EUA planejam implante cerebral que poderia um dia restaurar a memória das pessoas

Por , em 12.05.2014

Os EUA estão realizando pesquisas militares secretas que devem revelar, nos próximos meses, novos avanços para o desenvolvimento de um implante cerebral que poderia um dia restaurar a memória de uma pessoa.

A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA, na sigla em inglês) dos EUA diz ter um plano de quatro anos para construir um sofisticado estimulador da memória, como parte da iniciativa de US$ 100 milhões (cerca de R$ 200 mi) do presidente Barack Obama para entender melhor o cérebro humano.

Além de ser uma tecnologia da qual a ciência não sabe quase nada, o tal implante levanta questões éticas sobre se a mente humana deve ser manipulada em nome de afastar o trauma de guerra ou na gestão de envelhecimento do cérebro.

Aplicações

O implante, em tese, deve beneficiar os cinco milhões de americanos com doença de Alzheimer e os cerca de 300 mil militares que sofreram lesões cerebrais traumáticas no Iraque e no Afeganistão.

“Se você foi ferido no cumprimento do dever e não consegue se lembrar de sua família, nós queremos ser capazes de restaurar esse tipo de função”, disse o gerente do programa da DARPA, Justin Sanchez. “Acreditamos que podemos desenvolver dispositivos neuroprotéticos que podem interagir diretamente com o hipocampo, e podem restaurar o tipo de memórias que estamos querendo, as memórias declarativas”.

Memórias declarativas são lembranças de pessoas, acontecimentos e fatos, mas, até agora, nenhuma pesquisa mostrou que podem ser restauradas, uma vez que são perdidas.

O que os pesquisadores foram capazes de fazer por enquanto foi ajudar a reduzir tremores em pessoas com doença de Parkinson, diminuir convulsões epilépticas e até mesmo melhorar a memória em alguns pacientes de Alzheimer, através de um processo chamado de estimulação cerebral profunda.

Estimulação cerebral profunda

Esses dispositivos foram inspirados por marca-passos cardíacos: agem como pulsos de energia elétrica no cérebro, muito parecidos com uma batida constante.

No entanto, a técnica não funciona com todas as pessoas. Especialistas dizem que é necessária uma abordagem muito mais sutil quando se trata de restaurar memória.

“A memória é feita de padrões e conexões”, explica Robert Hampson, professor da Universidade Wake Forest. “Para chegarmos a uma prótese de memória, tivemos que estudar padrões específicos”.

A pesquisa de Hampson em roedores e macacos mostrou que os neurônios no hipocampo processam a memória de forma diferente quando os animais veem vermelho ou azul, ou uma imagem de um rosto contra um tipo de alimento. Equipados com este conhecimento, Hampson e seus colegas foram capazes de estender, a curto prazo, a memória de trabalho dos animais usando próteses cerebrais para estimular o hipocampo.

Mas, para restaurar a memória específica de um ser humano, os pesquisadores teriam de saber o padrão preciso para essa memória.
Em vez disso, os cientistas do campo acham que poderiam melhorar a memória de uma pessoa simplesmente ajudando o cérebro a trabalhar como costumava antes da lesão.

“A ideia é restaurar a função de memória de volta ao normal ou quase normal, de modo que a pessoa pode acessar suas memórias formadas ou criar novas, conforme necessário”, disse Hampson.

Preocupações éticas

A manipulação de memórias em pessoas é, certamente, muito polêmica.

“Quando você brinca com o cérebro, você brinca com a identidade pessoal”, disse Arthur Caplan, especialista em ética médica no Centro Médico Langone da Universidade de Nova Iorque, que aconselha a DARPA em questões de biologia sintética, mas não de neurociência. “O custo de alterar a mente é o risco de perder o senso de si, um novo tipo de risco que nunca enfrentamos”.

Quando se trata de soldados, o potencial para apagar memórias ou inserir novas poderia interferir com técnicas de combate, tornando os guerreiros mais violentos e menos conscientes, por exemplo, ou até mesmo impedindo investigações sobre crimes de guerra.

“Se eu pudesse tomar uma pílula ou colocar um capacete e ter algumas memórias eliminadas, talvez eu não teria que viver com as consequências do que eu faço”, disse Caplan, sobre as possibilidades da tecnologia para os soldados.

O site da DARPA diz que, porque seus programas representam a vanguarda da ciência, a agência se reúne periodicamente com especialistas para discutir questões éticas, legais e sociais relevantes.

Sanchez afirmou que o caminho que a DARPA vai seguir será formalmente anunciado nos próximos meses. “Nós temos alguns dos cientistas mais talentosos do nosso país trabalhando neste projeto. Portanto, fiquem atentos. Muitas coisas emocionantes virão num futuro muito próximo”, disse. [MedicalXpress]

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3 comentários

  • Cesar Grossmann:

    A criação de falsas memórias não precisa desta tecnologia. Basta uma foto alterada por photoshop e algumas perguntas que induzem o sujeito a acreditar que a foto é verdadeira…

  • Manoel Corrêa Júnior:

    Ficaria satisfeito se esta tecnologia não for uma tentativa de controlar as pessoas diretamente na mente.

  • otavio junior:

    Ficarei satisfeito se essa tecnologia não for aplicada na criação de falsas memórias.

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