Cientistas conseguem ler os pensamentos de macacos

Por , em 26.07.2012

Trabalhar com um neurônio é um tipo de desafio que tem frustrado os neurologistas: os sinais são tão confusos que parece que não há nenhuma informação de fato, que é tudo ruído.

A pesquisa da área, portanto, apresenta dificuldades. Há um tempo, os cientistas descobriram que algumas informações só são codificadas quando necessárias. O que eles não sabiam era que, examinando a atividade de grupos de neurônios, era possível determinar o tipo de abordagem que o cérebro usaria para resolver um problema.

Em uma nova pesquisa, eles estudaram o cérebro de dois macacos tentando movimentar uma bola para um alvo. Um dos macacos usados, que vamos chamar de H, é do tipo hiperativo, que não espera, faz. O outro, que vamos chamar de G, é mais ponderado, e espera o exercício estar completo antes de planejar a ação.

O Experimento

O experimento é bastante simples. Enquanto monitoram o cérebro dos macacos, os cientistas projetam em uma tela uma bolinha e um alvo. A tarefa dos macacos é movimentar a bolinha em direção ao alvo. Para realizar este exercício, o macaco precisa de três informações: a posição da bolinha a ser movimentada, a posição do alvo, e um vetor de velocidade para deslocar a bolinha em direção ao alvo. A decodificação da atividade dos neurônios permite saber para onde o macaco está pensando em mover a mão antes mesmo que qualquer movimento seja iniciado.

O exame das atividades dos grupos de neurônios permite descobrir como são codificadas estas informações, só que como a direção do movimento e a posição do alvo é a mesma, uma mascara a outra, e os cientistas não tem como discernir uma codificação da outra.

Os cientistas tentaram ainda uma variação do exercício, que incluía um obstáculo. Neste caso, a direção do movimento não era a mesma da posição do alvo, e a codificação neuronal das duas podia ser discernida, já que, em 2/3 dos casos, o obstáculo impedia a movimentação direta da bolinha para o alvo. Em 1/3, dos casos o obstáculo não aparecia ou não atrapalhava a direção do movimento.

Analisando os Dados

Para descobrir a codificação neuronal de cada atividade, os cientistas juntaram as atividades neuronais dos dois macacos e a partir daí tentaram descobrir que grupo de neurônios fazia o quê. Mas os dados estavam inconsistentes, o que estava frustrando os cientistas. Eles então resolveram analisar os dados de cada macaco individualmente, e ficou claro que cada um deles estava abordando a mesma tarefa de forma diferente.

Ao ver a bolinha e o alvo, o macaco H já começa a planejar o movimento, o que é evidenciado no vídeo pela linha verde, mostrando a direção que ele pretende mover a bola. O macaco G, entretanto, mostra pouca reação, por que sabe que ainda tem o obstáculo para aparecer. Só quando aparece o obstáculo é que o macaco G faz o plano para a movimentação.

Mas qual a vantagem de uma ou outra abordagem? O macaco H, ao planejar o movimento imediatamente, sem esperar o obstáculo aparecer, tinha vantagem nos casos em que o obstáculo não aparecia ou onde ele não interrompia a linha reta entre a bolinha e o alvo. Nos outros casos, via-se claramente o vetor diminuir, e mover-se em direção à estratégia correta, à medida que ele reconhecia que a estratégia estava errada. Nestes outros casos, o macaco G, mais ponderado, tinha vantagem e chegava mais rápido a uma estratégia correta, por não precisar rever sua estratégia.[Washington University in St. Louis, Science 2.0]

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2 comentários

  • Quimera Falante:

    pobres macacoas, até quando vão ter que sofrer tanto pelo bem da ciência …. triste

  • Jonatas:

    Isso é fantástico. Mas a minha mãe ganha desses cientistas: Ela consegue ler os meus pensamentos, e sem eletrodos nem computadores. 😀
    Brincadeira. Já ouvi falar de testes feitos com ratos em Universidades dos Estados Unidos: um chip que funciona como um implante cerebral. Ele funciona como um dispositivo que pode simular os sinais neurais e ajudar na recuperação da memória.
    Quem sabe uma ajuda a portadores do Mal de Alzheimer futuramente?
    Vamos ver…

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