Arranque os cabelos para lutar contra a calvície

Por , em 12.04.2015

O ditado diz que, quando você arranca um cabelo branco, muitos mais nascem. A coisa mais louca de todas? Isso pode ser parcialmente verdade.

Segundo um estudo publicado na revista Cell, arrancar os cabelos realmente pode induzi-los a voltar a crescer, junto com até cinco vezes mais novos cabelos na área circundante.

Os pesquisadores fizeram experiências com ratos que sugerem que a regeneração do cabelo é acionada por uma espécie de “percepção de quórum” (quorum sensing), o mesmo fenômeno que bactérias e outros sistemas microbianos usam para se comunicar e guiar seu comportamento.

A importância desse fenômeno

Encontrar indícios de que este mesmo processo acontece na pele de mamíferos pode levar a uma melhor compreensão das maneiras como órgãos e tecidos respondem a danos. Além do tratamento da calvície, a pesquisa tem possíveis implicações para regeneração de tecido e até a luta contra o câncer.

Vai um, vem muitos

Folículos pilosos individuais seguem um ciclo quase sazonal, com fases de crescimento intercalados a fases de repouso. Os seres humanos podem alterar este cronograma arrancando um fio de cabelo de seu folículo – isso pode ativá-lo e fazer com que seu período de crescimento comece mais cedo.

O trabalho dos cientistas, liderados por Cheng-Ming Chuong da Universidade do Sul da Califórnia (EUA), sugere que, quando cabelos são arrancados, os folículos secretam um sinal de “socorro” para os seus vizinhos. Proteínas liberadas então recrutam células imunes para o local da lesão, onde elas produzem moléculas de sinalização que, eventualmente, fazem com que os folículos de cabelos cresçam.

“Nós começamos a imaginar se poderíamos arrancar folículos de forma específica”, explica Chuong. “Assim, se um número de folículos vizinhos se machucasse e enviasse sinais de socorro, um folículo em uma fase de repouso, mas não arrancado diretamente também seria ativado. E esse foi realmente o caso”.

No lugar certo

Quando a equipe arrancou 200 folículos pilosos de ratos nos padrões de alta densidade, cerca de 450 a 1.300 novos cabelos cresceram. Eles brotaram na área que os velhos cabelos tinham sido arrancados, bem como em zonas próximas.

Porém, puxar um número menor de cabelos em um padrão de baixa densidade não gerou o mesmo tipo de crescimento de cabelo, o que sugere que deve haver um ponto de inflexão que orienta o fenômeno. Só quando folículos vizinhos suficientes sinalizam sua angústia é que outros iniciam o processo, ou nada de crescimento de cabelo.

“Nós também especulamos que esse limite pode variar de acordo com diferentes condições corporais”, afirma Chuong. Isso pode ser uma má notícia para as pessoas que sofrem de perda de cabelo, porque poderia limitar a capacidade do processo de fazer crescer mais folículos.

Em qualquer caso, Chuong adverte que ninguém deve começar a arrancar os cabelos restantes ainda. “Primeiro vamos tentar estudar mais sobre a base molecular [do processo] em animais e, no futuro, tentar aplicar isso a pacientes humanos. Mas eu acho que os resultados deste estudo certamente nos ajudarão a dar um grande passo nessa direção”. [SmithsonianMag]

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