Astrônomos debatem se Plutão deveria ou não ser considerado um planeta novamente

Por , em 23.11.2010

O “ex-planeta” Plutão foi rebaixado a uma categoria criada em 2006, “planeta anão”, em parte devido à descoberta de Eris, um outro corpo gelado próximo a Plutão. Os cientistas acreditaram que Eris era maior que Plutão até 6 de novembro desse ano, quando astrônomos tiveram a chance de recalcular seu tamanho.

Agora, parece que Plutão realmente é maior, embora apenas por uma margem fina. Os números são tão próximos que são praticamente indistinguíveis, quando as incertezas são levadas em conta.

Mas, se Plutão recuperou mesmo seu status como o maior objeto no exterior do sistema solar, os astrônomos deveriam considerar devolvê-lo o título antigo de planeta? Eris, e muitos outros objetos que circundam o sol para além da órbita de Netuno, são planetas? Ou será que o atual sistema, que reconhece apenas oito planetas relativamente grandes, é o caminho certo a percorrer?

Alguns especialistas ponderaram sobre este debate, que afeta a forma como os astrônomos veem o sistema solar. Segundo eles, Eris está cerca de 15 bilhões de quilômetros do sol no seu ponto mais distante de órbita, o que o torna cerca de duas vezes mais distante do que Plutão. Sua descoberta em 2005 levou os astrônomos, desconfortáveis com a perspectiva de encontrar muitos mais planetas nos frios confins do sistema solar, a reconsiderar o status de Plutão.

Em 2006, a União Astronômica Internacional surgiu com a definição oficial de planeta: um corpo que circunda o sol, mas não é algum outro objeto de satélite, é grande o suficiente para ser arredondado pela sua própria gravidade (mas não tão grande a ponto de submeter-se a fusão nuclear, como uma estrela) e tem “limpado sua vizinhança” da maioria dos outros corpos orbitantes – orbita sozinho.

Como Plutão compartilha espaço orbital com muitos outros objetos no Cinturão de Kuiper, o anel de corpos gelados além de Netuno, não se caracteriza como planeta. Em vez disso, Plutão e Eris são “planetas anões”. Oficialmente, oito planetas permanecem: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

O cientista que descobriu Eris acredita que o rebaixamento de Plutão foi a decisão certa. Plutão, Eris e muitos outros objetos do Cinturão de Kuiper são demasiado diferentes para serem considerados em conjunto com os oito planetas oficiais. Por exemplo, eles são muito menores. Plutão tem cerca de 2.342 km de largura. O menor planeta oficial, Mercúrio, tem mais do que o dobro de tamanho (4.880 km de extensão).

As suas órbitas tendem a ser muito diferentes também. As órbitas dos planetas anões são muito, muito mais elípticas e inclinadas em relação ao plano do sistema solar. E eles são feitos de um material diferente, com mais gelo compreendendo a sua massa.

A única razão pela qual Plutão já foi considerado um planeta é porque foi detectado pela primeira vez há muito tempo, antes que as pessoas soubessem que ele era apenas um de uma vasta frota de objetos além da órbita de Netuno. O Cinturão de Kuiper, que hoje é conhecido por abrigar mais de 1.000 corpos gelados (ou mais), não tinha sido descoberto até 1992.

Atualmente, os astrônomos têm um senso muito melhor do que o Plutão é. O progresso na compreensão do sistema solar ajuda os cientistas a voltar atrás e reavaliar os erros de nossos antepassados. Assim, Plutão deveria assumir o seu lugar ao lado de outros objetos do Cinturão de Kuiper, em vez de ser considerado um planeta, como os outros oito oficiais.

No entanto, alguns astrônomos não concordam com a reorganização do sistema solar. Não exatamente por Plutão, mas porque consideram a definição de planeta fundamentalmente falha.

Eles tomam a questão particular da exigência de “limpar a vizinhança” como a pior questão. Segundo eles, se levar essa definição estritamente, nenhum objeto no sistema solar é um planeta, já que nenhum objeto tem totalmente “limpado” a sua zona.

A definição também estabelece padrões diferentes para diferentes distâncias do sol. Quanto mais longe um planeta está do sol, maior ele precisa ser para “limpar a sua zona”. Se a Terra circundasse o sol na órbita de Urano, não seria capaz de limpar a vizinhança, não podendo assim ser considerada um planeta.

Na opinião desses astrônomos, um planeta é qualquer coisa que satisfaça a definição nos seus dois primeiros critérios: de girar em torno do sol e ter massa suficiente para ser mais ou menos esférica, sem a exigência de “limpar a vizinhança”.

Assim, Plutão deveria ser um planeta, da mesma forma que deveria ser Eris e o planeta anão Ceres (o maior corpo no cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter), assim como muitos outros objetos. Tal definição expandiria a lista de planetas do sistema solar.

