Cientistas “desligam” sensação de frio em ratos

Por , em 24.02.2013

Há dias em que não sentir frio seria uma verdadeira bênção (especialmente durante aqueles “intermináveis” segundos que a água do chuveiro leva para esquentar). Recentemente, um grupo de neurocientistas da Universidade da Califórnia (EUA) conseguiu dar essa “bênção” a ratos.

Em estudo anterior, o neurobiólogo David McKemy descobriu que a sensação de frio se deve em grande parte à proteína TRPM8, presente nos neurônios da pele – o TRPM8 é também o receptor do mentol, componente “refrescante” da menta.

Para ver até que ponto a proteína poderia influenciar a sensação de frio em animais, McKemy e sua equipe removeram de ratos os neurônios responsáveis por interagir com o TRPM8. Em seguida, deixaram que os animais andassem livremente por uma superfície com regiões de temperaturas diferentes, que variavam de 0°C a 50°C.

“Os ratos do grupo de controle tenderam a ficar em uma área de 30°C e evitar tanto áreas mais quentes quanto mais frias”, escrevem os autores, em artigo publicado no Journal of Neuroscience. “Já os ratos sem os neurônios de TRPM8 evitaram apenas áreas muito quentes, não as frias – mesmo quando o frio devesse ser doloroso ou potencialmente perigoso”.

Esses resultados podem levar ao desenvolvimento de medicamentos analgésicos mais precisos: os ratos deixaram de sentir a dor causada por frio, mas nem por isso perderam sensibilidade ao calor e ao toque – possíveis efeitos colaterais de alguns remédios para dor.

“O problema dos analgésicos é que eles tipicamente apenas reduzem inflamação, que é uma potencial causa de dor, ou tiram toda a sensibilidade, o que normalmente não é desejável”, explica McKemy. “Um dos nossos objetivos é pavimentar o caminho para medicamentos que lidem com a dor diretamente de modo a não deixar os pacientes sem sensibilidade”.[PopSci] [Medical News Today] [Journal of Neuroscience]

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3 comentários

  • lsaude:

    Talvez seja a maior fraude da ciência contra a humanidade a pesquisa de doenças com ratos. Vide http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2013/02/18/91625-estudo-questiona-eficiencia-do-uso-de-ratos-em-testes-medicos.html . Veja também a seguinte publicação da Revista Veja: De lixo a revolução genética
    Nove anos depois de concluir o mapeamento do genoma humano, cientistas anunciam que os 98% do material descartado à época como “DNA lixo” são, na verdade, peças vitais, responsáveis por regular o funcionamento dos genes. A descoberta, feita por 442 pesquisadores de 31 laboratórios de diversos países — nenhum do Brasil —, inaugura uma nova era no tratamento de doenças genéticas. Do diabetes ao câncer. “É um trabalho essencial para todos que querem consertar defeitos na máquina humana”, diz Tim Hubbard, um dos participantes do estudo.
    Toda pesquisa científica acaba sendo descartada ou corrigida, não interessa quantos milhões de dólares foram desperdiçados.

  • Kaik Momsen:

    Eles poderiam inventar uma formula que fizesse a gente não sentir calor, eu gosto de sentir frio.

    • Cristiano Berserker:

      Péssima ideia, caro Kaik Momsem. A sensação de calor ou frio é uma forma do nosso corpo responder às variações de temperatura do ambiente. Deixar de sentir não vai alterar o efeito que extremos de temperatura pode causar no nosso organismo, então, melhor sentir os dois e saber quando devemos nos proteger.

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