Bolsonaro diz que pode tirar o Brasil do histórico acordo climático de Paris

Por , em 9.10.2018

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, disse que pode tirar o Brasil do Acordo de Paris se eleito, uma vez que este fere a soberania do país.

O acordo, assinado por 195 países em 2015, é um plano mundial de combate às mudanças climáticas e tem como uma de suas principais metas reduzir a emissão de gases do efeito estufa, de forma a evitar o aquecimento global.

Em junho deste ano, os EUA saíram do acordo por decisão do presidente Donald Trump, que havia prometido retirar o país do pacto internacional durante sua campanha presidencial.

Por quê?

Bolsonaro afirmou que é desfavorável ao acordo porque o Brasil teria que “pagar um preço caro” para atender às exigências.

De acordo com a Reuters, Bolsonaro teria dito a jornalistas no Rio de Janeiro na segunda-feira (8) que “o que está em jogo é a soberania nacional, porque são 136 milhões de hectares que perdemos ingerência sobre eles. Eu saio do Acordo de Paris se isso continuar sendo objeto. Se nossa parte for para entregar 136 milhões de hectares da Amazônia, estou fora sim”.

O candidato ainda afirmou que pretende levar ao Congresso um debate sobre a demarcação de terras indígenas e autorização para a titularização das terras e exploração comercial de áreas protegidas que são ocupadas por indígenas e quilombolas.

“Tem muita reserva superdimensionada e os índios querem fazer na terra o que os fazendeiros fazem na deles. Queremos titularizar áreas indígenas e quilombolas também”, sugeriu, acrescentando: “No que depender de mim, lógico que tem que passar pelo Parlamento (a aprovação para exploração comercial nessas áreas)”.

É uma boa decisão?

A declaração de Bolsonaro já repercutiu no exterior, com a influente revista tecnológica e científica britânica New Scientist abrindo um artigo sobre ela com o sombrio veredicto: “Não é um movimento na direção certa. Logo que um importante relatório climático destacou como não estamos fazendo o suficiente para cumprir a meta do acordo climático de Paris, a primeira rodada da eleição presidencial no Brasil foi ganha por um candidato de extrema-direita que quer se retirar do acordo”.

A revista se refere à reunião de cientistas e pesquisadores do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas entre os dias 1 e 5 de outubro na Coreia do Sul, que trouxe um prazo bastante apertado para que a humanidade reduza drasticamente a emissão de CO2: temos apenas uma década para evitar total desastre climático.

A resistência dos países vem do fato que cumprir essa meta significa uma revolução nas formas de transporte, indústria, alimentação e gerenciamento de terras no mundo todo, e claro que isso tudo não vai ser nada barato. Para limitar o aquecimento a 1,5°C, o mundo inteiro vai ter que investir US$2,4 trilhões anualmente até 2035.

Mas é muito melhor agir agora do que mais tarde; tentar remover o CO2 do ar depois custará mais caro. Sem contar as terríveis consequências que todos teremos que enfrentar.

Apoiar o Acordo de Paris é uma questão de lógica

O próprio Bolsonaro estará provavelmente vivo para enfrentar sérios problemas, mas estes só tenderão a piorar conforme o tempo passa.

Se a temperatura média aumentar 2°C, os corais estarão mortos e os mares subirão em média 10 cm. Isso pode não parecer muito, mas um aumento de 1,5°C para 2°C significa que mais 10 milhões de pessoas estarão expostas a enchentes.

Também haverá impactos significantes nas temperaturas dos oceanos, acidez das águas e ficará mais difícil plantar arroz, milho e trigo.

Além disso, o aumento da temperatura está ligado a problemas que não viriam à mente rapidamente, como aumento do número de acidentes de carro, aumento do número de suicídio e de doenças mentais.

A questão é: seremos assim tão míopes hoje a ponto de esquecer que há um amanhã? [Terra, Extra, NewScientist]

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25 comentários

  • Daniel Fiorito:

    Oque fizeram os outros governantes em relação a isso ? A Amazônia ? Precisamos de um presidente que gere investimentos em todas tecnologias o mais rápido possível. Sei que o assunto é ciência, mas qual é o melhor candidato. Abraços, temos que ficar de olho e sempre fazer cobranças.