A crítica desses cientistas é que muitos astrônomos estavam desconfortáveis com essa perspectiva, e tal desconforto foi um grande fator na decisão de rebaixar Plutão. Foi na verdade um desejo não-científico para manter os números baixos, porque muitas pessoas pensam que é especial ser um planeta.

Nesse entendimento, pequenos planetas gelados são muito mais numerosos do que os gigantes gasosos ou rochosos. Há um grande número de planetas, e a maioria deles são pequenos. São os planetas como a Terra e outros que são impressionantes. Os astrônomos não se opõem a classificação de “planeta anão” a esses objetos, desde que ele ainda sejam considerados planetas.

A batalha de Plutão pode ser mais semântica do que qualquer outra coisa. Mas as palavras realmente importam, porque mudam a forma como as pessoas classificam e compreendem a realidade.

Alguns astrônomos evitam usar a palavra “planeta” em seu sentido tradicional, genérico demais, por que não transmite muito mais informações importantes. É mais revelador agrupar objetos que são semelhantes em tamanho, composição e outras propriedades.

Assim, eles pensam em categorias como os gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno), os planetas terrestres (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte), e os asteróides e objetos do Cinturão de Kuiper (Plutão, Eris e muitos outros).

Rebaixar Plutão não fez do corpo gelado menos interessante ou importante. Segundo eles, Plutão como um exemplo de um grande objeto do Cinturão de Kuiper é muito mais interessante do que Plutão como planeta estranho na periferia do sistema solar, diferente de todos os outros. Basta agora que todos os cientistas consigam concordar com um termo ou uma definição. O que não vai ser fácil. [LiveScience]

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22 comentários

  • Érica:

    Eu queria que Plutão voltasse a ser um planeta pois assim não seriam somente oito planetas no sistema solar seriam nove
    E eu pesso que os cientistas e astromogos dessem uma chance ao *planeta anão* Plutão e obrigada por ler.
    obs:Se a palavra astromogo estiver errada não me juguem por que eu só tenho dez anos de idade.
    Muito obrigada para quem me intender.

  • Érica:

    Eu li com muita atenção e acho que Plutão tem condições para ser considerado um planeta de verdade.
    Estou fazendo uma pesquisa da escola para falar algo interessante sobre algum planeta e to tendo certeza que vou escrever sobre Plutão.
    A e voltando ao assunto eu queria que Plutão fosse mesmo considerado um planeta de verdade não um *planeta anão.

  • Pedro:

    deu uma preguiça de ler tudo, mas plutão deveria ser renomeado planeta siim, imagina a galera do signo q plutão rege , tadinhos, so eles são regidos por planeta anão, isso ér injustiça! I am Libra 4ever!

  • Jonatas Almeida da Silva:

    tudo bem, sem grilo. concordo com a idéia do post.

  • Maikon:

    Não citei nomes, apenas falei tinham alguns achismos por aqui. =]

  • Jonatas Almeida da Silva:

    Posso falar do assunto sim, eu estudei. Os americanos é que querem que Plutão volte a ser planeta porque foi o único no sistema solar que um americano descobriu.

    • Wiliam Cesar:

      “Se a Terra circundasse o sol na órbita de Urano, não seria capaz de limpar a vizinhança, não podendo assim ser considerada um planeta.” Então ela seria considerada um ‘planeta anão’ ? Mesmo pelo tamanho de Plutão, se ele tivesse aqui, mais próximo a terra, aposto que ele seria o centro das atenções.

  • Maikon:

    Depois desse monte de comentário que presenciei aqui, gostaria até de dar uma dica para criação de um post sobre as influências diretas e indiretas da tecnologia espacial, que aliás até seus calçados hoje duram mais graças ao pisar na lua de Neil Armstrong.
    Talvez isso ajude algumas pessoas a pensarem de outro jeito, não só sobre o espaço, mas sobre tudo.

    Grato.

  • Maikon:

    Tem muito “achismo” por aqui, ou seja, muita gente querendo dar opinião sobre o que nada entende. São somente os mais importantes cientistas do ramo discutindo algo que vai muito além de mera nomenclatura, tenham certeza que se não fosse importante para o trabalho deles não perderiam tempo com isso.

    Opinar é sempre válido, o que é chato é ver um leigo no assunto (no qual eu me incluo também) “revoltado” com o trabalho de ESPECIALISTAS. Bom, se sabes tanto sobre o tema, mande seu currículo para uma grande empresa do setor e fique muito rico, não perca tempo.

