Antibióticos ineficientes podem causar 10 milhões de mortes por ano

Por , em 20.05.2015

De acordo com o economista Jim O’Neill, ex-presidente da Goldman Sachs Asset Management, antibióticos não funcionais poderiam custar à economia global 100 trilhões de dólares (cerca de 303 trilhões de reais, no câmbio atual) ao longo dos próximos 35 anos, bem como causar 10 milhões de mortes por ano no mesmo período.

O’Neill pesquisa maneiras de reverter a crescente onda de micróbios resistentes a medicamentos no Reino Unido. Nos últimos anos, a indústria farmacêutica tem se afastado de medicamentos antibióticos devido a preocupações com potenciais retornos sobre os grandes investimentos necessários.

O’Neill disse que 10 milhões de pessoas poderiam morrer até 2050 se não houver novos antibióticos sendo produzidos. “Se o mundo não conseguir encontrar novas drogas e continuarmos nos comportando da mesma forma que fazemos hoje, em 2050 – que é o número que eu deliberadamente escolhi porque é famoso nos contextos do MINT e do BRIC – vai haver pelo menos 10 milhões de pessoas em todo o mundo morrendo todos os anos por resistência microbiana aos antibióticos”, afirma. O’Neill é famoso como economista por ter inventado o termo econômico BRIC, bloco do qual fazem parte Brasil, Rússia, Índia e China, e MINT, que se refere ao México, Indonésia, Nigéria e Turquia.

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Essa montanha de zeros ali em cima são os 100 trilhões de dólares que o mundo deve perder até 2050 caso o quadro atual não mude. Sendo assim, o custo de não fazer algo para mudar a situação é enorme. “Para fazer esse problema desaparecer, precisamos mudar todo o nosso comportamento, precisamos ter um melhor diagnóstico e precisamos de mais medicamentos”, insiste o especialista.

“Criar um mercado final comercial mais estável para os antibióticos deve, ao longo do tempo, incentivar o investimento nas fases anteriores do processo. Mas achamos que devemos também dar início a um novo ciclo de inovação em antibióticos, obtendo mais dinheiro no estágio inicial da pesquisa”, diz o comunicado da Comissão de Revisão Antimicrobiana, liderada por O ‘Neill. “Um fundo global de inovação da resistência antimicrobiana de cerca de US$ 2 bilhões ao longo de cinco anos iria ajudar a aumentar o financiamento para ‘pesquisas sem um objetivo claro’ sobre medicamentos e diagnósticos, além de ajudar boas ideias a saírem do papel”.

O’Neill afirmou que é possível que os contribuintes tenham de pagar a conta do fundo. “Eu diria que, em média, distribuído entre 7,2 bilhões de pessoas, não é muito em comparação a um milhão de pessoas morrendo por ano na China ou na Índia em 2050”. Ele quer levantar a questão do financiamento para o G20, porque esta é uma questão de grande importância para todos os países. Mas, segundo ele, a própria indústria farmacêutica pode ser persuadida a contribuir.

Isso porque, se milhões começarem a morrer em todo o mundo por falta de antibióticos eficazes – o que prejudicará não somente o tratamento de doenças infecciosas, como também pode tornar as cirurgias altamente perigosas -, a indústria farmacêutica pode acabar com o mesmo tipo de danos à reputação que o setor financeiro, argumenta O’Neill. “Se os líderes das maiores empresas financeiras tivessem pensado um pouco mais amplamente, eles poderiam não estar sentindo um impacto tão grande quanto o que sentem hoje”, disse ele.

De acordo com a avaliação feita pela comissão, um pacote abrangente de intervenções poderia custar no mínimo US$ 16 bilhões, e não mais do que US$ 37 bilhões ao longo de 10 anos (cerca de R$ 112 bilhões).

A resistência aos antibióticos tem sido descrita pela Organização Mundial da Saúde como o maior desafio em doenças infecciosas, como malária e HIV/AIDS, hoje, ameaçando países ricos e pobres. [BBC, Anadolu Agency, The Guardian]

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