    • Cesar Grossmann:

      Daniel, em 2012 tivemos um dos melhores anos para a Amazônia, com o menor desmatamento. Pelo bem da Amazônia, aquela política preservacionista deveria retornar.

  • Hercules Vianna:

    Em partes concordo com a preservação da Amazônia, mas em outras discordo das proteções indígenas… tô cansado de ver índios abrindo pastos e plantações em terras demarcadas pela FUNAI… e qual a outra opção que temos? Já que só sobrou o “Radical” e o “Ladrão”?

    • Cesar Grossmann:

      Hercules, tradicionalmente os índios sempre fizeram roças.

  • Luiz Renato:

    Mais ativismo político num site científico que até então eu conferia credibilidade. Por que não publicam ciência e história sobre o comunismo e o socialismo de regimes latino americanos que têm sido protagonistas do desmatamento ilegal e predatório da floresta amazônica? Vai fazer política em outro lugar, aqui é um lugar de ciência!!!!!

    • Cesar Grossmann:

      A ciência está do lado do acordo climático de Paris, Luiz Renato, e nós também estamos do lado da ciência. Não é o mesmo lado do admirador do Chaves, o mesmo que achava que o quartel era igual ao comunismo.

  • Nilton Flávio Silva:

    A natureza sempre dá a resposta. O aumento das catástrofes naturais pelo mundo a fora, nada mais é do que isso. Pena que muitos governantes, para agradar a grandes grupos econômicos, ainda fechem os olhos para esta realidade. É a vida do planeta que está em jogo e todos perderemos com isso.

  • Jessica Silvanna:

    Eu percebo nele e seus seguidores, essa tentativa de “ser” os EUA… Alias, uma boa concentração dos movimentos a favor dele, vem da internet, atraves de videos e etc comparando Brasil X EUA… O povo acha que esse senhor vai fazer disso aqui um Estados Unidos 2.0… Só esquecem que Estados Unidos é Estados Unidos, são donos das maiores empresas do mundo, monopolios e etc. Essas atitudes são ridiculas e sem noção, mas deixa o povo sentir na pele a realidade.

    • Cesar Grossmann:

      O Brasil já foi chamado de Estados Unidos do Brasil, o EU”B”. Eles são o EU”A”, e nós éramos o EU”B”. Ideia do Ruy Barbosa.

  • Jefferson Viana:

    É triste ver como as pessoas renegam a ciência por causa de ideologias e por acreditarem tão firmemente em ídolos humanos, já vi gente defendendo com unhas e dentes Olavo de Carvalho quando este atacou teoria da relatividade, disse que astrologia tem fundamento e outras bobajadas, as pessoas não procuram conhecimento, elas procuram um demiurgo pra lhe dizer o que e verdade o que não é, não importando as evidências.

  • Marilia De Oliveira Assuncao:

    A temperatura na terra já aumentou em tempos passados remotos. Não podemos negar este aumento que, atualmente, é mensurável. Contudo, existem controvérsias científicas sobre as causas para este aumento. E CO2? É cíclica?
    Ademais e,, a propósito, entendo que a reportagem foi além do científico, exagerando no viés político! Condenável!

    • Cesar Grossmann:

      Marília, todas as alternativas foram investigadas. O professor Richard Muller era um que achava que as contas não foram feitas corretamente. Ele foi atrás de todos os dados de temperatura usados nos relatórios do IPCC, e refez todas as contas. A conclusão dele foi que o IPCC é otimista, os resultados são bem piores. Você pode conferir em Negadores do aquecimento global devem parar de distorcer as evidências e Berkeley Earth

  • João Bosco Costa:

    Muito preocupante esse posicionamento do candidato com chances fortes de vencer a eleição. A persistir nessa visão certamente manchará a reputação do país nessa área.

