Cabras da peste: “gangue” de cabras selvagens domina as ruas de uma cidade em quarentena

Por , em 1.04.2020

Um rebanho de cabras selvagens simplesmente tomou as ruas desertas de Llandudno, no País de Gales, enquanto seus residentes ficam dentro de casa para limitar a propagação do coronavírus.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, que testou positivo para o COVID-19, ordenou a quarentena em todo o país na semana passada. A polícia tem poder para multar aqueles que não cumprem a ordem, bem como dispersar grupos de mais de duas pessoas.

Deve por isso que vemos um carro policial espalhando as cabras neste vídeo:

Entretenimento gratuito

Geralmente, as cabras-de-caxemira só se aventuram na cidade quando o clima em seu lar não é dos melhores, ou seja, quando tempo chuvoso ou ventoso torna sua casa mais traiçoeira do que o habitual – elas vivem em Great Orme, um trecho próximo de terra rochosa de calcário.

No entanto, sem pessoas circulando por Llandudno, as cabras resolveram que era hora de se arriscar um pouco mais.

Da janela de suas residências, os moradores podem ver os animais equilibrando-se no alto de muros de pedra, trotando pelo centro da cidade e mastigando flores e cercas vivas nos seus quintais.

Felizmente, ninguém parece se importar. Os habitantes locais na verdade têm orgulho dos animais e adoram o entretenimento gratuito de vê-los saltitando pelas ruas.

“As cabras são curiosas, e acho que estão se questionando sobre o que está acontecendo como todo mundo”, disse a vereadora Carol Marubbi à BBC.

Gangue selvagem

Andrew Stuart, que mora em Llandudno e trabalha para o Manchester Evening News, assumiu o papel de “correspondente de cabra”, tendo postado várias fotos e vídeos virais do rebanho.

As cabras certamente estão gostando de sua posição dominante na cidade – causam tumultos, fazem lanches no escuro da noite e não parecem respeitar as medidas sociais de distanciamento físico.

Exceto por um caso curioso registrado pelo dono de um hotel local, o Landsdowne House Llandudno. Ele lamentou o fato de não ter hóspedes, a não ser os membros do rebanho, que “esperam ficar e comer de graça”, complementando que, “pelo menos, eles usam as linhas brancas do estacionamento para respeitar os 2 metros de distância social”.

https://www.instagram.com/p/B-XUkC8pip0/

As cabras-de-caxemira e Great Orme

Enquanto o rebanho vive em Great Orme há mais de um século, não é nativo da região.

Segundo o site da cidade de Llandudno, duas cabras importadas de Caxemira, na Índia, foram compradas de um grande rebanho na França e usadas para criar o primeiro grupo na Inglaterra. Em algum momento do século XVIII, o rei George IV ganhou duas delas, desenvolvendo outro rebanho em Windsor.

A lã das cabras era usada para produzir xales de caxemira, que se tornaram particularmente populares durante o governo da rainha Vitória em meados do século XIX.

A própria rainha deu duas cabras ao major-general Sir Savage Mostyn, que as levou para a propriedade de sua família, Gloddaeth Hall, em Llandudno. Não está claro por que ou como as cabras foram parar em Great Orme, mas certamente conseguiram se adaptar ao novo ambiente.

Hoje, existem mais de 120 cabras no rebanho do norte de Gales, embora atualmente estejam curtindo umas férias all-inclusive em Llandudno. [HuffPost, MentalFloss]

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