Golfinhos demonstram princípios de cultura, formando panelas por conta de gostos parecidos

Por , em 2.08.2012

Conforme estudam os animais, os pesquisadores ficam cada vez mais fascinados com as semelhanças entre nós e eles. Claro, também somos animais, mas os mais inteligentes do mundo, o que parece nos separar abismos do resto dos nossos colegas.

Ainda assim, uma das características mais marcantes de nossa espécie, a cultura, parece não ser exclusiva.

Há pouco tempo, pesquisadores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, na Alemanha, descobriram que os chimpanzés têm um comportamento muitas vezes guiado por diferenças culturais.

Eles analisaram três grupos de animais que viviam próximos e cruzavam entre si, o que significa que não há muita diferença genética entre eles, e notaram que mesmo assim tinham comportamentos diferentes: eram três grupos culturais diferentes.

Agora, nosso conhecimento vai além: descobrimos que não são somente os animais que tem 99% do nosso código genético que possuem cultura. Os golfinhos também.

Os golfinhos frequentam as listas de mais inteligentes do Reino Animal o tempo todo. Eles têm uma vida incrivelmente sociável (existe até violência entre esses animais, o que os tornam mais parecidos conosco do que imaginamos), e evidências indicam que eles têm uma linguagem própria, sofisticada, que ainda não conseguimos desvendar.

Eles também sabem se reconhecer, um feito reservado para os animais de grande inteligência, e fazem sexo apenas por prazer, algo raríssimo.

Panelinhas de golfinhos

Um estudo da bióloga comportamental Janet Mann da Universidade Georgetown em Washington (EUA) no Balneário dos Tubarões, na Austrália, descobriu que grupos de golfinhos pareciam estar formando panelinhas conforme um certo comportamento cultural: o uso de esponjas para encontrar comida.

Esponjas são invertebrados que podem ter várias formas e tamanhos, mas tendem a parecer esponjas, porque são porosos.
Alguns golfinhos usam as esponjas marinhas, colocando-as em seus bicos, para vasculhar o fundo do mar atrás de peixe para comer.

Usar esponjas é uma tática de caça complexa, passada de mãe para filho. Trata-se da aprendizagem de onde esponjas crescem, como escolher o caminho certo, como coletar uma esponja intacta do fundo do mar, e como usá-la em seus narizes para encontrar peixes escondidos na areia.

Ao observar os golfinhos da baía, no começo, a pesquisadora achou que os animais que usavam esponjas tendiam a ser solitários; que eles não estavam interessados em uma vida social. Ao longo de 22 anos de pesquisa, entretanto, um padrão surgiu. “Parecia que os golfinhos que usavam esponjas procuravam passar tempo com outros que tinham o mesmo comportamento”, disse Mann.

Dos 36 animais, machos e fêmeas, que usavam esponjas e se associavam com outros animais, 28 fêmeas formaram grupos fortes, ou panelinhas, com outros animais que usavam esponjas, e os oito machos restantes tendiam a associar-se com animais que não usavam esponjas.

“O fato de um comportamento socialmente aprendido unir animais é uma distinção importante da forma como outros animais formam grupos”, diz Mann.

Segundo ela, circunstâncias tais como ter uma fonte de alimento em comum ou aprender comportamentos com outros podem levar os animais a formar um grupo, mas se juntar por causa de comportamentos semelhantes aprendidos em outros lugares (que não dentro do grupo) torna a situação australiana um evento cultural inédito entre os animais.

É exatamente o que acontece às vezes com os seres humanos: pessoas que gostam de rock ou de determinada banda, por exemplo, formam panelas, mesmo que não tenham aprendido a gostar de tal coisa juntos, ou que não tenham objetivos comuns; essas pessoas gostam de passar tempo juntas apenas porque têm comportamentos e gostos parecidos.[MSN]

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9 comentários

  • Heitor Giacomini:

    OS golfinhos vão dominar o mundo!CUIDADO!

  • Cesar Grossmann:

    “Não fale com ele, filho, ele não usa esponja.”

    Muito, muito humano… Ou, por outro lado, nós é que somos muito, muito animais…

  • Jean Carvalho:

    Reportagem interessante. Isto poderia contribuir para a diferenciação dos tipos de uma mesma família? Algo como se, ao longo dos tempos, os golfinhos q. usam esponjas p/ caçar se desenvolverem de maneira um pouco diferente daqueles q. não fazem desenvolveram este hábito?

    • Cesar Grossmann:

      Ocorreu-me a mesma coisa, Jean. Sabemos que um dos fatores que leva à formação de novas espécies é o isolamento reprodutivo. Se os golfinhos se isolarem reprodutivamente por conta destes costumes, será que não estaria aberto o caminho para a evolução de nova espécie de golfinho? Eu não sou especialista, mas acho bem possível.

    • Jean Carvalho:

      Penso q. sim, César, até porque a própria dieta destes golfinhos será diferente daqueles q. não usam a esponja, já q. c/ esta estes golfinhos podem absorver uma quantidade maior e + variada de nutrientes. Outra coisa q. me veio à mente é o resultado das observações dos russos, em relação à raposas criadas em cativeiros, q. adquiriram comportamentos e visual cada vez + próximos dos cachorros. Estas observações começaram a ser feitas no final da década de 50 (http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2006/01/02/22472-raposa-domesticada-aponta-origem-do-cao.html). Pelo jeito, vamos ter de revisar nosso conceito de “espécies”, assim como já tivemos de revisar nosso conceito de “raças”… (ponha um casal de brancos na África, sem grandes possibilidades de proteção ao sol, e seus descendentes terão características cada vez + negróides; ponha um casal de negros numa região de clima frio, e seus descendentes terão características cada vez + euro-asiáticas)…

  • John jones:

    logo logo o ser humano vai perder o poder nesse planeta!! espero estar vivo pra ver isso,pois vai ser muito legal!!!!!!!!!!

    • Jean Carvalho:

      No caso dos golfinhos, é pouco provável… eles têm muita inteligência sim, mas a capacidade de manipular objetos deles é um pouco limitada. Já os macacos, além da inteligência, têm praticamente a mesma possibilidade de manipulação q. a nossa. A macaca “Koko”, infelizmente falecida, tinha um vocabulário de cerca de 800 palavras (ela entendia as palavras faladas, e comunicava-se através de um teclado feito de ideogramas). Considerando q. o vocabulário médio de um adolescente norte-americano (e creio q. sul-americano tbém) não vai além das 400 palavras, será q. o cara q. escreveu o “Planeta dos Macacos” não fez uma profecia? É esperar p/ ver… ;p

    • Doer Doa a quem:

      Comparar apenas o número de palavras conhecidas é muito pouco para comparar inteligência em geral. Quem estuda alguma língua estrangeira obviamente vai ter mais palavras em seu vocabulário, mas isso diz muito pouco sobre seu raciocínio, matemática, por exemplo.

  • Gargwlas Gargw Gargwlas:

    fico pensando se vai sobrar planeta (ou por devastação humana ou cataclismica) para uma forma mais evoluida desses bichos… talvez nunca consigam estar no mesmo grau de evolução que estamos agora.

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