Os camelos não deveriam estar no Gênesis, descobrem cientistas

Por , em 12.02.2014

Quem quer que tenha lido a Bíblia sabe que tem muitos camelos nela. Eles aparecem mais de quarenta vezes no Antigo Testamento, a maior parte no livro do Gênesis, como no versículo em que Abraão manda um servo com camelos procurar uma noiva para seu filho (Gênesis 24:10).

Entretanto, uma nova pesquisa aponta que não poderia ter nenhum camelo no Gênesis. O motivo é simples – os historiadores acreditam que estas histórias estão ambientadas entre os anos 2000 e 1500 aC, e o camelo teria sido introduzido em Israel entre 930 e 900 aC.

Para chegar a esta informação, datação de radiocarbono foi utilizada em evidências recuperadas de escavações (ossos de camelos recolhidos de minas de cobre). Tudo começou com uma constatação interessante – os ossos só apareciam em camadas datadas do final do século 10 e por todo o século 9 aC.

Este período coincide com a invasão do rei egípcio Sheshonq I, conhecido na Bíblia como Sisaque (I Reis 14:25-26, II Crônicas 12:5-9), no ano 925 aC, levando à especulação de que talvez os dois eventos estejam conectados.

Uma das hipóteses é que após a conquista de Israel e Judá, o faraó reorganizou a extração e comércio de cobre, e introduziu os camelos como um meio mais eficiente de transporte, substituindo as mulas e jumentos usados anteriormente.
subCAME-superJumbo
As consequências econômicas e sociais deste gesto simples provavelmente foram imensas – os grandes desertos do Levante não podiam ser atravessados de jumento ou mula, mas o camelo podia ser usado para viajar de oásis para oásis.

Mas onde teria sido domesticado o camelo? A melhor candidata é a região da Península Arábica, no início do primeiro milênio aC. A análise do perfil da mortalidade dos esqueletos dos camelos que foram escavados – sexo, lesões nos ossos das patas decorrentes de estresse repetitivo como animais de carga, etc – leva a esta conclusão.

E os camelos já eram velhos conhecidos dos moradores daquela região. Escavações encontraram ossos de camelos de períodos anteriores, talvez até mesmo antes do Neolítico (cerca de 9700 aC), só que provavelmente eles eram animais selvagens e livres, que nunca tiveram que carregar um lingote de cobre.

E os camelos dos patriarcas, como ficam? A explicação mais plausível é que a história foi escrita muito tempo depois que ela aconteceu ou da época a que ela se refere. Os estudiosos apontam que o Gênesis tem partes, como a história de Noé, que foram escritas durante o exílio babilônico, séculos depois dos patriarcas, e décadas depois do reinado de Davi. Vivendo em um mundo que há séculos usava os camelos, não parecia lógico escrever uma história sobre um patriarca e não dar a ele camelos, muitos camelos. [Universidade de Tel Aviv, New York Times, National Geographic]

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (2 votos, média: 5,00 de 5)

16 comentários

  • Alefher Andrade:

    Só sendo muito burro pra acredita cegamente na bíblia em pleno século XXI!

  • Jariel Cervantes:

    Cada vez mais aparecem provas de que grande parte das histórias bíblicas não passa de lendas. E ainda tem gente que acredita em Adão e Eva.

  • Cláudio Martins:

    Aí que quem conta um conto aumenta um ponto, seja judeu, seja grego…

    • Marcelo Ribeiro:

      Ou pescador.

  • Cláudio Martins:

    Uai!!! a ausência de evidências de camelos condiz com a informação de que a bíblia, ao menos os livros do antigo testamento, ou melhor ainda, os escritos que deram origem ao antigo testamento, foram organizados, enquanto textos, durante o cativeiro em Babilônia, entre 600 e 500 aC. Até então havia a tradição oral… mais ou menos como aconteceu com as histórias do Homero, Ilíada e Odisseia, né não?

