Astrônomos não sabem do que se trata esse bizarro objeto “ativo” na órbita de Júpiter

Por , em 24.05.2020
Objeto ativo na órbita de Júpiter

Os astrônomos têm um novo mistério em suas mãos: o 2019 LD2, aparentemente o único objeto ativo na órbita de Júpiter.

O que isso significa?

Existe um grande grupo de objetos que dividem a órbita do planeta Júpiter em torno do sol, chamados de “asteroides troianos de Júpiter”.

Esses objetos são asteroides “mortos”, ou seja, inertes. Exceto 2019 LD2, que inclusive possui uma cauda muito parecida com a de um cometa.

Como seu nome sugere, esse estranho objeto foi descoberto em junho do ano passado por astrônomos da Universidade do Havaí (EUA), enquanto utilizavam o sistema ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System).

O ATLAS é normalmente dedicado para a localização de objetos que representam alguma ameaça à Terra. Vez ou outra, no entanto, ele encontra curiosidades astronômicas como o 2019 LD2.

É um cometa? É um asteroide? É algo totalmente novo?

Objetos celestes de corpo pequeno tendem a ser categorizados como asteroides ou cometas. Os asteroides são bastante sem graça, enquanto os cometas são mais “animados”: eles perdem seus materiais voláteis de superfície ao se aventurar perto do sol, o que cria uma cauda visível e um coma brilhante ao redor de seu núcleo.

Quando o 2019 LD2 foi primeiramente descoberto, sua aparência fez os astrônomos considerarem que se tratasse de um cometa.

Novas imagens feitas em julho de fato corroboraram essa hipótese, revelando uma cauda evasiva semelhante à de um cometa, provavelmente composta de gás e poeira.

Mais tarde, observações realizadas no final de 2019 e no início de 2020 mostraram que o objeto permanecia ativo – e paradão ali na órbita de Júpiter. O que ele estava fazendo junto com os troianos?

Meio termo?

Existe uma classe intermediária de objetos, entre cometas e asteroides, conhecida como “asteroides ativos”. São objetos que ganham vida “de repente”, como o descontrolado 6478 Gault.

Asteroides ativos são raros, e a descoberta de um asteroide troiano ativo seria sem precedentes.

O que sabemos até agora

Júpiter tem dois grupos de asteroides ao longo de seu trajeto orbital, um na frente e outro atrás do planeta.

Júpiter no espaço traçando sua órbita

O gigante gasoso acumulou esses grupos há mais de um bilhão de anos, graças à sua tremenda gravidade. O 2019 LD2 fica no grupo à frente do planeta.

Asteroides troianos, devido a sua idade extrema, costumam ter superfícies totalmente livres de materiais voláteis, como gelo. São entediantes como a maioria dos asteroides.

O solitário troiano ativo, no entanto, sugere que essa não é toda a história– ao que tudo indica, ele possui materiais voltáveis em sua superfície.

“Acreditamos há décadas que os asteroides troianos deviam ter grandes quantidades de gelo sob suas superfícies, mas não havia evidências até agora. O ATLAS mostrou que as previsões de sua natureza gelada podem muito bem estar corretas”, sugeriu um dos autores do novo estudo, Alan Fitzsimmons, professor de astronomia da Queen’s University Belfast (Irlanda do Norte).

Hipóteses

Como a superfície de 2019 LD2 poderia ter sido exposta a esses materiais voláteis?

De acordo com os cientistas, o objeto pode ter sofrido um “deslizamento” em sua superfície ou colidido com um asteroide menor.

Outra possibilidade é que esse objeto tenha se juntado apenas recentemente à comunidade de asteroides troianos, tendo se deslocado para mais longe, onde foi capaz de reter seus voláteis de superfície.

Por enquanto, o 2019 LD2 é um mistério, mas os astrônomos planejam ficar de olho nele.

Um dia chegaremos lá

A NASA deve lançar uma sonda para visitar alguns asteroides troianos, a “Lucy”, entre 2027 e 2033.

Essa missão ajudará os astrônomos a compreender melhor esses objetos misteriosos, incluindo sua composição química e como eles foram parar no caminho orbital de Júpiter. [Gizmodo]

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