10 descobertas pré-históricas incríveis feitas em 2014

Por , em 17.09.2014

2014 foi um ano empolgante para a paleontologia. De novas evidências que resolvem debates antigos a outras que desafiam conceitos amplamente aceitos, confira 10 descobertas pré-históricas incríveis que ocorreram recentemente:

10. Dormaalocyon latouri

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Em janeiro de 2014, uma equipe de pesquisa liderada por Floreal Sole anunciou a identificação de Dormaalocyon latouri, um mamífero do período Paleoceno-Eoceno, de 55 milhões de anos. Os cientistas haviam teorizado há muito tempo que os grandes carnívoros do planeta, como leões, tigres e ursos, compartilhavam um ancestral comum relativamente recente. Esse ancestral parece ser Dormaalocyon latouri.

Com 250 fósseis encontrados na Bélgica, os pesquisadores descreveram o pequeno animal como um “cruzamento entre um esquilo e um puma” que pesava 450 a 900 gramas e provavelmente vivia em árvores. Depois de avaliar seus dentes e maxilares, os cientistas também concluíram que comia insetos e outros pequenos animais. Enquanto o Dormaalocyon é o membro mais primitivo conhecido do grupo pré-histórico carnivoraformes (hoje representado pela família Carnivora), não é o carnívoro mais antigo conhecido. Essa honra vai para o Uintacyon, um milhão de anos mais velho.

9. Pelagornis sandersi

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Os ossos e crânio da ave Pelagornis sandersi foram descobertos por trabalhadores da construção civil há 31 anos no Aeroporto Internacional de Charleston, na Carolina do Sul, nos EUA. Eles eram tão grandes que tiveram que ser removidos com retroescavadeiras. Quando o espécime foi montado, ficou evidente que o animal não caberia em uma sala de tamanho médio, devido à sua enorme envergadura.

Identificada em julho de 2014, Pelagornis sandersi foi provavelmente a maior ave voadora que já viveu, 25 a 28 milhões de anos atrás. Com uma envergadura de 6 a 7 metros, o dobro da maior ave voadora viva, o albatroz real, ela provavelmente deslizava longas distâncias sem bater as asas (como o albatroz faz). Pertencente a um grupo extinto chamado Pelagornithidae, a ave foi identificada por seu tamanho grande, ossos da asa altamente modificados e projeções que lembram bicos com dentes.

8. Caiuajara dobruskii

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Em agosto de 2014, pesquisadores do Brasil anunciaram a descoberta de uma espécie até então desconhecida de pterossauro, Caiuajara dobruskii. Eles desenterraram 47 espécimes de uma variedade de idades em Cruzeiro do Oeste, no Paraná, o que foi uma conquista excepcionalmente incomum, já que muitas espécies de pterossauros só foram identificadas a partir de fragmentos dispersos de fósseis.

O Caiuajara dobruskii provavelmente vivia em colônias, tinha uma envergadura de 2,4 metros, e podia voar em uma idade muito jovem. Sua característica mais marcante, no entanto, é a crista óssea em sua cabeça. Em vez das famosas pregas que a maioria dos pterossauros têm, Caiuajara dobruskii ostenta uma crista muito grande, triangular, que faz com que pareça uma espécie de tucano demoníaco. Depressões arredondadas na parte externa da mandíbula completam o look único que destaca o dinossauro.

7. Lyrarapax unguispinus

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Lyrarapax unguispinus viveu no que hoje é o sudoeste da China durante o período Cambriano, 521 milhões anos atrás. Seu fóssil foi encontrado em 2013, mas a descoberta só foi publicada em 2014. Como muitos predadores do período, ele se parece com um cruzamento entre uma lagosta e uma minhoca, com fortes apêndices para a natação e grandes garras para agarrar e rasgar presas.

Pertencente à família Anomalocarididae, um grupo de criaturas que percorriam os mares do Cambriano, Lyrarapax unguispinus chegava a cerca de 10 a 13 centímetros. Ao contrário de outros fósseis da família, estava notavelmente completo quando foi descoberto: seu fóssil mostrava traços de estrutura muscular, trato digestivo e até mesmo seu cérebro. Isso ajudou muito os cientistas que vinham debatendo seu lugar na árvore da vida. Com base nas novas análises, eles acreditam agora que esses bichos são relacionados com os antepassados do filo Onychophora, dos vermes-aveludados.

6. Kulindadromeus zabaikalicus

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Até julho de 2014, os cientistas acreditavam que apenas dinossauros carnívoros tinham penas. Um novo estudo que descreveu um dinossauro herbívoro recém-identificado chamado Kulindadromeus zabaikalicus mudou essa figura. O herbívoro viveu no Jurássico entre 169 a 144 milhões de anos atrás no que hoje é a Sibéria. Com cerca de 90 a 110 centímetros de altura sobre as patas traseiras, o dinossauro tinha pequenas patas dianteiras e um focinho em forma de bico com dentes adaptados para comer plantas.

Esse animal é a primeira espécie de dinossauro herbívoro com penas. Kulindadromeus zabaikalicus possuía cerdas na cabeça e nas costas e penas complexas em seus membros, além de escamas em suas pernas e cauda. Os autores do estudo concluíram que as penas eram provavelmente comuns entre todos os dinossauros, mesmo em espécies iniciais, e apareceram durante o período Triássico cerca de 220 milhões de anos atrás.