  • Asdrubal:

    Os brasileiros são mesmo burros! Primeiro vão para uma extrema esquerda, agora vão para uma extrema direita. Não estudam história, nem sabem a história do séc XX, nem mesmo sabem que existe um país chamado Portugal. A história é uma coisa que se repete, e é mesmo triste porque as pessoas são ignorantes, e são levadas a uma ditadura e perdem o acesso à informação livre, e ficam ainda mais cercadas pelo nacionalismo. Após uma crise, vêm sempre os nacionalismos, os países fecham-se, fazem as suas políticas, e a política externa é esquecida, logo quando há um desgaste, surgem as guerras para se obterem os recursos necessários que não foram negociados. É assim, um caso de estudo, e agora estão a surgir Hitlers por todo o planeta. Onde isto vai parar? Ou melhor, a humanidade vai parar?

  • Bruno Claudia Costa:

    Pq um site tão bacana tem que se envolver em politica. Vcs são tão importante na minha vida e de meus filhos. Se mantenham longe do viés politico meus amigos. Por favor. Vamos falar de ciência.

    • Cesar Grossmann:

      Aquecimento global é ciência, Bruno. É angustiante por que, apesar da seriedade do assunto, ainda tem gente que nega os fatos e se recusa a discutir. E é triste pensar que, apesar da ciência dar o aviso e apontar a direção, por questões políticas e econômicas o ser humano está fazendo corpo mole, se omitindo, e até mesmo negando os fatos.

    • dalton:

      As pessoas esclarecidas e intelectualmente educadas sabem, que todos os fenômenos climáticos que incomodam e, eventualmente, assustam, são consequências naturais do terceiro movimento de rotação do planeta denominado “precessão dos equinócios”, decorrente da inclinação do eixo da terra e tem o ciclo de aproximadamente 25.600 anos. Todos os fenômenos sempre aconteceram ciclicamente na história da Terra desde sua formação. Portanto, não são decorrentes de ações humanas, estas que, frente ao poder e forças cósmicas, são insignificantes. Catastrofistas tem interesse econômico em explorar esses fenômenos, só isso, portanto o Bolsonaro esta correto em abandonar esse golpe. E mais; uma página, que se diz científica deveria ficar absolutamente afastada de criticar indevidamente um candidato. Por que a página faz isso ? Quais são os interesses por trás dessas criticas levianas e infundadas cientificamente ? Cesar, quero ver se você vai publicar minha crítica ou deleta-la. Tenha coragem e assuma suas posições. É o mínimo que esperamos de um Homem que defende a clareza das posições científicas.

    • Cesar Grossmann:

      Dalton, todas as possíveis causas foram estudadas, precessão de equinócios, ciclos de Milankovich, radiação cósmica, atividade solar, vulcanismos, etc. O ciclo atual não tem precedentes, e a única hipótese que explica bem os dados é a do aumento do CO2 atmosférico, e a causa deste aumento também não é natural, é o resultado da queima de combustíveis fósseis.

      Acredite, os climatologistas levam este problema bem a sério, diferente do Heartland Intitute e outros “think tank” que são pagos pela indústria do petróleo (fato comprovado).

    • Marco Antonio:

      Acho que o César já falou tudo, mas pq a reclamação por estar falando sobre política?
      São fatos, tem gente que não acredita no aquecimento global, e eles não acreditam, pq algum político – Trump pra citar um exemplo – diz pra eles que é mentira, que é tudo invenção, o mesmo Trump diminuiu as verbas da NASA para satélites e estudos direcionados pra Terra, querendo voltar a Lua antes de entender a Terra por completo…
      Não falar de política causa esse tipo de coisa, logo, fico muito feliz de saber que ainda existem lugares que vao debater ciência e política, e que tentam mostrar a importância da ciência, como vc mesmo disse.
      Pense com carinho nesse seu comentário se é que vc vai voltar pra ler as respostas.
      Abraço!

    • Rafael Krause:

      De acordo!

  • Marco Antonio:

    Me diz uma coisa que ele quer fazer que não seja só visando o capital e que se dane a população….o coiso nunca!!!!

    • Cesar Grossmann:

      É curioso como ele copia os argumentos e posturas do presidente dos Estados Unidos. Só que o presidente americano está atendendo a interesses riquíssimos, como a indústria petrolífera americana. E o Bolsonaro, está fazendo de graça. 2030 está ali, bem pertinho.

    • Elienai Luciano:

      A destruição já existe, o culpado vem depois!

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