza ( raro e mais comum em idosos) mas fiquei em panico.

    Fui ao medico, passou pomada oftalmica e disse para ser paciente. Ainda nao passou, por isso fico com os nervos em franja….

  • Big Bang:

    Pior e qdo as pessoas fazem exames e antes de levar ao medico, procuram o significado dos termos técnicos no Google e dão seu próprio diagnostico.

  • Raphael:

    E .org não é confiável?
    http://en.wikipedia.org

    “Se o Oráculo tá dizendo…” – meu médico.

    • Paulo Rodrigues:

      Infelizmente não, Raphael. A Wikipedia – por ser escrita e editada livremente – frequentemente traz informações “levemente” incorretas, não precisas em seus artigos. É uma boa fonte de pesquisa para assuntos que não exijam grande rigor científico, como um tratamento médico. Podemos encontrar um artigo escrito por um bom médico, como também por um “curioso bem intencionado”, editado por outro mais curioso e bem intencionado ainda… entende ? Sugiro que consulte o Manual Merck, escrito por especialistas, disponivel para download aqui:
      http://superd.com.br/81466 Abraços !

  • Curioso:

    Para conhecer informações mais aprofundadas sobre essa pesquisa acessem:

    http://www.google.com.br

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