5. Megamastax amblyodus

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O período Siluriano (começando cerca de 443 milhões de anos atrás, com duração de cerca de 26 milhões de anos) foi o período no qual as plantas começaram a fazer o seu caminho da água para a terra. Escorpiões do mar eram os predadores dominantes, e os peixes estavam apenas começando a desenvolver ossos e mandíbulas. Sendo assim, pensava-se que os peixes do período eram pequenos e não tinham um lugar significativo na hierarquia ecológica.

Uma descoberta recente está desafiando essa noção: o Megamastax amblyodus é agora o maior peixe vertebrado conhecido no registro fóssil siluriano. Com cerca de um metro de comprimento e dentes poderosos capazes de triturar conchas, seus restos fósseis foram encontrados em Yunnan, na China, por uma equipe de pesquisadores liderados pelo Dr. Brian Choo. A descoberta é importante em pelo menos duas maneiras: leva os cientistas a acreditar que grandes peixes evoluíram mais cedo do que se pensava anteriormente e, uma vez que peixes maiores precisam de mais oxigênio, alguns cientistas estão começando a questionar dados anteriores que indicavam baixos níveis de oxigênio na atmosfera durante esse período.

4. Laquintasaura venezuelae

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Um dos problemas do estudo da evolução dos dinossauros é a preponderância de saurísquios (que inclui herbívoros como o diplodoco e carnívoros como o tiranossauro) no registro fóssil e o número relativamente pequeno de ornitísquios (a diferença entre essas duas ordens é o quadril – os primeiros possuem quadril de lagarto e os segundos quadril de pássaro). Isso torna difícil avaliar a sua importância entre os dinossauros.

Esse ano, no entanto, paleontólogos da Suíça e do Reino Unido descobriram quatro fósseis da espécie Laquintasaura venezuelae nos Andes venezuelanos. Essa foi a primeira espécie de dinossauro encontrada nas regiões nortes da América do Sul. O pequeno dinossauro viveu durante o período Jurássico cerca de 200 milhões de anos atrás, caminhava sobre as patas traseiras com a cauda no ar e media cerca de 90 a 110 centímetros de comprimento. O ornitísquio comia plantas e, possivelmente, insetos e outros pequenos animais. Viajava em pequenos rebanhos, um comportamento considerado muito incomum para os dinossauros da época até agora. Esta informação dá aos pesquisadores uma nova visão sobre a evolução do comportamento social em dinossauros. Além, sua origem amplia a distribuição geográfica conhecida desses animais.

3. Torvosaurus gurneyi

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Um estudante de doutorado da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal, Christophe Hendrickx, estava trabalhando no que pensava ser os restos fósseis de Torvosaurus tanneri, um dinossauro parecido com o tiranossauro, quando percebeu que estava diante de uma nova espécie de megalossauro. Nomeado Torvosaurus gurneyi, o animal media 10 metros e possuía dentes de 10 centímetros de comprimento. Provavelmente tinha cobertura leve de penas, e foi o maior dinossauro predador conhecido da Europa, tendo vivido no que é hoje a Península Ibérica cerca de 150 milhões de anos atrás.

Por causa de sua relação com o norte-americano Torvosaurus tanneri, sua existência fornece evidência às teorias de que ligações temporárias entre a América e a Europa durante o Jurássico tardio facilitou o fluxo de fauna e flora para ambos os lados.

2. Changyuraptor yangi

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Em julho de 2014, uma equipe de paleontólogos americanos, chineses e sul-africanos anunciaram a identificação de um novo membro do Microraptoria, um grupo de aves de rapina de quatro asas. Changyuraptor yangi, cujo fóssil foi descoberto na província de Liaoning, no nordeste da China, viveu cerca de 125 milhões de anos atrás no período Cretáceo.

O animal é excepcional em quase todos os sentidos. Com 122 a 137 centímetros de comprimento, foi o maior dinossauro de quatro asas já descoberto. Todo o seu corpo era coberto de penas, sendo que as da cauda cresciam até 30 centímetros – as mais longas penas de cauda entre qualquer dinossauro com penas conhecido. Estas características levaram alguns cientistas a acreditar que pelo menos alguns desses animais podiam voar, de maneira que o Changyuraptor yangi é um bom modelo para os pesquisadores estudarem a evolução do voo.

1. Nanuqsaurus hoglundi

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Com um crânio adulto de 63 centímetros de comprimento e pouco mais da metade da altura do tiranossauro, o primo recém-identificado dessa espécie emblemática nomeado Nanuqsaurus hoglundi foi rapidamente apelidado de “tiranossauro pigmeu”. Descoberto no Alasca em 2006, só em 2014 os cientistas perceberam que os restos fósseis pertenciam a família Tyrannosauridae.

O animal viveu cerca de 70 milhões de anos atrás no que era uma ilha chamada Laramidia. Hoje, a área é uma das mais remotas do mundo – os pesquisadores tiveram que transportar alguns dos ossos de helicóptero. Os “mini-tiranossauros” viveram em um ambiente semelhante ao moderno Alasca, com dias e noites extremos. Isso pode explicar as pressões evolutivas que resultaram em seu tamanho menor. [Listverse]

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