Mistério testemunhado no céu no século 15 é resolvido por astrônomos

O que pareceu ser uma nova estrela surgiu nos céus em 11 de março de 1437. O recém-chegado astro galáctico foi testemunhado por astrônomos reais coreanos e pelas poucas pessoas que tomaram notas sobre as estrelas no início do século 15. Eles gravaram o local dela no céu noturno e relataram que, 14 dias depois, ela desapareceu de seu lugar na constelação de Escorpião.

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O mais curioso é que ela desapareceu muito rápido para ser uma supernova, ou para ter morrido em uma explosão de fogo. Em vez disso, os astrônomos coreanos descobriram o que é chamado de Nova Clássica. As estrelas não precisam perecer para produzir eventos explosivos.

Durante uma Nova, uma estrela anã branca suga hidrogênio de uma estrela vizinha, se cobrindo de uma camada de gás roubado. A pressão se transforma em um evento cataclísmico. Em 1437, esta anã ejetou sua concha de hidrogênio em um flash tão brilhante que pôde ser visto de Escorpião até Seul.

Quase 600 anos depois, a Nova não é mais 300 mil vezes mais brilhante do que o sol. Mas ainda mantém a atenção dos astrônomos. Michael Shara, astrofísico do Museu Americano de História Natural, busca por essa antiga Nova há quase três décadas.

As interpretações modernas dos mapas coreanos indicaram que a Nova estava entre duas estrelas particulares na cauda de Escorpião. Então, o astrofísico observou. “Eu usei todas as ferramentas e técnicas que os astrônomos desenvolveram”, diz Shara, “e fiquei completamente com as mãos vazias”.

Mas, ao mudar o campo de busca para o próximo par de estrelas de Escorpião, ele encontrou os restos da erupção – a anã branca e sua concha em erupção – dentro de 90 minutos. “Estava parada ali, olhando para mim o tempo todo”, diz ele. Shara afirma que sentiu uma onda de emoções conflitantes. “Eu estava simultaneamente dançando ao redor do escritório”, e, porque ela estava tão perto por tanto tempo, “me golpeando na cabeça, dizendo, ‘Droga'”.

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Shara e seus colegas descrevem a imagem da Nova feita do Observatório Las Campanas, no Chile, no ano passado. Eles também rastrearam sua localização passada através de placas fotográficas de vidro, registros astronômicos mantidos de 1885 a 1993, agora digitalizados em Harvard.

Das placas de Harvard, Shara calculou que a anã branca movia-se perpendicularmente à Terra. “Sabemos a quantos segundos de arco por ano está se movendo pelo céu”, disse ele. Shara usou o movimento da estrela para retraçar seu caminho – pela primeira vez alguém usou o movimento adequado de uma estrela dessa maneira. Quando ele voltou o relógio 580 anos, a anã branca migratória acabou ficando no meio da casca de hidrogênio descartada.

As placas da década de 1940 demonstraram que o sistema estelar ainda está ativo. A Nova se tornou uma Nova anã. Novas anãs são muito menos brilhantes que as Novas clássicas, mas suas erupções se repetem, piscando e diminuindo ao longo de meses ou anos.

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Na década de 1980, Shara havia predito que as Novas, sistemas parecidos com Novas e Novas anãs eram as mesmas estrelas em diferentes estágios de um ciclo de erupção. Esta estrela, ele disse, oferece evidências disso.

“Assim como lagartas e borboletas são diferentes estágios de desenvolvimento de um organismo, as hibernações e erupções desses sistemas de estrelas binárias são cíclicas”, aponta..

Uma estrela anã branca reúne o hidrogênio de sua vizinha por 100.000 anos, entra em erupção, permanece em hibernação, atravessa um estágio anã-nova – e faz tudo de novo, possivelmente por um bilhão de anos. A anã branca, que tão dramaticamente derramou sua pele de hidrogênio em 1437, fará isso novamente. [Science Alert]

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