    As pessoas tem mania de julgar apenas por julgar sem ter qualquer fundamento para isso. Achar que sabe o que é ou não importante para o trabalho de uma pessoa que dedica a vida inteira para isso é hipocrisia. À exemplo, já vi quem dissesse que todo o dinheiro investido em pesquisas espaciais é dinheiro jogado fora. Bom, mal sabe este pobre individuo que é graças a esse dinheiro jogado no “lixo” que hoje temos GPS, transmissão sem fio de alta capacidade, o que são apenas resultados diretos, se pararmos para refletir a fundo no assunto encontraremos milhares senão milhões de resultados indiretos no nosso dia-a-dia da pesquisa espacial.

    Abram um pouco a mente, não critiquem quem trabalha (o que beira ao ridículo, seria mais justo criticar aqueles que não contribuem com nada ou que sonegam impostos por exemplo), ainda mais quando se é um leigo no assunto. Afinal, boca fechada não entra mosca.

    Desde já, Feliz Natal para todos. =]

  • Armando Comando:

    É por isto é que a ciência é bonita, não é estática está sempre em evolução!!! Os alunos vão ter que ir esquecendo certos pradigmas e irem acompanhando toda a cinética da ciência!!!

  • harrison:

    tempo de sobra, nada mais importante pra fazer.

  • Dowglasz:

    O negócio é mudar o conceito de planeta. Não se pode restringir esse conceito ao sistema solar ou esse termo denominará uma subcategoria, afinal logo descobriremos outros corpos com características semelhantes além da órbita do Sol.

  • Jonatas Almeida da Silva:

    Clarice, você está certa, esses longínquos globos gelados vão continuar sendo o mesmo, independente de como nos os classificamos. A questão das classificações, acho vigente a questão das órbitas prevalecer, mas o nome planeta anã é ruim, e devia ser trocado, eles não podem ser planetas. Na questão, os Planetas ocupam mais de 99% da massa na órbita em que ocupam, já Ceres tem apenas um terço da massa do Cinturão local, e Plutão, Éris, MakeMake e outros mal chegam a 40% da massa no cinturão de Kuíper. Não podem ser Planetas, nem mesmo anões.

  • Jonatas Almeida da Silva:

    Marcela, isso é totalmente normal no campo da ciência, nomenclaturas sempre vão sendo confundidas conforme descobertas vão sendo feitas. Os maiores gênios da história erraram algumas vezes, Albert Einstein também. Acho que daqui a quarenta anos vai contar a seus filhos como o avanço da tecnologia coloca em cheque, o tempo todo, as definições científicas em vigor. um abraço.

  • clarice:

    acho magnífica as pesquisas etc e tal….. mas no quê e ou o quê irá modificar o “espaço” no “espaço” que ocupa, seeeee aumentar, diminuir ou trocarem a classificação dele??!!!!

  • Aline:

    Pra ser sincera fico com pena dos estudantes, mas os professores tem a função de informar, se é um assunto em constante discussão, não poderia ser cobrado de forma radical. O problema é que vem desde 2006 (se não estou enganada) e os livros didáticos continuam da mesma forma não mudou-se nada, isso porque são renovados de 3 em 3 anos, para 2011 são outros, e ainda tem a questão da nova ortografia que muitos não se adaptaram ainda, depois questionam a educação……

  • Marcela:

    O pior é que os estudantes tem que engolir essas “verdades” e decisões científicas. Uma hora vale e depois não vale mais?
    Ka ka ka ka ka.
    E como fica aquele aluno que dançou na prova porque afirmou que Plutão é um planeta?
    Meu pai fala que daqui 30 ou 40 anos, muitas afirmações dos arrogantes cientistas desta década, farão parte dos livros de piadas.

  • Jonatas Almeida da Silva:

    O termo planeta anão, ao meu entendimento, não faz com que os objetos deixem de ser planetas. A astronomia já cita as estrelas anãs, elas não deixam de ser estrelas. O Sol, até mesmo a formidável estrela Vega, já vi classificada como estrelas anãs, genericamente todas da seqüência principal, Arcturus é uma estrela gigante, não está mais na seqüência principal. Se Júpiter é um Planeta Gigante, Plutão é um planeta anão, um gigante gasoso, e um anão gelado. Ceres está mais perto do Sol e é um anão rochoso.

  • vinicius:

    Escala Plutão e imprime todos os livros didáticos denovo… tá facil.

  • ira:

    ENQUANTO ISSO,O UNIVERSO SEGUE SEU CAMINHO E A CIENCIA ACADÊMICA LANÇANDO SUAS TEORIAS E SEMPRE TORNANDO A REVISA-LAS.
    PELO VISTO,OS MAIAS AINDA É A FONTE MAIS CONFIAVEL EM ASTRONOMIA.

  • alberto barros:

    sendo planeta ou não ele tem uma orbita em torno do sol o que fas que ele seja um astro no nosso grandioso universo ainda vai muito tempo aqui no nosso planeta para finalmente o ser humano dedicar-se mais para a ciencia do que para outras baboseirar qualquer

  • ni:

    Tava na hora deles reverem isso mesmo.

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