A colisão que vai durar 50 milhões de anos

Por , em 9.09.2013

O observatório de raios-X conhecido como Chandra, da NASA, registrou algo estranho e poderoso em uma galáxia muito, muito distante: um evento quase como uma explosão sônica que desencadeou uma enorme liberação de gás superaquecido. A NASA acredita que o estrondo foi causado por algo que nunca havíamos visto antes: a colisão de uma galáxia anã com uma galáxia muito maior, na forma de espiral. (Nota: sabemos que não há som no espaço, então essa colisão não chegou a produzir um estrondo; é um termo apenas para efeitos dramáticos).

O telescópios Chandra captou o calor antes de mais nada – ou seja, a nuvem de gás superaquecido, de cerca de seis milhões de graus centígrados. Por isso, o título de “superaquecido” é, no mínimo, um eufemismo. Em seguida, os cientistas começaram a juntar as peças do quebra-cabeça. O gás possuía o formato de um cometa, indicando o movimento da galáxia anã, desde que ela colidiu com a galáxia maior em espiral.

A galáxia espiral se localiza a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra e é denominada NGC 1232, nas nomenclaturas técnicas dos cientistas. Na cabeça desse “cometa” estão diversos pontos muito brilhantes de emissão forte de raio-X. A NASA pensa que se trata da criação de estrelas superpoderosas, desencadeadas pela colisão.

Estima-se que a colisão em si continue durante mais cerca de 50 milhões de anos, com o gás quente podendo continuar a emitir raios-X durante, possivelmente, mais centenas de milhões de anos. Esse fenômeno é de grande interesse para a agência espacial, uma vez que poderia ajudar os cientistas a entender como o universo cresce devido à colisão entre enormes galáxias como estas duas. [Pop Sci]

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8 comentários

  • Luís Tony Correia:

    Então na cosmologia o termo colisão é a integração gravitacional entre duas galáxias. Blz então a moça que ta pegando o significado da palavra que é diferente nesse contexto

  • Cesar Grossmann:

    Tiago, “em um primeiro momento” significa que não há uma colisão imediata, mas que o fenômeno todo é chamado de colisão.

    Alessandra, quando você diz “querido”, eu senti aqui uma certa hostilidade, uma vontade de me esganar. Estou enganado? De qualquer forma, até onde eu sei o “domínio popular” que estamos falando é dos astrônomos e astrofísicos, que usam o termo em seus trabalhos científicos:
    http://arxiv.org/abs/astro-ph/0512166
    http://arxiv.org/abs/1309.1159
    http://arxiv.org/abs/1309.0451
    http://arxiv.org/abs/1308.6673
    http://arxiv.org/abs/1308.3419

    Você pode não gostar, mas é como o nome “Big Bang” – impreciso, mas é usado.

  • Carlos Alberto Barbosa:

    SÓ PARA ESCLARECER: PERCEBI UMA “DIVERGÊNCIA” SOBRE COLISÃO OU NÃO ENTRE GALÁXIAS. QUERO EXPLICAR QUE A COLISÃO OCORRE SIM. EM MECÂNICA, SEJA DE CORPOS PEQUENOS OU MESMO DE CORPOS CELESTES, A COLISÃO É UMA INTERAÇÃO ENTRE OS CORPOS, OU PARTES DELES, POR MEIO DE FORÇAS QUE PODEM SER DE “CONTATO” OU MESMO À DISTÂNCIA. HÁ TRÊS TIPOS DE COLISÕES(OU CHOQUES) NA MECÂNICA: PERFEITAMENTE ELÁSTICA, PARCIALMENTE ELÁSTICAS E INELÁSTICAS. QUANDO DUAS GALÁXIAS SE “ENCONTRAM” HÁ INTERAÇÃO GRAVITACIONAL ENTRE AMBAS. ESSAS INTERAÇÕES, COMO BEM EXPLICOU O COLEGA,FAZEM OS CORPOS QUE COMPÕEM AS GALÁXIAS SE APROXIMAREM E SE AFASTAREM ISSO CARACTERIZA UMA COLISÃO. NA VERDADE ACABAMOS INTERPRETANDO COLISÃO COMO UM EVENTO QUE NECESSARIAMENTE ENVOLVE “CONTATO” RÁPIDO. É BOM LEMBRAR QUE A IDEIA DE “CONTATO” É SÓ UMA IDEIA MESMO. O CONTATO ENTRE CORPOS COMO NÓS IMAGINAMOS NUNCA ACONTECE. POR MAIS PRÓXIMOS QUE DOIS OBJETOS ESTEJAM, POR MAIS UNIDOS QUE POSSAM PARECER, JAMAIS DOIS OBJETOS SE “TOCAM” REALMENTE. A MECÂNICA QUÂNTICA EXPLICA ISSO. É BOM LEMBRAR TAMBÉM QUE, NEM SEMPRE, DEPOIS QUE DUAS GALÁXIA SE ENCONTRAM HÁ FUSÃO, MAS O ENCONTRO DE DUAS GALÁXIAS SEMPRE SERÁ UM EXEMPLO DE COLISÃO. CASO AS GALÁXIAS SE FUNDAM NESTE ENCONTRO CONFIGURA-SE ENTÃO, NESTE CASO, UMA COLISÃO INELÁSTICA. RESUMINDO, FUSÃO(UNIÃO MECÂNICA) É UM TIPO DE COLISÃO OU CHOQUE CLASSIFICADO COMO INELÁSTICO. ABRAÇO…

  • Rafael Darde:

    Mas che, ele disse que “em um PRIMEIRO momento não há fusão”, elas apenas interagem gravitacionalmente. Isso significa que em um próximo momento ocorrerá a fusão.

  • Tiago Batista:

    Você começa dizendo que: Em um primeiro momento não há fusão.
    E termina dizendo: cujo resultado é a fusão das mesmas.
    Há ou não há fusão?

  • Giancarlo Tormena:

    Se este evento está a 60 milhões de anos luz de distância, e deve durar 50 milhões de anos, então ele já acabou a pelo menos 10 milhões de anos, ou estou errado?

    • Carlos Alberto Barbosa:

      SIM, GIANCARLO. POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, SEMPRE ENXERGAMOS O PASSADO.

  • Cesar Grossmann:

    Em um primeiro momento não há fusão. Uma galáxia passa pela outra como dois enxames de abelhas passam um pelo outro, interagem gravitacionalmente, alterando ao forma uma da outra, afastam-se, a velocidade diminui, voltam a se aproximar, se cruzam novamente, e o ciclo se repete talvez uma ou duas vezes, até que ocorre a fusão.

    De qualquer forma, o termo “colisão” parece que já está consagrado. Em cosmologia, ele significaria a interação gravitacional entre duas galáxias, cujo resultado é a fusão das mesmas.

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