Físicos afirmam que a realidade não existe até que a medimos

Por , em 8.06.2015

Cientistas australianos confirmaram recentemente um dos aspectos teóricos da física quântica: que certos objetos alternam entre os estados de partícula e onda quando são medidos, mas mantêm-se em um estado dual enquanto isso.

No mundo macroscópico, ondas são ondas e objetos sólidos são partículas. No entanto, essa distinção não é tão clara quando entramos no mundo da teoria quântica. A luz pode comportar-se como uma onda, ou como uma partícula. O mesmo vale para objetos muito pequenos, com a mesma massa de elétrons, por exemplo.

Mas o que determina quando um fóton ou elétron vai se comportar como uma onda ou como uma partícula?

O modelo dominante da mecânica quântica diz que essa “decisão” só é tomada quando uma medição é feita.

O experimento

O Dr. Andrew Truscott, da Universidade Nacional da Austrália, realizou um experimento prático para testar essa teoria, usando um átomo de hélio. Seus resultados foram publicados em um artigo na revista Nature Physics.

A equipe do professor Truscott primeiro prendeu cem átomos de hélio em um estado suspenso conhecido como condensado de Bose-Einstein. Em seguida, ejetou um por um até que restasse um único átomo.

Esse átomo, então, foi lançado através de um par de feixes de laser que formava um padrão de grade. Essa “grade” agia da mesma forma que uma grelha sólida dispersando luz, por exemplo.

Uma segunda grade foi adicionada aleatoriamente para recombinar os caminhos do átomo, o que levou à interferência construtiva ou destrutiva – como se o átomo tivesse percorrido ambos os caminhos. Quando a segunda grade não foi adicionada, nenhuma interferência foi vista – como se o átomo observado tivesse escolhido apenas um caminho.

Padrão revelador

O número aleatório que determinava se a segunda grade seria adicionada era gerado somente após o átomo ter passado através da primeira grade, o que foi crucial para o experimento.

Truscott diz que há duas possíveis explicações para o comportamento observado. Ou, como a maioria dos físicos pensam, o átomo “decidiu” se era uma onda ou uma partícula quando foi medido, ou um evento futuro (o método de detecção) fez com que o átomo “escolhesse” seu passado.

“Os átomos não viajaram de A para B. Só quando foram medidos no final da viagem que o seu comportamento ondulatório ou de partícula foi trazido à existência”, sugere Truscott. “Nossa experiência não pode provar que essa é a interpretação certa, mas, dado o que sabemos de outros experimentos, é muito mais provável que as propriedades observáveis do átomo só venham à realidade quando as medimos”. [IFLS, Phys]

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14 comentários

  • Jorio Eduardo Maia:

    A ciência não tem um conhecimento total da natureza, mas apenas parcial. A natureza parece combinar determinismo e aleatoriedade.

  • Gustavo:

    Isso prova que estamos vivendo na matrix! huahuahuhahua…

  • DJX:

    Aleatoriedade não existe, todo caos tem organização fora dos padrões, melhor dizer ao invés de aleatoriedade, probabilidades.

    • Cesar Grossmann:

      Por incrível que pareça, você está errado. Existe caos e existe padrão no caos, e probabilidade é uma das faces da aleatoriedade.

      Um isótopo instável vai decair para outra forma, mais dia menos dia, mas quando exatamente este decaimento vai acontecer é impossível prever. Mesmo assim, as substâncias radiativas tem o que se chama de “meia vida”, o período em que metade dos átomos do isótopo instável vão decair.

    • Bill Jobs:

      Por incrível que pareça, você está certo, em parte…
      Tudo o que pode ser aleatorizado é ordenado em si.
      A Ordem antecede o Caos.

    • Bill Jobs:

      Aleatorizamos dados, mas dados são objetos ordenados.
      Sorteamos aleatoriamente cartas, mas cartas são objetos ordenados.
      (…)

    • Bill Jobs:

      Logo, conclui-se que?
      Para que algo possa ser aleatorizado, este “algo” precisa ser ordenado, novamente:
      A Ordem antecede o Caos.

    • Bill Jobs:

      Aleatoriedade é uma das faces da Probabilidade.
      Pode ser vista como um colapso da função de onda.

    • Bill Jobs:

      Todas as probabilidades já “existem na forma de possibilidades”, enquanto não ocorre o colapso da função de onda.

  • DJX:

    Bom… Caímos novamente na Cadeia de Von Newman, acredito que o que causa o colapso da função de onda é a consciência.

  • michel le campion:

    Por algum motivo o pensamento deve interferir na realidade, tornado-a A ou B !! Qual a melhor??

  • Lucas Pereira:

    Pra mim a respostas é bem simples, assim: Ele são aleatórios…

    • DJX:

      Ops.. não existe aleatoriedade na natureza, apenas padrões que não compreendemos 🙂

    • Cesar Grossmann:

      Na verdade, existe aleatoriedade na natureza. A hipótese das variáveis ocultas já foi descartada pela ciência.

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