    • Marcelo Ribeiro:

      Certamente. A diferença parece ser que a Ilíada e a Odisséia, apesar de relatarem histórias tão fantasiosas quando as da bíblia, não são consideradas como guias espirituais e morais ou mesmo como verdade absoluta.

  • neutrino:

    Eu posso contar ou escrever uma historia sobre o meu bisavô, que ouvi de meu pai, por exemplo,
    mas posso introduzir na história, vários elementos que na realidade não existiram.

    Se a Bíblia é um mito, ou não, a existência do camelo, serviu par dar um certo glamour ao texto.

    Vai lá que o camelo naquela época era como um carro de luxo.

  • Vitor Rafael Sousa:

    Mas que “cientistas” são esses que nem sabem que o Genesis é um mito Sumério?

    • Marcelo Ribeiro:

      Cientistas não dão a mínima para a bíblia. Apenas constataram os fatos na mina. O resto é dedução óbvia nossa.

  • Valério Brusamolin:

    A partir das evidências apresentadas, não se pode chegar à conclusão de que “os camelos não deveriam estar no Gênesis”. Cientificamente é muito difícil se concluir que algo não existe ou não existiu, pois as evidências provam o que existiu. Mas será que não existem evidências ainda a serem encontradas de uma existência ainda mais antiga? “Ausência de evidência não é evidência de ausência”, é o que se ensina em metodologia científica.

    • Marcelo Ribeiro:

      Sugiro que leia novamente. Lendo o artigo com atenção dá para entender razoavelmente bem como eles chegaram a estas conclusões.

    • Valério Brusamolin:

      É, eu li de novo e novamente verifiquei inconsistências metodológicas: fundamenta-se em conjecturas (suposições) para sustentar uma conclusão, além do equívoco já apontado de que “ausência de evidência não é evidência de ausência”.

    • Cesar Grossmann:

      Oi, Valério.

      Ocorre que em minas antigas, fechadas antes da invasão dos egípcios, não haviam ossos de camelos. Neste caso, a ausência de evidências é uma evidência de ausência, a meu ver. Quer dizer, os ossos mostram a presença de jumentos e burros, mas não de camelos, então muito provavelmente não haviam camelos naquelas minas.

      Ou, em outras palavras, não há evidências da presença de camelos antes da invasão egípcia, portanto esta hipótese, de que haviam camelos, é descartada.

    • FMSalles:

      Cesar Grossmann, Abraão, segundo a Bíblia nasceu em Ur dos caldeus, região da Mesopotâmia. Se olhar no mapa vai ver que é bem próxima (ou faz parte) da Península Arábica, onde segundo seu texto “os camelos já eram velhos conhecidos dos moradores daquela região”, “até mesmo antes do Neolítico (cerca de 9700 aC)”.

      Segundo seu texto ainda, “estas histórias estão ambientadas entre os anos 2000 e 1500 aC”.

      Então, ao meu ver, o camelo estava lá, segundo seu próprio texto, e Abraão também!

    • Edwi Feitoza:

      Desculpe, Valério, mas seu argumento está muito mal construído. Em primeiro lugar EVIDÊNCIA e PROVA são coisas DIFERENTES, tanto no âmbito científico como no âmbito legal. Portanto não faz sentido falar que “a evidência A é prova de B” (como na sua frase “pois as evidências provam o que existiu.”). Segundo lugar, cientificamente não é apenas muito difícil mas sim IMPOSSÍVEL se provar a não existência de algo. Por fim, evidências a serem encontradas nada mais são que expectativa, não…

    • Cesar Grossmann:

      Edwi, eu não sei se estamos nos entendendo, mas a evidência de que o camelo só foi domesticado em um certo período é que os ossos de camelo anteriores aquele período não tem marcas de terem sido submetidos ao trabalho forçado do animal doméstico. Em outras palavras, são claramente ossos de animais selvagens, e não há ossos de animais domésticos. Isto é, para mim, uma prova de que ele não havia sido domesticado antes.

Deixe seu comentário!